Atos 19:13
O Texto
Enquanto Paulo ensinava dia após dia na escola de Tirano e Deus fazia "maravilhas extraordinarias" pelas suas mãos, alguns exorcistas judeus ambulantes, homens que viviam de circular entre as cidades oferecendo libertação a quem pagasse, perceberam que havia um nome novo em circulação, um nome que aparentemente funcionava. E tentaram usá-lo. A fórmula que pronunciaram sobre os endemoninhados é reproduzida por Lucas com uma precisão quase cruel: "Esconjuramos-vos por Jesus a quem Paulo préga." Não "por Jesus, o Senhor". Não "por Jesus, meu Salvador". Por Jesus a quem outro homem prega. Um nome emprestado, citado em terceira mão, encaixado num repertório de encantamentos que já possuíam. O versículo termina aí, no meio do gesto, antes que saibamos o que acontece.
O Cerne
Há um silêncio dentro deste versículo que vale a pena habitar. Estes homens não são inimigos declarados do evangelho. Não blasfemam, não perseguem, não zombam. Fazem algo muito mais próximo de nós: reconhecem que o nome de Jesus tem poder e querem esse poder sem querer aquele a quem o nome pertence. É a tentação mais antiga e mais educada da religião, tratar o santo como técnica. E o texto sugere, sem ainda dizer, que o nome de Jesus não é uma senha. Não funciona porque é pronunciado corretamente; funciona porque pertence a alguém vivo, que conhece quem o invoca. A pergunta que este versículo deixa suspensa no ar não é se o nome é poderoso. É se o nome nos conhece.
O Fio Condutor
Desde o princípio, Deus resiste a ser manejado. Quando Moisés pergunta pelo nome junto à sarça, a resposta que recebe é menos uma informação do que uma recusa: "Eu sou o que sou". Um nome que não cabe na mão, que não se pode gravar num amuleto. Israel guardou esse nome com tanto temor que deixou de pronunciá-lo. E então, no meio da história, Deus faz o impensável: dá-se um nome que se pode dizer em voz alta, Jesus, um nome de carpinteiro, pronunciável por crianças. A encarnação torna Deus acessível sem o tornar disponível. É exatamente aí que estes exorcistas tropeçam. Confundem proximidade com posse. O nome desceu até nós, sim, mas continua a ser dele, e não nosso.
O Espelho
Pergunte-se com honestidade de que boca veio a sua fé. Quase todos nós começamos com um Jesus "a quem alguém prega": a avó que rezava, o pastor que nos marcou, o livro que nos abriu os olhos. Isso não é vergonha nenhuma, é assim que a fé se transmite. O problema começa quando ficamos ali, quando anos depois ainda oramos com as palavras de outro, invocamos o nome no fim das orações como quem carimba um documento, e nunca dissemos nada a ele diretamente. Também há a versão adulta e respeitável disto: usar linguagem de fé no trabalho, na liderança, no grupo, porque funciona, porque acalma pessoas, porque dá autoridade. Hoje, sozinho e em voz alta, complete esta frase diante de Deus: "Jesus, a quem __ pregou para mim." Diga o nome dessa pessoa, agradeça, e depois fale com ele com as suas próprias palavras, mesmo que sejam poucas.
Contexto
Éfeso era a capital da magia no mundo antigo. Circulavam ali as chamadas "letras efésias", fórmulas escritas em tiras que se usavam ao pescoço, e a cidade vivia à sombra do templo de Diana, uma das maiores construções do mundo conhecido. Os exorcistas judeus tinham grande prestígio nesse mercado, precisamente porque o Deus de Israel era tido como poderoso e o seu nome como impronunciável, portanto misterioso e eficaz. O verbo que Lucas usa, horkizō, significa "colocar sob juramento": eles põem o espírito sob juramento por um nome que não lhes pertence. E o contexto imediato aumenta o contraste. Deus estava a fazer maravilhas até por meio de "lenços e aventaes" de Paulo. Aos olhos da rua, isso parecia magia bem-sucedida. A confusão era compreensível.
O Perfil
Lucas escreve para leitores que conheciam este mundo por dentro. Muitos dos cristãos da Ásia tinham vindo dele: eram os que, poucos versículos adiante, trazem os livros de "artes curiosas" e os queimam em praça pública, cinquenta mil peças de prata a arder. Esses leitores não ouviam esta história como curiosidade exótica. Ouviam-na com um arrepio de reconhecimento, porque tinham sido eles a murmurar fórmulas sobre filhos doentes, a pagar por proteções, a colecionar nomes divinos como quem coleciona chaves. Para eles, o versículo 13 era um espelho antes de ser um aviso. E a pergunta que o espírito faria a seguir, "porém vós quem sois", era uma pergunta que já lhes tinha atravessado o peito.
A Personagem Principal
São sete, filhos de um tal Sceva, e Lucas chama-lhes "vagabundos", itinerantes. Homens que passavam a vida à beira do sagrado sem nunca entrar nele. Conheciam rituais, sabiam avaliar o poder de um nome, tinham ouvido Paulo o suficiente para copiar a sua linguagem. Não são cínicos; são profissionais. E há algo de comovente na sua cegueira: estavam mais perto da verdade do que a maioria dos efésios, e foi essa proximidade que os enganou. O que o texto revela sobre nós é isto: a religião pode tornar-se um ofício, uma competência, um repertório, e continuar completamente vazia de relação. O nome de Jesus não os rejeita por serem maus. Rejeita-os porque nunca lhe foram apresentados. E o versículo termina antes da resposta, deixando-nos ali suspensos, com a fórmula ainda no ar e o silêncio a formar-se.
Reflexão
Quando foi a última vez que falou com Jesus sem usar palavras herdadas de outra pessoa, e o que o impede de o fazer hoje?
Onde é que, na sua vida, a linguagem da fé se tornou uma ferramenta útil, algo que produz efeito nos outros, mas que já não nasce de um encontro?
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Perguntas frequentes sobre Acts 19:13
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Reflexões, orações e ações de graças de leitores e da equipe editorial sobre esta passagem.
Uns, pois, gritavam de uma maneira; outros, de outra; porque a assembleia caíra em confusão. E, na sua maior parte, nem sabiam por que se tinham reunido." Uma multidão inteira gritando sem saber por quê. Vale perguntar hoje: aquela indignação que você carrega, de onde veio mesmo? Foi sua, ou você só entrou no grito dos outros?
Assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente." Mas veja o que veio antes: gente queimando livros caríssimos de magia, cinquenta mil moedas de prata virando fumaça. A Palavra cresceu no espaço que a obediência abriu. O que você ainda guarda na estante, com medo do prejuízo?
Obrigado, Senhor, porque "eram, ao todo, uns doze homens", e nem um só ficou esquecido na tua conta. Grato porque contas cada pessoa, tocas pequenos grupos com teu Espírito e não desprezas os começos pequenos em Éfeso nem entre nós.
Obrigado, Senhor, porque até os inimigos do evangelho tiveram de reconhecer que "muita gente" em Éfeso e por quase toda a Ásia se voltou para Ti. Grato porque o Senhor não é feito por mãos humanas, e por isso pôde me libertar dos meus ídolos.
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