Esperança escondida em lugares inesperados
Esperança escondida
Breves reflexões para meditar em silêncio, extraídas de passagens bíblicas de Lucas 24:2, Salmos 137:1-2, Miquéias 5:4 and 1 Reis 17:3-4.
☀ Momento da manhã
E acharam já a pedra revolvida do sepulchro.
Lucas 24:2
Repara no tempo do verbo. O texto não diz que as mulheres viram a pedra a ser removida, diz que a acharam removida. Chegaram depois. O trabalho já estava feito quando os seus pés pisaram o caminho do sepulcro. Nenhum olho humano assistiu ao momento em que isso aconteceu.
Antes disso só havia um sábado de luto cumprido em silêncio, um corpo lavado e embrulhado às pressas antes do pôr do sol, e uma pedra pesada selando tudo o que parecia definitivo. As especiarias que levavam eram para um morto. Não havia nelas nenhuma esperança de encontrar outra coisa.
Mas entre a tristeza de sexta-feira e a madrugada de domingo, enquanto ninguém olhava, algo se moveu no escuro. Não houve testemunhas do instante em que a pedra saiu do lugar. Deus não precisou de público para agir, nem esperou que alguém estivesse pronto para filmar o milagre.
Foi esse movimento silencioso, invisível, que pôs tudo o resto em marcha: a corrida das mulheres, o anúncio aos discípulos, e no fim toda a fé que hoje ainda se apoia nesta mesma pedra encontrada fora do lugar.
Hoje
Hoje de manhã talvez carregues algo que já aceitaste como fechado, uma situação, uma relação, um cansaço que achas definitivo como aquele túmulo selado. Antes de pegares no telemóvel, escreve numa folha o nome dessa situação e guarda-a num bolso ou numa gaveta que voltes a abrir ainda hoje.
✦ Momento do almoço
Junto dos rios de Babylonia, ali nos assentámos e chorámos, quando nos lembrámos de Sião: Sobre os salgueiros que ha no meio d'ella, pendurámos as nossas harpas.
Salmos 137:1-2
Pendurávamos. Não guardavam as harpas numa caixa, não as escondiam debaixo da cama. Penduravam-nas, à vista de todos, nos ramos dos salgueiros que cresciam à beira da água. Era um gesto público: aqui não cantamos.
Os rios de Babilônia eram os grandes canais do Eufrates, longe de Jerusalém, longe do templo, longe de tudo o que dava sentido à música que esse povo fazia. Os exilados foram levados para lá à força, instalados junto à água porque era onde havia terra fértil e trabalho. Foi ali, sentados na margem, que a saudade os alcançou com tanto peso que as mãos simplesmente pararam. Um instrumento que serve para louvar não serve para fingir.
O que chama a atenção é que não fingiram. Não forçaram um salmo alegre para agradar aos captores que, no versículo seguinte, pediam uma canção de Sião só para rir. Sentaram, choraram, penduraram as harpas. Reconheceram onde estavam.
Isso abre algo para hoje, no meio do expediente, quando tudo pede que você sorria e continue produzindo como se nada pesasse. Há lugares e momentos em que a coisa certa não é cantar, é parar e sentir o peso exatamente onde você está.
Hoje
Arranje dois minutos agora. Sente-se, sem tela, sem fone, e nomeie em voz baixa uma coisa que você tem fingido que não dói.
◐ Momento da tarde
E elle estará em pé, e apascentará ao povo na força do Senhor, na excellencia do nome do Senhor seu Deus: e elles permanecerão, porque agora será engrandecido até aos fins da terra.
Miquéias 5:4
Um nome de lugar é só uma etiqueta, útil para o mapa, sem peso além disso. É o que supomos quando dizemos os nomes das cidades sem pensar duas vezes. Mas na Bíblia os nomes carregam história, e às vezes carregam promessa.
Belém, em hebraico, é Beit Lehem: casa do pão. O nome não caiu do céu por acaso. Aquela região da Judeia tinha campos de trigo e cevada que sustentavam famílias inteiras; era terra de colheita, de forno, de fome saciada. Chamar o lugar de casa do pão era descrever com honestidade o que ali se produzia.
E, no entanto, essa mesma cidade era pequena demais para contar entre os clãs importantes de Judá. Micaías fala de um governante que viria exatamente dali, de um lugar que ninguém listaria entre os centros de poder. O texto não esconde essa tensão: o pão vinha de um canto esquecido.
Se você está na parte cansada da tarde, com a energia em baixa e a sensação de que o seu lugar também é pequeno demais para importar, este nome não resolve isso rapidamente. Mas pergunta algo real: de onde você espera que venha o seu sustento hoje? Quem Deus escolhe para alimentar os outros raramente é quem o mundo escolheria primeiro.
Hoje
Pegue um pedaço de pão agora, literalmente, e coma-o em silêncio por um minuto, pensando na casa do pão e no que você está, de fato, esperando que O sustente hoje.
☾ Momento da noite
Vae-te d'aqui, e vira-te para o oriente, e esconde-te junto ao ribeiro de Carith, que está diante do Jordão. E ha de ser que beberás do ribeiro: e eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem.
1 Reis 17:3-4
Deus escondeu Elias num lugar que Ele mesmo sabia que ia secar.
Querite não era um esconderijo de luxo. Era um ribeiro estreito, encravado numa ravina a leste do Jordão, com pedra fria debaixo dos pés e o cheiro húmido de água a correr entre rochas. Ali não havia ninguém à vista, nem Acabe, nem Jezabel, só o som da água e, de manhã e à tarde, o bater de asas de corvos a trazerem pão e carne. Um lugar escondido, sustentado por Deus de um jeito que ninguém podia explicar.
Mas o mesmo Deus que enviou Elias para lá sabia que aquela água ia acabar. A seca que o próprio profeta tinha anunciado alcançou também o seu abrigo. Nem o homem que falava em nome de Deus ficou de fora da falta.
Querite não falhou. Cumpriu o seu tempo e secou, porque já havia outro lugar à espera, Sarepta, outra provisão, outra forma de sustento. O fim de uma fonte não é o fim do cuidado de Deus, é o sinal de que é tempo de seguir.
Hoje
Talvez haja um ribeiro na tua vida que já não dá água como dava, um emprego, uma rotina, um apoio que secou. Hoje à noite, escreve numa folha ou no bloco de notas do telemóvel o nome desse ribeiro, e diz em voz alta: "Isto secou, mas Tu não secaste."
Leia estas passagens na Almeida Atualizada
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2E acharam já a pedra revolvida do sepulchro.
1Junto dos rios de Babylonia, ali nos assentámos e chorámos, quando nos lembrámos de Sião:
2Sobre os salgueiros que ha no meio d'ella, pendurámos as nossas harpas.
4E elle estará em pé, e apascentará ao povo na força do Senhor, na excellencia do nome do Senhor seu Deus: e elles permanecerão, porque agora será engrandecido até aos fins da terra.
3Vae-te d'aqui, e vira-te para o oriente, e esconde-te junto ao ribeiro de Carith, que está diante do Jordão.
4E ha de ser que beberás do ribeiro: e eu tenho ordenado aos corvos que ali te sustentem.
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