Para adolescentes a partir dos 12 anos

Jó 35

Explicação e história bíblica para adolescentes (12 anos ou mais)

Bíblia

A Explicação

Eliú continua o seu discurso, e agora ataca uma ideia que ouviu sair da boca de Jó, ou pelo menos assim a entende: que a justiça de Jó seria maior do que a de Deus, e que pecar ou ser justo, no fim das contas, não faz diferença alguma para Deus. Eliú responde com uma imagem simples e poderosa: olha para o céu, para as nuvens que estão tão altas acima de ti. Deus está infinitamente acima do ser humano. Se pecares, o que isso tira dele? Se fores justo, o que ganha ele com isso? A tua maldade ou a tua bondade não alcançam o próprio ser de Deus. Elas alcançam, sim, outro ser humano como tu, o teu próximo, o filho do homem que vive ao teu lado.

Depois Eliú descreve algo real: pessoas oprimidas gritam por causa do peso de quem tem poder sobre elas. Mas, diz ele, ninguém realmente diz "onde está Deus que me fez, que dá cânticos na noite, que nos faz mais sábios do que os animais e as aves". Ou seja, o grito delas é apenas um pedido de alívio, não uma busca verdadeira por Deus. E por isso, segundo Eliú, Deus não responde: ele não ouve a vaidade, não atende a um clamor vazio, sem fundo, movido apenas pela dor e pelo orgulho de quem sofre. Quanto à queixa de Jó de que não consegue ver Deus, Eliú responde que há juízo diante dele, e por isso é preciso esperar. Termina acusando Jó de ter aberto a boca em vão, multiplicando palavras sem conhecimento.

O Que Isso Significa?

Eliú toca numa pergunta que qualquer pessoa honesta já se fez: o que eu faço realmente importa para Deus? Ele está certo em algo: Deus não é como nós, dependente de nossas ações para ser quem é. A grandeza de Deus não aumenta se formos justos, nem diminui se pecarmos. Isso é verdade e é importante, porque nos livra da ideia infantil de que Deus precisa de nós ou que o controlamos com nosso comportamento.

Mas há um problema na conclusão de Eliú. Ele usa essa verdade para acusar Jó de falar sem conhecimento, como se o sofrimento de Jó fosse resultado de um clamor vazio, orgulhoso, sem verdadeira busca por Deus. E isso não é justo. O livro de Job inteiro está construído para mostrar que os amigos de Jó, incluindo Eliú, têm pedaços de verdade nas mãos, mas erram o alvo quando tentam explicar o sofrimento de um homem que eles não conhecem por dentro. Deus, quando finalmente fala nos capítulos seguintes, não confirma simplesmente o discurso de Eliú. A transcendência de Deus é real, mas não é a resposta final para a dor humana.

O Fio Condutor

Esta é a tensão mais honesta da Bíblia: Deus está acima dos céus, inatingível, e ao mesmo tempo se inclina para dentro do sofrimento humano. Eliú fala de "cânticos na noite" que Deus dá, mas que ninguém procura de verdade. No Getsêmani, na noite mais escura da história, é o próprio Filho de Deus quem chora, suando sangue, perguntando se há outro caminho. Ali, a distância que Eliú descreve entre Deus e o homem é atravessada pelo próprio Deus, que se faz carne e entra no grito humano em vez de apenas observá-lo de longe. Jesus não responde à pergunta de Jó com um discurso sobre a grandeza divina. Ele responde vivendo, sofrendo e morrendo como um de nós, provando que o clamor humano alcança o coração de Deus, mesmo quando é confuso, imperfeito, misturado com dor e raiva.

Para Você

Talvez você já tenha sentido isso: que suas escolhas, suas lutas, suas orações não fazem diferença nenhuma no esquema geral das coisas. Que Deus está tão acima que você é invisível para ele. Eliú tinha parte da verdade: você não segura Deus nas mãos, ele não precisa de você para ser Deus. Mas isso não significa que você não importa. Importa, e muito, para as pessoas ao seu redor, que sentem o peso da sua justiça ou da sua indiferença. E importa para Deus, não porque ele dependa de você, mas porque ele escolheu se aproximar, em Cristo, do seu grito específico.

Há também um alerta aqui. Nem todo clamor é uma busca real por Deus. Às vezes gritamos apenas querendo alívio, sem realmente querer conhecer quem está do outro lado. Vale a pena perguntar, com honestidade, quando você ora: estou buscando Deus, ou só quero que o problema desapareça?

Fale Sobre Isso

Você já sentiu que suas ações, boas ou más, não fazem diferença nenhuma para Deus? Como você lida com esse sentimento?

Eliú acusa Jó de clamar sem realmente buscar Deus. Como você distingue, na sua própria vida de oração, entre pedir alívio e buscar a Deus de verdade?

Orando Juntos

Senhor, tu estás acima dos céus, e ainda assim te aproximaste de nós em Cristo. Perdoa quando meu clamor é só um pedido de alívio, sem busca verdadeira por ti. Ensina-me a te procurar não apenas na dor, mas em quem tu és. Amém.

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Perguntas sobre Jó 35

Respostas breves para quem lê sobre isto pela primeira vez.

Sobre o que fala Jó 35?
Eliú continua o seu discurso, e agora ataca uma ideia que ouviu sair da boca de Jó, ou pelo menos assim a entende: que a justiça de Jó seria maior do que a de Deus, e que pecar ou ser justo, no fim das contas, não faz diferença alguma para Deus. Eliú responde com uma imagem simples e poderosa: olha para o céu, para as nuvens que estão tão altas acima de ti.
O que diz Jó 35?
Eliú toca numa pergunta que qualquer pessoa honesta já se fez: o que eu faço realmente importa para Deus? Ele está certo em algo: Deus não é como nós, dependente de nossas ações para ser quem é. A grandeza de Deus não aumenta se formos justos, nem diminui se pecarmos. Isso é verdade e é importante, porque nos livra da ideia infantil de que Deus precisa de nós ou que o controlamos com nosso comportamento.
O que Jó 35 nos ensina sobre Deus?
Esta é a tensão mais honesta da Bíblia: Deus está acima dos céus, inatingível, e ao mesmo tempo se inclina para dentro do sofrimento humano. Eliú fala de "cânticos na noite" que Deus dá, mas que ninguém procura de verdade. No Getsêmani, na noite mais escura da história, é o próprio Filho de Deus quem chora, suando sangue, perguntando se há outro caminho.
O que adolescentes pode aprender com Jó 35?
Há também um alerta aqui. Nem todo clamor é uma busca real por Deus. Às vezes gritamos apenas querendo alívio, sem realmente querer conhecer quem está do outro lado. Vale a pena perguntar, com honestidade, quando você ora: estou buscando Deus, ou só quero que o problema desapareça?
Por que Jó 35 é uma história bíblica importante?
Eliú acusa Jó de clamar sem realmente buscar Deus. Como você distingue, na sua própria vida de oração, entre pedir alívio e buscar a Deus de verdade?

O que outros descobriram

Reflexão Editorial em versículo 6

Se pecares, que efetuarás contra ele? Se as tuas transgressões se multiplicarem, que lhe farás?" Eliú tem razão: teu pecado não arranha o trono de Deus. Mas cuidado em parar aí. O que não O diminui, ainda assim O entristece. Ele não precisa de ti, e mesmo assim te procura. Isso não é indiferença, é amor livre.

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