Explicação bíblica

Filipenses 2

Bíblia
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O Texto

Paulo, preso em algum lugar do império, escreve a uma comunidade que ama de verdade e pede uma coisa aparentemente simples: pensem a mesma coisa, amem-se, deixem de empurrar cotoveladas uns nos outros. E, para mostrar o que isso significa, ele para de argumentar e começa a cantar: um hino sobre Cristo que desceu ao lugar mais baixo e foi elevado ao mais alto. Depois, quase sem transição, fala de Timóteo e Epafrodito, dois homens que fizeram exatamente o que o hino descreve.

O Cerne

O coração deste capítulo é um movimento, um gesto: descer. "Aniquilou-se a si mesmo." O verbo grego por trás disso, kenoō, significa esvaziar-se, deixar-se ficar oco. Aqui está o escândalo do evangelho em uma imagem: aquele que "sendo em fórma de Deus, não teve por usurpação ser egual a Deus", não se agarrou àquilo que era legitimamente seu. Ele soltou. E é esse mesmo movimento, diz Paulo, que precisa acontecer entre os cristãos de Filipos. Humildade aqui não é uma virtude entre outras, é a forma concreta que o próprio Deus assumiu. Quem quer conhecer Deus tem de olhar para baixo, não para cima.

O Fio Condutor

Há um contraste antigo escondido neste hino. No jardim, o primeiro Adão ouviu: "sereis como Deus", e estendeu a mão. Cristo, sendo já igual a Deus, fez o inverso: soltou. Onde Adão agarrou, Cristo abriu as mãos. E toda a história de Israel, com seus reis que subiam tronos por violência e seus profetas que desciam aos poços e aos exílios, aponta para este momento em que Deus mesmo faz-se servo. O "nome que é sobre todo o nome" é o nome do Senhor, YHWH, agora dado a Jesus. O caminho de subida no reino de Deus passa sempre pela descida. É por isso que este texto não é apenas cristologia; é o mapa do reino.

O Espelho

Paulo escreve a pessoas que provavelmente se pareciam muito conosco. Havia atrito em Filipos, egos, pequenas rivalidades, talvez uma Evódia e uma Sintique (capítulo 4) que não se falavam. E ele não lhes diz "sejam mais legais". Ele diz: tenham em vós o sentimento de Cristo. Pense na última reunião em que você entrou querendo ganhar a discussão. Na conversa em casa em que estava mais interessado em ter razão do que em ouvir. No colega que você silenciosamente considera menos. "Cada um considere os outros superiores a si mesmo." Isso soa exagerado, quase doentio, até percebermos que é exatamente o que Cristo fez conosco. Ele nos considerou dignos da sua descida.

O Detalhe

Verso 17: "ainda que seja offerecido por libação sobre o sacrificio e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós". A libação era o vinho derramado sobre o sacrifício, o toque final, aquilo que se evapora e desaparece no fogo. Paulo, escrevendo possivelmente da prisão, contempla a sua própria morte como esse gesto: não como o sacrifício principal, mas como o vinho derramado sobre o sacrifício da fé deles. Ele se vê pequeno. O sacrifício central é a fé dos filipenses; ele é apenas o vinho que acompanha. Isto de um apóstolo. Se você tem lido Paulo como alguém que se acha o centro, releia este verso com calma. Ele já aprendeu a descer.

O Intertexto

Isaías 45:23 diz que diante do Senhor "se dobrará todo o joelho, e por mim jurará toda a lingua". Paulo pega esse texto, que fala exclusivamente de YHWH, e aplica-o a Jesus, sem pestanejar: "ao nome de Jesus se dobre todo o joelho… E toda a lingua confesse que Jesus Christo é o Senhor". Isto é dinamite teológica embrulhada num hino. E há o eco de Gênesis 3, onde o homem quer ser como Deus por usurpação, contra o Cristo que já o é e ainda assim se esvazia. Duas mãos, uma que agarra, outra que solta. Toda a Bíblia oscila entre esses dois gestos.

Contexto

Filipos era uma colônia romana, orgulhosa da sua cidadania, cheia de veteranos militares aposentados. Numa cidade assim, honra, status e patrocínio eram o oxigênio social. Dizer "considerem os outros superiores a si mesmos" era subverter todo o código. E o hino termina com uma proclamação politicamente perigosa: "Jesus Christo é o Senhor", em uma cidade onde César era chamado kyrios. Paulo escreve preso, provavelmente em Roma. Epafrodito quase morreu tentando levar-lhe ajuda dos filipenses e agora volta com esta carta. Timóteo virá em breve. Toda a carta cheira a uma comunidade que se ama de longe, em circunstâncias que não permitem sentimentalismo.

Reflexão

Onde na minha vida estou agarrando algo que Cristo, no meu lugar, teria soltado?

A quem posso, esta semana, considerar concretamente superior a mim mesmo, e o que mudaria no meu comportamento se levasse isso a sério?

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Perguntas frequentes sobre Philippians 2

Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.

O que significa Filipenses 2?
Paulo, preso em algum lugar do império, escreve a uma comunidade que ama de verdade e pede uma coisa aparentemente simples: pensem a mesma coisa, amem-se, deixem de empurrar cotoveladas uns nos outros. E, para mostrar o que isso significa, ele para de argumentar e começa a cantar: um hino sobre Cristo que desceu ao lugar mais baixo e foi elevado ao mais alto.
Sobre o que fala Filipenses 2?
O coração deste capítulo é um movimento, um gesto: descer. "Aniquilou-se a si mesmo." O verbo grego por trás disso, kenoō, significa esvaziar-se, deixar-se ficar oco. Aqui está o escândalo do evangelho em uma imagem: aquele que "sendo em fórma de Deus, não teve por usurpação ser egual a Deus", não se agarrou àquilo que era legitimamente seu.
Qual é o contexto histórico de Filipenses 2?
Há um contraste antigo escondido neste hino. No jardim, o primeiro Adão ouviu: "sereis como Deus", e estendeu a mão. Cristo, sendo já igual a Deus, fez o inverso: soltou. Onde Adão agarrou, Cristo abriu as mãos. E toda a história de Israel, com seus reis que subiam tronos por violência e seus profetas que desciam aos poços e aos exílios, aponta para este momento em que Deus mesmo faz-se servo.
O que Filipenses 2 nos ensina sobre o caráter de Deus?
Paulo escreve a pessoas que provavelmente se pareciam muito conosco. Havia atrito em Filipos, egos, pequenas rivalidades, talvez uma Evódia e uma Sintique (capítulo 4) que não se falavam. E ele não lhes diz "sejam mais legais". Ele diz: tenham em vós o sentimento de Cristo.
Como Filipenses 2 continua relevante hoje?
Verso 17: "ainda que seja offerecido por libação sobre o sacrificio e serviço da vossa fé, folgo e me regozijo com todos vós". A libação era o vinho derramado sobre o sacrifício, o toque final, aquilo que se evapora e desaparece no fogo.
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O que a comunidade compartilha sobre Philippians 2

Reflexões, orações e ações de graças de leitores e da equipe editorial sobre esta passagem.

Oração Editorial em versículo 29

Pai, ensina-me a receber com alegria as pessoas que chegam cansadas de tanto servir. Que eu saiba reconhecer o valor de quem se entrega em silêncio, honrando com palavras e com gestos aqueles que gastam a vida por amor a ti e aos outros.

Reflexão Editorial em versículo 8

a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte, e morte de cruz." Repare que a frase desce degrau por degrau, e no último Paulo acrescenta um detalhe que doeu: não qualquer morte, mas a cruz, a mais vergonhosa. Jesus não parou onde ainda restava alguma honra. Onde a sua humildade costuma parar?

Reflexão Editorial em versículo 12

Paulo escreve: "como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém muito mais agora na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor". A obediência que só acontece quando alguém está olhando ainda não é sua de verdade. Deus já depositou a salvação em você. Resta viver o que foi dado, inclusive nos dias em que ninguém percebe.

Reflexão Editorial em versículo 26

Epafrodito estava doente, quase morrendo, e o que o angustiava era outra coisa: "porquanto tinha saudades de todos vós e estava angustiado por terdes ouvido que ele adoecera". Ele sofria porque sabia que a notícia da sua fraqueza feriria quem o amava. Você já se preocupou assim, mais com a dor alheia do que com a sua? Existe um amor que esquece de si até na cama de enfermo.

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