Descanso e refúgio em meio à angústia
Refúgio e repouso
Breves reflexões para meditar em silêncio, extraídas de passagens bíblicas de Salmos 46:1, Tiago 1:19, Habacuque 1:2 and Salmos 116:7.
☀ Momento da manhã
Deus é o nosso refugio e fortaleza, soccorro bem presente na angustia.
Salmos 46:1
Uma terça-feira comum exige que você já saiba, antes de sair de casa, como vai resolver tudo o que está pela frente. É essa a régua com que medimos uma boa manhã: ter o plano pronto, a agenda sob controle. Mas o salmo abre uma fenda nessa certeza. Antes de qualquer plano, há um refúgio, e esse refúgio não é uma estratégia sua, é Deus mesmo.
Refúgio é palavra de quem corre, não de quem já venceu. O salmista não escreve como alguém tranquilo à distância do perigo, mas como alguém que precisa de um lugar seguro agora, hoje. E é justamente aí, na necessidade concreta, que ele encontra a fortaleza que precisa.
Talvez você comece este dia sem saber como vai lidar com tudo o que pesa, uma conversa difícil, um prazo apertado, uma preocupação que não passou a noite. Está bem admitir isso. O versículo não pede que você finja força, pede que você se abrigue em quem a tem.
'Socorro bem presente' não é ajuda que chega depois de resolvida a crise, é presença já ali, dentro da angústia. Deus não espera você organizar o dia para depois aparecer. Ele já está no meio dele com você, desde a primeira hora.
Dedique este dia →✦ Momento do almoço
Assim que, meus amados irmãos, todo o homem seja prompto para ouvir, tardio para fallar, tardio para se irar.
Tiago 1:19
O telefone vibra outra vez em cima da mesa, ao lado do sanduíche pela metade. Alguém, algures, espera uma resposta rápida, e a resposta já está a formar-se na ponta da língua antes de a pergunta acabar de ser lida.
É precisamente aqui, no meio do expediente, que esta palavra de Tiago cai como um travão suave. Não pede silêncio absoluto, nem que se desligue tudo. Pede uma ordem: primeiro ouvir, depois falar, e antes de tudo isso, não deixar a irritação tomar as rédeas.
No trabalho, essa ordem inverte-se com facilidade. Responde-se antes de entender a pergunta. Defende-se uma posição antes de perceber a do outro. E a irritação, essa, muitas vezes chega primeiro do que qualquer palavra, pronta a colorir tudo o que se diz a seguir.
Tiago não escreve para um mosteiro silencioso, escreve para pessoas com irmãos difíceis, contas por pagar, dias cheios. Por isso a sua palavra serve tão bem para uma pausa de almoço: curta, prática, sem rodeios.
Antes de voltar ao ecrã, vale a pena um instante. Ouvir de verdade a próxima frase que chegar. Deixar a resposta esperar um segundo a mais. Deixar a irritação esfriar antes de abrir a boca. Não é fraqueza, é sabedoria emprestada por Deus para o meio da tarde.
Dedique este dia →◐ Momento da tarde
Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? até quando gritarei a ti: Violencia! e não salvarás?
Habacuque 1:2
A caneca de café já está fria em cima da mesa e a tarde ainda não acabou. Há uma hora, ou talvez mais, que a mesma pergunta gira, sem resposta, sem alívio.
Habacuque conhecia esse cansaço. Ele não estava a fugir de Deus, estava a gritar por Ele, e mesmo assim o silêncio persistia. "Até quando?" não é uma pergunta bonita para uma oração, mas é honesta.
Talvez hoje a tua tarde tenha essa mesma cor. Um problema no trabalho que se arrasta sem solução. Uma notícia que ainda dói. Uma injustiça que vês e que não consegues corrigir. E oras, e o céu parece de bronze.
O profeta não recebeu uma explicação rápida. Recebeu, mais tarde, uma visão para esperar, e a promessa de que a justiça viria, mas não naquele instante, não naquela tarde. Isso pode chafiar. Nós queremos respostas agora, não visões para depois.
Mas há algo nesta oração crua que continua a valer: gritar a Deus é diferente de desistir Dele. Habacuque não se calou, também não fingiu que estava tudo bem. Ficou diante de Deus com a pergunta na boca.
Se a tua tarde ainda não tem resposta, fica com a pergunta diante Dele. Nem sempre Ele explica. Mas ouve.
Dedique este dia →☾ Momento da noite
Alma minha, volta para o teu repouso, pois o Senhor te fez bem.
Salmos 116:7
A louça ainda está na pia, a mala do trabalho encostada à porta, e o telemóvel mostra três mensagens que ainda não respondeste. É terça-feira à noite e o corpo já sabe que o dia acabou, mas a mente ainda está a correr entre reuniões, prazos e pequenas preocupações que se acumularam desde as sete da manhã.
A alma, diz o salmista, precisa de ser chamada de volta ao repouso. Não é algo que aconteça automaticamente quando te sentas no sofá. É um convite, quase uma ordem suave: volta, minha alma. Como se a mente e o coração tivessem de ser reunidos, trazidos para casa, depois de andarem espalhados pelo dia inteiro.
E a razão para esse repouso não é o cansaço em si, mas a bondade de Deus. Ele tratou-te com bondade hoje, mesmo nas horas em que não reparaste. Numa conversa que correu bem, numa refeição que houve, num momento de respiração entre tarefas.
Esta noite podes fazer o mesmo movimento do salmista. Podes dizer à tua alma, com as próprias palavras dele: volta ao teu repouso. Não porque tudo esteja resolvido, mas porque Deus continua bom, mesmo quando o dia foi imperfeito.
Deixa que estas palavras te acompanhem enquanto apagas as luzes. O trabalho de amanhã pode esperar até amanhã.
Dedique este dia →Leia estas passagens na Almeida Atualizada
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1Deus é o nosso refugio e fortaleza, soccorro bem presente na angustia.
19Assim que, meus amados irmãos, todo o homem seja prompto para ouvir, tardio para fallar, tardio para se irar.
2Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? até quando gritarei a ti: Violencia! e não salvarás?
7Alma minha, volta para o teu repouso, pois o Senhor te fez bem.
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