Firmados sobre a rocha eterna
Fundamento firme
Breves reflexões para meditar em silêncio, extraídas de passagens bíblicas de Mateus 7:24-25, Daniel 2:45, Mateus 1:21 and Filipenses 2:6-7.
☀ Momento da manhã
Todo aquelle, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assimilhal-o-hei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquella casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
Mateus 7:24-25
Entre os que ouviam Jesus no monte havia homens que sabiam construir. Conheciam os leitos secos dos rios da Galileia, lugares planos e convidativos, onde a areia parecia firme o bastante para dispensar o trabalho de cavar até a rocha. Sabiam que, na época das chuvas, essas areias podiam virar torrentes.
O detalhe que quase passa despercebido é que, por fora, as duas casas pareciam iguais: mesma porta, mesmo telhado, mesma sensação de abrigo. A diferença entre o sábio e o insensato não aparecia num dia de sol; só a tempestade revelou o que havia, ou não, debaixo da construção.
Jesus não fala de dois grupos, mas da mesma multidão, diante das mesmas palavras. A rocha ou a areia não dependem de quanto se ouve, e sim de ter colocado, ou não, em prática o que já se ouviu. A parábola se volta para quem lê hoje: Ele não pergunta quanto você sabe da Sua Palavra, pergunta o que já fez com ela.
Hoje de manhã, antes que qualquer tempestade apareça, é dia de fundação: a escolha não acontece no aperto, mas nos dias comuns, como esta sexta-feira que começa agora.
Hoje
Escolha uma frase de Jesus que você conhece bem, mas raramente pratica, talvez perdoar alguém ou falar a verdade com mansidão. Escreva-a num papel e deixe-o onde seus olhos vão passar hoje, na mesa de trabalho ou na tela do telefone.
✦ Momento do almoço
Da maneira que viste que do monte foi cortada uma pedra, sem mãos, e ella esmiuçou o ferro, o cobre, o barro, a prata e o oiro, o Deus grande fez saber ao rei o que ha de ser depois d'isto; e certo é o sonho, e fiel a sua interpretação.
Daniel 2:45
O palácio está em alvoroço no meio da noite. Magos, astrólogos e encantadores são arrastados para diante do rei, e nenhum deles consegue dizer o que ele sonhou, muito menos o que isso significa. Nabucodonosor, senhor do maior império do seu tempo, está à mercê de uma imagem que o persegue e que ele mesmo não consegue reter.
Daniel, um exilado sem poder nenhum naquela corte, é quem recebe a explicação. Uma estátua enorme, cabeça de ouro, peito de prata, ventre de bronze, pernas de ferro, pés de barro, representa reinos que viriam e cairiam, um sobre o outro. E então, sem que nenhuma mão humana a tivesse talhado, uma pedra atinge os pés e derruba o conjunto todo.
O detalhe que Daniel sublinha não é o tamanho da estátua, é a origem da pedra. Nenhum general, nenhum ourives, nenhum exército a produziu. Ela simplesmente aconteceu, vinda de outro lugar.
Isso diz algo direto sobre hoje. No meio da tarde de trabalho, quase tudo que sustenta o seu dia foi erguido a força de mãos, as suas e as de outros. Há algo bom em saber que o que de fato permanece não depende disso.
Hoje
Pegue um papel agora. Escreva uma frase curta sobre algo que você está empurrando hoje com todas as forças, um projeto, uma decisão, uma reunião difícil. Dobre o papel e guarde-o no bolso até o fim do expediente, como lembrete de que o que dura vem de outra mão além da sua.
◐ Momento da tarde
E dará á luz um filho e chamarás o seu nome Jesus; porque elle salvará o seu povo dos seus peccados.
Mateus 1:21
José não escolheu o nome do seu próprio filho. Alguém lho deu, antes mesmo de o menino nascer, e esse alguém não era ele.
Na cultura judaica, um nome não era apenas um som bonito. Carregava destino. E Jesus, do hebraico Yeshua, significa algo bem concreto: o Senhor salva. Não é um apelido carinhoso colado depois dos milagres. Estava ali desde antes do primeiro choro em Belém.
Mas repara no que o anjo não disse. Não disse que este filho livraria o povo dos romanos, nem da fome, nem da vergonha de José. Disse: dos seus pecados. Numa época em que todos esperavam um libertador político, esse nome já continha uma correção silenciosa das expectativas. Salvar do pecado era um problema mais incômodo do que salvar da opressão, porque exigia admitir que o mal não estava só lá fora.
É fácil pedir a Jesus que resolva o dia difícil, o chefe impossível, a conta em atraso. Mais difícil é deixar que o nome faça o que ele diz que faz: tocar naquilo que carregamos por dentro e não mostramos a ninguém.
Hoje
Hoje, escreve numa folha, num bloco de notas, uma coisa concreta de que precisas ser salvo, não uma circunstância, mas um pecado, um hábito, uma dureza do coração. Depois diz em voz alta o nome Jesus sobre essa palavra escrita.
☾ Momento da noite
O qual, sendo em fórma de Deus, não teve por usurpação ser egual a Deus, Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a fórma de servo, fazendo-se similhante aos homens;
Filipenses 2:6-7
Há uma palavra grega por trás desta frase que quase ninguém nota: harpagmos, algo que se agarra com força, como um assalto, uma presa que se arranca e não se solta. Paulo a escolhe de propósito. Não diz apenas que Cristo não disputou com Deus; diz que Ele não trancou os dedos em volta daquilo que já era seu por direito.
Paulo escreve esta carta de uma prisão, para uma igreja pequena e querida, dividida por rivalidades silenciosas, por quem tinha razão, por quem merecia mais reconhecimento. Antes do hino, ele já havia escrito que nada fosse feito por contenda ou por vanglória. O hino não é um sermão sobre doutrina; é o argumento mais profundo que ele tem para a disputa mais simples, largar o que se segura.
No fim de um dia assim, cheio de pequenas conquistas e pequenas defesas, vale perguntar o que seguramos com os dedos fechados hoje. Uma palavra que precisava ser a última. Uma tarefa que insistimos em controlar sozinhos. Um lugar que queríamos garantido. Cristo, que tinha tudo, abriu a mão primeiro.
Esse é o convite desta noite, não apenas descansar do cansaço, mas soltar aquilo que o dia nos fez agarrar. Não porque não tenha valor, mas porque Aquele que esvaziou a Si mesmo nos ensina que há mais vida na mão aberta do que na mão fechada.
Hoje
Pegue um papel agora e escreva, em poucas palavras, uma coisa que você segurou com força hoje, uma opinião, uma tarefa, um direito. Depois dobre o papel, abra as mãos sobre ele e diga em voz alta: Entrego isto a Ti esta noite.
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24Todo aquelle, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assimilhal-o-hei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha;
25E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquella casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.
45Da maneira que viste que do monte foi cortada uma pedra, sem mãos, e ella esmiuçou o ferro, o cobre, o barro, a prata e o oiro, o Deus grande fez saber ao rei o que ha de ser depois d'isto; e certo é o sonho, e fiel a sua interpretação.
21E dará á luz um filho e chamarás o seu nome Jesus; porque elle salvará o seu povo dos seus peccados.
6O qual, sendo em fórma de Deus, não teve por usurpação ser egual a Deus,
7Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a fórma de servo, fazendo-se similhante aos homens;
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