Explicação bíblica

Salmos 135

Bíblia
Este capítulo é possível graças a JL Group

O Texto

O salmo começa e termina com a mesma palavra: louvem. No meio, o motivo. O Senhor é bom, escolheu Jacó como seu próprio tesouro, e faz tudo o que quer nos céus, na terra, nos mares e nos abismos. Depois vem a memória: as pragas no Egito, os reis derrotados, a terra dada em herança. E então o contraste cortante com os ídolos de prata e ouro, que têm boca e não falam, olhos e não veem, e com os quais se parecem aqueles que os fabricam. No fim, a casa de Israel, a casa de Arão, a casa de Levi, todos convocados a bendizer o nome que dura perpetuamente.

O Cerne

O salmo não pede louvor porque Deus é grande em abstrato, mas porque ele agiu numa direção específica: escolheu, feriu, enviou, deu. A teologia aqui é narrativa. "Tudo o que o Senhor quiz fez" poderia soar como pura onipotência fria, exceto que o versículo anterior já disse a razão: "o Senhor é bom". O poder absoluto está a serviço de uma bondade eleitora. E essa eleição não é privilégio para olhar de cima; é posse, pertencimento, um povo que não se pertence a si mesmo. Por isso o versículo 14 surpreende: o mesmo Deus que matou reis poderosos "julgará o seu povo, e se arrependerá com respeito aos seus servos". Julgamento e compaixão no mesmo fôlego, sobre os mesmos ombros.

O Fio Condutor

Israel é chamado de tesouro particular de Deus, e o Novo Testamento pega exatamente essa expressão para descrever o que Cristo fez: entregou-se para purificar um povo que fosse propriedade sua. A linha é direta. O que o Êxodo iniciou com sangue de cordeiro nas portas do Egito, Cristo completou com o próprio sangue. O salmo celebra uma herança de terra dada a Israel; o Cristo ressuscitado dá uma herança que não se limita a Canaã. E note que o salmo coloca o louvor na boca de três casas: Israel, Arão, Levi, mais "os que temeis ao Senhor", provavelmente os estrangeiros agregados. Já ali o coro era maior do que o sangue de Jacó. Cristo apenas abriu de vez a porta que o salmo já tinha deixado entreaberta.

O Espelho

O versículo 18 é o mais desconfortável do salmo: quem fabrica ídolos torna-se como eles. Não é ameaça moral, é diagnóstico. Aquilo em que você deposita confiança molda sua capacidade de ver, ouvir e falar. Quem confia no extrato bancário desenvolve surdez para quem pede ajuda. Quem confia no próprio desempenho profissional fica cego para o filho que está perto. Quem confia na própria reputação perde a voz quando é hora de dizer a verdade. O ídolo é mudo, e o adorador vai ficando mudo junto. A promessa invertida vale também: adorar o Deus vivo é ganhar sentidos.

Hoje, escreva num papel as três coisas que mais ocuparam sua cabeça nesta semana, e diga em voz alta sobre cada uma: "tem boca, mas não fala; tem olhos, e não vê". Depois diga o nome do Senhor.

O Detalhe

Repare numa palavra que aparece duas vezes neste salmo, em lugares totalmente diferentes. No versículo 4, Israel é o "proprio thesouro" de Deus. No versículo 7, os ventos saem "dos seus thesouros", os depósitos celestes de onde Deus tira chuva, relâmpago e vento. Os tesouros de Deus, portanto, guardam as forças da natureza, e o tesouro de Deus é um povo. Essa simetria diz algo sobre o valor que Deus atribui a gente comum: na mesma categoria em que estão os ventos e as tempestades sob seu comando, está um clã de pastores do deserto. Não porque o povo seja grande, mas porque foi escolhido. Dizer isso dos arcebispos de Jerusalém seria compreensível; dizer de Jacó, o trapaceiro, é graça.

O Intertexto

Paulo diz em 2 Coríntios 3 que, ao contemplarmos a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem. É o versículo 18 do nosso salmo ao contrário, e com o mesmo mecanismo: nos tornamos aquilo que adoramos. O salmista usa o princípio como advertência, Paulo como promessa. Vale citar também Tito 2, onde se diz que Cristo se entregou para purificar para si um povo que fosse sua propriedade particular. A expressão é a mesma do versículo 4 deste salmo, agora aplicada à cruz. O que no Egito foi feito com pragas, no Gólgota foi feito com um corpo entregue. Mesmo Deus, mesma intenção, custo infinitamente maior.

O Protagonista

Deus aparece aqui como alguém de ação, não de sentimento vago. Os verbos se acumulam: fez, faz subir, produz, feriu, enviou, matou, deu, julgará. Nada de um deus distante que observa a história; este Deus entra nela e deixa marcas, inclusive marcas violentas. O salmo não suaviza os primogênitos do Egito nem os reis mortos. E justamente este Deus temível é descrito como "bom" e "agradavel", palavras quase domésticas. O retrato é coerente: a bondade dele não é brandura, é fidelidade armada a favor dos seus. Quem lê isso tendo visto a cruz entende que o mesmo Deus, um dia, absorveria em si mesmo o golpe que aqui desce sobre os inimigos.

Reflexão

Se aquilo em que você confia molda o que você é capaz de ver e ouvir, o que as pessoas mais próximas diriam que você tem adorado nos últimos meses?

O versículo 14 diz que o Senhor julgará o seu povo e se arrependerá quanto aos seus servos. Como a cruz muda a maneira como você espera esse julgamento?

Aprofunde-se em Psalms

Livros selecionados a dedo que aprofundam ainda mais este livro da Bíblia.

À espera do Natal

À espera do Natal

Faith.network

À espera do Natal: 25 leituras de Advento, de 1 a 25 de dezembro, guiadas pelo livro de Lucas. Davi, Zacarias, Maria e José, uma pessoa de hoje por...

Salmos 1-72: Introdução e comentário

Salmos 1-72: Introdução e comentário

Derek Kidner

Um comentário claro e devocional, versículo a versículo, que abre o sentido de cada salmo sem perder o calor da adoração.

Reflexões sobre os Salmos

Reflexões sobre os Salmos

C. S. Lewis

Reflexões sinceras e instigantes sobre temas difíceis dos Salmos, como a ira, a justiça e o louvor, escritas com a sensibilidade de um leitor apaixonado.

Salmos 73-150: Introdução e comentário

Derek Kidner

Continua o estudo cuidadoso do saltério, ajudando o leitor a acompanhar o fio teológico dos livros III a V dos Salmos.

Faith.network earns a small commission on Kobo purchases made through these links, at no extra cost to you. It helps keep the studies free.

Partilhar esta explicação

Ajude a espalhar o evangelho. Envie esta explicação a alguém que possa ser encorajado por ela.

WhatsApp Email Facebook X / Twitter

Perguntas frequentes sobre Psalms 135

Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.

O que significa Salmos 135?
O salmo começa e termina com a mesma palavra: louvem. No meio, o motivo. O Senhor é bom, escolheu Jacó como seu próprio tesouro, e faz tudo o que quer nos céus, na terra, nos mares e nos abismos. Depois vem a memória: as pragas no Egito, os reis derrotados, a terra dada em herança.
Sobre o que fala Salmos 135?
Israel é chamado de tesouro particular de Deus, e o Novo Testamento pega exatamente essa expressão para descrever o que Cristo fez: entregou-se para purificar um povo que fosse propriedade sua. A linha é direta. O que o Êxodo iniciou com sangue de cordeiro nas portas do Egito, Cristo completou com o próprio sangue.
Qual é o contexto histórico de Salmos 135?
Hoje, escreva num papel as três coisas que mais ocuparam sua cabeça nesta semana, e diga em voz alta sobre cada uma: "tem boca, mas não fala; tem olhos, e não vê". Depois diga o nome do Senhor.
O que Salmos 135 nos ensina sobre o caráter de Deus?
Paulo diz em 2 Coríntios 3 que, ao contemplarmos a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem. É o versículo 18 do nosso salmo ao contrário, e com o mesmo mecanismo: nos tornamos aquilo que adoramos. O salmista usa o princípio como advertência, Paulo como promessa. Vale citar também Tito 2, onde se diz que Cristo se entregou para purificar para si um povo que fosse sua propriedade particular.
Como Salmos 135 continua relevante hoje?
Se aquilo em que você confia molda o que você é capaz de ver e ouvir, o que as pessoas mais próximas diriam que você tem adorado nos últimos meses?

O que lhe toca em Psalms 135?

Ainda não há reflexões compartilhadas sobre esta passagem. Seja o primeiro a deixar algo: uma reflexão, oração ou agradecimento.

Explore esta passagem em outro nível

Iniciante, teólogo ou uma leitura de outro tamanho? Ajuste as configurações e gere sua própria versão.

Abrir na ferramenta de estudo

Aviso: A Faith.network utiliza modelos de linguagem automatizados para gerar explicações bíblicas. Embora procuremos manter a solidez teológica, o software pode cometer erros. Use esta ferramenta como um complemento, e não como substituto, do seu próprio estudo da Bíblia e da vida em comunidade na igreja.

© 2026 Faith.Network. Todos os direitos reservados.

Faith.network é um ministério de Faith.network · KvK 84972599 · connect@faith.network

Realizado com o apoio dos nossos parceiros
Empresa?