Jesus, filho de Joseph e Mary
Quem é e quando viveu
O dossiê descreve Jesus como homem que viveu na era indicada como The New Testament, ligado à Tribe of Judah, e o resume numa linha herdada do TIPNR: filho de Joseph. O nome original registrado é עִמָּנוּאֵל. Quanto a datas, a única fonte é Ussher, Annals of the World (1650): nascido em 4 a.C., falecido em d.C. 33 (36 anos). Nenhuma outra data pode ser afirmada aqui.
A pegada dele no texto é enorme: 1160 versículos em 224 passagens, a primeira menção em Isaiah 7:14 e a última em Revelation. A distribuição diz muito: John (253), Matthew (166), Luke (103), Mark (88), Acts (72), Romans (70), 1 Corinthians (60), e assim por diante, até dois versículos em Isaiah e dois em James. Ou seja, a maioria esmagadora das menções não são cenas narradas com começo, meio e fim, mas referências dispersas, saudações de cartas, confissões e argumentos. Vale dizer isso de saída: o dossiê entrega o texto de poucas passagens, e só sobre elas se pode falar em detalhe.
Família
Os pais listados são Joseph e Mary, a partir de Matthew 1:16. Como irmãos, o dossiê nomeia James, Joses, Simon e Jude, a partir de Matthew 13:55. Nada além disso é registrado sobre a casa em que cresceu.
A única cena com texto no dossiê
Em John 5:13-17 aparece um homem curado que não sabe quem o curou: "E o que fôra curado não sabia quem era; porque Jesus se havia retirado, porquanto n'aquelle logar havia grande multidão." O encontro seguinte acontece no templo, e a palavra dita ali é dura e concreta: "Eis que já estás são; não peques mais, para que te não succeda alguma coisa peior." O homem então identifica quem o curou, e a reação vem sem rodeios: "E por isso os judeos perseguiram a Jesus, e procuravam matal-o; porque fazia estas coisas no sabbado." A resposta é curta: "Meu Pae obra até agora, e eu obro tambem."
Outras cenas estão listadas no dossiê e podem ser lidas, mas seu texto não foi fornecido aqui: John 2:1-4, John 8:9-12, John 11:38-41, John 20:14-17, John 21:12-15, John 21:20-23, Luke 8:38-41, Luke 9:41-43, Mark 10:49-52, Mark 14:60-62, Matthew 26:49-52, John 19:18-20, entre muitas. Ficam como referências, sem reconto.
O testemunho das cartas
O peso das menções está nas epístolas, e ali ele não é lembrado apenas como figura do passado. Em 1 Corinthians 15:12-20 o argumento inteiro se apoia na ressurreição: "Ora, se se préga que Christo resuscitou dos mortos, como dizem alguns d'entre vós que não ha resurreição de mortos?" E a consequência é assumida sem amortecimento: "E, se Christo não resuscitou, logo é vã a nossa prégação, e tambem é vã a vossa fé." Quem anuncia uma ressurreição que não houve, diz o texto, é achado falsa testemunha de Deus.
Em 2 Corinthians 5:16-20 ele aparece como o lugar onde algo novo começa: "Assim que, se alguem está em Christo, nova creatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo está feito novo." E a razão é dada: "Porque Deus estava em Christo reconciliando comsigo o mundo, não lhes imputando os seus peccados."
Em 1 Corinthians 1:6-10 o apelo à unidade da igreja é feito pelo nome dele, e a garantia não está na firmeza dos ouvintes: "Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a communhão de seu Filho Jesus Christo nosso Senhor." Em Philippians 1:17-21, quem escreve está preso e sabe que alguns anunciam por contenção, "não puramente, cuidando accrescentar afflicção ás minhas prisões", e ainda assim conclui: "Porque para mim o viver é Christo, e o morrer é ganho."
O dossiê também lista Romans 15:16-20, mas anota que nesta edição o capítulo é numerado de outro modo e o texto não pôde ser confirmado. Fica citado por referência, sem reconto.
O que o dossiê não registra
Ao contrário do que acontece com quase toda pessoa deste arquivo, o dossiê não traz nenhuma falha ou pecado atribuído a Jesus. O que ele traz é oposição contra ele: perseguição e intenção de matá-lo em John 5:16, e, do lado dos que o anunciam, motivos misturados em Philippians 1:17. A honestidade do texto aparece aqui do lado dos outros, não dele.
Quanto às lacunas, o dossiê é explícito em uma: nenhum filho é nomeado. E nada é dito sobre aparência, formação ou ofício fora das passagens listadas. Preencher isso com tradição seria inventar.
A linha que estas passagens traçam
Aqui a linha não precisa ser puxada de longe, porque as referências listadas falam dele mesmo. Elas dizem que Deus o ressuscitou dos mortos, e que sem isso a pregação e a fé são vãs (1 Corinthians 15:12-20); que Deus estava nele reconciliando consigo o mundo, sem imputar pecados, pondo nos seus a palavra da reconciliação (2 Corinthians 5:16-20); que a igreja é chamada à comunhão do Filho e espera a manifestação dele, sem que nenhum dom lhe falte (1 Corinthians 1:6-10); e que, para quem crê, viver passa a ser ele (Philippians 1:17-21). Aquele que disse "Meu Pae obra até agora, e eu obro tambem" (John 5:17) é o mesmo de quem estas cartas fazem depender tudo.
Fontes: TIPNR, STEP Bible, CC BY 4.0; cronologia de Ussher, Annals of the World (1650).
