Explicação bíblica

Jeremias 11

Bíblia
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O Texto

Deus manda Jeremias percorrer as cidades de Judá e as ruas de Jerusalém com uma mensagem antiga: as palavras da aliança feita no Êxodo, com sua promessa e sua maldição. O povo não ouviu; pior, houve uma "conjuração", um retorno organizado aos ídolos, tantos deuses quantos eram as cidades. Por isso o Senhor anuncia um mal do qual não escaparão, proíbe Jeremias de orar por eles, compara Judá a uma oliveira verdejante agora incendiada, e revela ao profeta que seus próprios vizinhos de Anatote conspiram para matá-lo.

O Núcleo

A palavra que estrutura o capítulo é berit, aliança, traduzida aqui por "concerto". E aliança, na Bíblia, nunca é um contrato entre iguais. É um Deus que se amarra a um povo com palavras de uma intimidade quase chocante: "vós me sereis a mim por povo, e eu vos serei a vós por Deus". Tudo neste capítulo depende de se entender que a ameaça não vem de um Deus irritável, mas de um Deus comprometido. A maldição do versículo 3 não é acrescentada à aliança; ela faz parte dela desde o início, como a cláusula que dá seriedade ao amor. Um pacto sem consequências é apenas sentimento. O que Judá descobre é que a graça que liberta do Egito é a mesma graça que não tolera ser traída em silêncio.

O Fio Condutor

"Maldito o homem que não escutar as palavras d'este concerto." Essa fórmula vem direto das maldições de Deuteronômio, pronunciadas em coro pelo povo na entrada da terra. Judá disse amém àquilo. Séculos depois, Jeremias repete o amém e a maldição cai. E aqui o fio se estica até o Calvário: Paulo cita exatamente essa linguagem quando diz que Cristo se fez maldição por nós, pendurado no madeiro. O capítulo tem ainda uma segunda antecipação, involuntária e comovente: o profeta inocente que se descobre "como um cordeiro, como um boi que levam á matança", perseguido pelos homens de sua própria cidade natal. A aliança quebrada exige alguém que carregue a maldição. Jeremias prefigura; Cristo cumpre.

O Espelho

O versículo 13 é desconfortavelmente moderno: "segundo o numero das tuas cidades, foram os teus deuses". Não um ídolo central, mas um para cada necessidade, um altar em cada esquina da vida. Um deus para a segurança financeira, outro para o desempenho profissional, outro para a aprovação dos filhos, outro para a saúde do corpo. Judá não abandonou o Senhor de uma vez; foi acrescentando garantias. E quando o mal veio, correu para os altares que havia mantido aquecidos e descobriu que nenhum deles livra "no tempo do seu mal". A pergunta não é se você crê em Deus. É a quem você recorre primeiro às três da manhã quando o exame dá alterado ou a conta não fecha. Hoje, antes de dormir, escreva em uma folha o nome daquilo a que você recorreu primeiro nos últimos dias de aperto, e leia em voz alta sobre esse nome: "vós me sereis a mim por povo, e eu vos serei a vós por Deus".

Contexto

Estamos em Judá, provavelmente nos anos seguintes à reforma de Josias, quando o livro da lei foi redescoberto e uma renovação de aliança nacional foi celebrada com entusiasmo oficial. Jeremias percorre as cidades pregando exatamente esse texto da aliança, o que sugere que ele conhecia por dentro a máquina da reforma. E é aí que está o drama: a reforma era real no papel e vazia nos quintais. Os altares a Baal continuavam, agora discretos. O Templo funcionava, as "carnes sanctas" eram oferecidas, e ao mesmo tempo o povo "andas saltando de prazer" quando faz o mal. Jeremias, sacerdote de Anatote, uma aldeia a poucos quilômetros de Jerusalém, denuncia um sistema religioso que tinha aprendido a conviver com tudo.

O Protagonista

O Deus deste capítulo não é frio. Observe o versículo 7: "madrugando, e protestando, e dizendo: Dae ouvidos á minha voz". A imagem é de alguém que se levanta cedo, repetidamente, ano após ano, para insistir. Séculos de madrugadas. Esse mesmo Deus chama Judá "o meu amado" no versículo 15 e lhe deu o nome de "oliveira verde, formosa por especiosos fructos", a imagem de algo plantado com cuidado, de crescimento lento, feito para durar gerações. É o jardineiro que agora vê a própria árvore queimar. E o mais duro de tudo: "não ores por este povo". Deus fecha a porta da intercessão, não porque perdeu a paciência, mas porque chega um ponto em que insistir seria fingir que nada aconteceu.

O Detalhe

Versículo 5: "Então eu respondi, e disse: Amen, ó Senhor." Passa-se por cima dessa linha sem perceber o que ela custa. Jeremias acaba de ouvir a maldição sobre quem não escuta a aliança, e ele diz amém. Amém significa: que seja assim, é verdade, eu concordo. O profeta assina embaixo do juízo que cairá sobre sua própria nação, sua cidade, sua família, ele mesmo incluído. Não há distanciamento, nenhum "eles". É o oposto do pregador que denuncia de fora. E é justamente esse homem que, dez versículos adiante, descobre que os vizinhos querem matá-lo. Dizer amém à palavra de Deus é entrar no lugar onde ela dói.

Reflexão

Quais são os "altares em cada rua" da minha vida, aqueles recursos alternativos que mantenho aquecidos para o caso de Deus não bastar?

Onde a palavra de Deus me pede um "amém" que me incluiria no juízo, e não apenas os outros?

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Perguntas frequentes sobre Jeremiah 11

Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.

O que significa Jeremias 11?
Deus manda Jeremias percorrer as cidades de Judá e as ruas de Jerusalém com uma mensagem antiga: as palavras da aliança feita no Êxodo, com sua promessa e sua maldição. O povo não ouviu; pior, houve uma "conjuração", um retorno organizado aos ídolos, tantos deuses quantos eram as cidades.
Sobre o que fala Jeremias 11?
"Maldito o homem que não escutar as palavras d'este concerto." Essa fórmula vem direto das maldições de Deuteronômio, pronunciadas em coro pelo povo na entrada da terra. Judá disse amém àquilo. Séculos depois, Jeremias repete o amém e a maldição cai. E aqui o fio se estica até o Calvário: Paulo cita exatamente essa linguagem quando diz que Cristo se fez maldição por nós, pendurado no madeiro.
Qual é o contexto histórico de Jeremias 11?
Estamos em Judá, provavelmente nos anos seguintes à reforma de Josias, quando o livro da lei foi redescoberto e uma renovação de aliança nacional foi celebrada com entusiasmo oficial. Jeremias percorre as cidades pregando exatamente esse texto da aliança, o que sugere que ele conhecia por dentro a máquina da reforma.
O que Jeremias 11 nos ensina sobre o caráter de Deus?
Versículo 5: "Então eu respondi, e disse: Amen, ó Senhor." Passa-se por cima dessa linha sem perceber o que ela custa. Jeremias acaba de ouvir a maldição sobre quem não escuta a aliança, e ele diz amém. Amém significa: que seja assim, é verdade, eu concordo. O profeta assina embaixo do juízo que cairá sobre sua própria nação, sua cidade, sua família, ele mesmo incluído.
Como Jeremias 11 continua relevante hoje?
Onde a palavra de Deus me pede um "amém" que me incluiria no juízo, e não apenas os outros?
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Reflexões, orações e ações de graças de leitores e da equipe editorial sobre esta passagem.

Agradecimento Editorial em versículo 7

Obrigado, Senhor, porque não te calaste. Desde o dia em que tiraste o teu povo do Egito até hoje, tens advertido "desde cedo e sem cessar: Dai ouvidos à minha voz". Agradeço tua paciência que insiste comigo, me chama de volta e não desiste quando eu demoro a ouvir.

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