Explicação bíblica

Jó 37

Bíblia
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O Texto

Eliú chega ao fim de seu longo discurso e o faz com o coração aos saltos: "Sobre isto tambem treme o meu coração, e salta do seu logar." O que o faz tremer é uma trovoada. Ele descreve a voz de Deus rolando de horizonte a horizonte, a neve que paralisa o trabalho humano, o gelo que endurece as águas largas, as nuvens que se movem segundo um conselho que não é o nosso. E então vira-se para Jó com uma sequência de perguntas impossíveis: sabes como o céu se firma, como as nuvens se equilibram, por que teus vestidos aquecem? A conclusão é dupla: Deus é inatingível em poder, e nunca injusto no seu juízo.

O Coração

O centro teológico está no versículo 5: "faz grandes coisas, e nós as não comprehendemos." Eliú não diz que Deus é irracional, mas que a razão dele excede a nossa. E logo depois vem algo mais afiado. A mesma chuva pode vir "por vara", como castigo, "ou por beneficencia". O granizo e a colheita saem da mesma mão. Isso desmonta a teologia mecânica dos amigos de Jó, e também a nossa: não conseguimos ler os acontecimentos como um código moral transparente. Mas Eliú não se detém no mistério. Ele acrescenta o que precisa ser dito: "porém a ninguem opprime em juizo e grandeza de justiça." Poder sem justiça seria tirania; justiça sem poder seria impotência. Em Deus os dois são uma coisa só. É daí que nasce o temor genuíno, não o medo do arbitrário.

O Fio Condutor

Toda a Escritura conhece a voz que troveja. É a voz que separa luz e trevas, que fala no Sinai até o povo pedir que pare. Eliú diz que essa voz é enviada "por debaixo de todos os céus", ou seja, ninguém está fora do seu alcance. O fio se estende até um barco no mar da Galileia, onde alguém repreende o vento e a água obedece, e os discípulos perguntam quem é este homem. A resposta é a resposta de Jó 37: aquele cuja voz o tempo obedece. Só que agora essa voz vem de uma garganta humana, cansada, que dormia na popa. O esplendor que não se pode olhar de frente, como o sol nos céus, aproximou-se em carne para que fosse possível olhar. A majestade não diminuiu; ela se tornou acessível.

O Espelho

O versículo 19 é o mais honesto do capítulo: "Ensina-nos o que lhe diremos; porque nós nada poderemos pôr em boa ordem, por causa das trevas." Reconheça o quanto você faz o contrário. Diante do diagnóstico do médico, da demissão sem explicação, do filho que se afastou, você monta um discurso. Não uma oração, um discurso: um arrazoado onde Deus aparece como réu e você como promotor bem preparado. É compreensível. Mas Eliú aponta que estamos argumentando no escuro, e que nem sabemos por que nossas roupas nos aquecem. Isso não silencia a dor; silencia a pretensão de ter compreendido tudo antes de ter perguntado.

Hoje, escreva num papel, em uma única frase, a pergunta que você mais gostaria de atirar em Deus. Depois leia em voz alta sobre ela: "faz grandes coisas, e nós as não comprehendemos." Guarde o papel.

A Pergunta

Eliú afirma que Deus "a ninguem opprime em juizo". Mas o leitor do livro sabe algo que Eliú não sabe: Jó foi ferido sem culpa, por causa de uma conversa nos céus. Como sustentar a frase diante do homem sentado nas cinzas? Não há como suavizar isso. O livro não resolve a tensão explicando; resolve aparecendo. Deus responde do meio da tempestade, e não com um dossiê sobre o sofrimento de Jó, mas com mais criação, mais avestruzes, mais chuva, mais mistério. Jó aceita, não porque entendeu, mas porque viu. Fica em pé um consolo estranho e duro: o Deus incompreensível não nos deve explicação, mas se deu a si mesmo. É menos do que queríamos e mais do que merecíamos.

O Personagem Principal

Eliú é o jovem que esperou os mais velhos falarem e agora não consegue parar. Nele há algo genuíno que faltava aos outros três: o coração dele treme. Ele não fala de Deus como quem administra um arquivo de doutrinas, mas como quem foi assustado por uma trovoada e não se recuperou. Por isso seu discurso tem beleza, atenção ao gelo, à névoa, ao calor do vento sul. E ao mesmo tempo há nele uma pressa de arrumar tudo. Ele conclui que Jó só precisa de perspectiva. Falta-lhe a coragem de ficar calado com o amigo. É o retrato de muitos de nós: teologia comovida, aplicada com mão pesada, correta em quase tudo e ainda assim insuficiente diante de um homem quebrado.

O Perfil

Quem ouvia esse texto vivia da chuva. Uma estação seca significava fome, uma tempestade fora de hora significava a colheita perdida. O versículo 7 descreve o inverno que "sella as mãos de todo o homem": as ferramentas paradas, o trabalho suspenso, a total dependência de algo que ninguém controla. E ao redor de Israel havia povos que atribuíam exatamente isso a deuses da tempestade, com cultos para negociar a chuva. Ouvir que a trovoada é a voz do único Deus, que ela vem "por vara" ou "por beneficencia" segundo o seu prudente conselho, era retirar o clima do mercado religioso e colocá-lo nas mãos de um Deus que não se compra. Assustador e libertador ao mesmo tempo.

Reflexão

Onde, nesta semana, você tentou "pôr em boa ordem" algo que na verdade não compreende, e o que mudaria se admitisse isso em voz alta diante de Deus?

Eliú diz que Deus não oprime em juízo. Você acredita nisso a respeito da sua situação mais dolorosa, ou apenas em teoria?

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Perguntas frequentes sobre Job 37

Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.

O que significa Jó 37?
Eliú chega ao fim de seu longo discurso e o faz com o coração aos saltos: "Sobre isto tambem treme o meu coração, e salta do seu logar." O que o faz tremer é uma trovoada. Ele descreve a voz de Deus rolando de horizonte a horizonte, a neve que paralisa o trabalho humano, o gelo que endurece as águas largas, as nuvens que se movem segundo um conselho que não é o nosso.
Sobre o que fala Jó 37?
Toda a Escritura conhece a voz que troveja. É a voz que separa luz e trevas, que fala no Sinai até o povo pedir que pare. Eliú diz que essa voz é enviada "por debaixo de todos os céus", ou seja, ninguém está fora do seu alcance. O fio se estende até um barco no mar da Galileia, onde alguém repreende o vento e a água obedece, e os discípulos perguntam quem é este homem.
Qual é o contexto histórico de Jó 37?
Hoje, escreva num papel, em uma única frase, a pergunta que você mais gostaria de atirar em Deus. Depois leia em voz alta sobre ela: "faz grandes coisas, e nós as não comprehendemos." Guarde o papel.
O que Jó 37 nos ensina sobre o caráter de Deus?
Eliú é o jovem que esperou os mais velhos falarem e agora não consegue parar. Nele há algo genuíno que faltava aos outros três: o coração dele treme. Ele não fala de Deus como quem administra um arquivo de doutrinas, mas como quem foi assustado por uma trovoada e não se recuperou.
Como Jó 37 continua relevante hoje?
Onde, nesta semana, você tentou "pôr em boa ordem" algo que na verdade não compreende, e o que mudaria se admitisse isso em voz alta diante de Deus?
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Reflexão Editorial em versículo 3

Ele o envia por debaixo de todo o céu, e o seu relâmpago até aos confins da terra." Eliú olha uma tempestade comum e enxerga o alcance de Deus. Nenhum canto do horizonte fica de fora. Nem o seu. O clarão que ilumina terras que você nunca pisou também encontra o lugar onde você está escondido agora. Qual parte da sua vida você ainda acha longe demais para Ele iluminar?

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