Explicação bíblica

Efésios 1:20

Bíblia

O Texto

Paulo está no meio de uma oração, e de repente ela sobe. Ele pede que os olhos do entendimento dos leitores sejam iluminados para enxergar "a sobre-excellente grandeza do seu poder em nós, os que crêmos", e então, como se lhe faltasse vocabulário, aponta para o único lugar onde esse poder já foi medido: "A qual operou em Christo, resuscitando-o dos mortos, e o collocou á sua direita nos céus". Duas coisas, portanto, em um só movimento: Deus tirou Jesus do lugar dos mortos e o assentou no lugar do governo. O túmulo aberto e o trono ocupado, no mesmo gesto de uma só mão.

O Cerne

Repare no que Paulo está fazendo com esse versículo. Ele não o cita como um artigo de fé a ser aceito, mas como uma unidade de medida. Você quer saber quanta força Deus tem disponível para quem crê? Olhe para o cemitério vazio e para o trono. É essa a régua. Não a força que arruma sua semana nem a que melhora seu humor, mas a força que atravessa a morte, o limite absoluto que nenhum poder humano jamais dobrou, e termina em autoridade sobre tudo. E o mais desconcertante: Paulo diz que essa mesma operação, essa mesma "força do seu poder", opera "em nós". Não algo semelhante, em escala reduzida. A mesma. O cristianismo não promete ajuda; promete ressurreição, e já começou.

O Fio Condutor

"Á sua direita" não é uma imagem devocional, é uma citação. O Salmo 110 abre com Deus dizendo ao rei ungido: assenta-te à minha direita. Era o salmo mais lido pelos primeiros cristãos, porque resolvia o problema que o túmulo vazio criava: e agora, onde está ele? A resposta não é "no céu" no sentido vago de ausência, mas na posição do vizir, do segundo no comando, aquele por cujas mãos passa tudo o que o rei decide. O Antigo Testamento passou séculos esperando alguém que pudesse ocupar aquela cadeira e não encontrou ninguém: os reis morriam, os sacerdotes morriam. A ressurreição é o que finalmente qualifica um ser humano para se sentar ali, porque só quem não morre mais pode governar sem interrupção. O fio vai do trono prometido ao trono ocupado, e por um corpo de carne.

O Espelho

Você já mediu o poder de Deus pela sua semana. Todos nós fazemos isso. A conta é rápida: as orações que não mudaram nada, o exame que veio ruim, o filho que continua distante, o dinheiro que não fecha, o casamento que envelheceu sem melhorar. E a conclusão chega sozinha: Deus é forte em teoria e modesto na prática. Paulo não discute com você. Ele apenas muda a régua. Não pergunte quanto Deus fez pela sua terça-feira; pergunte o que ele fez com um homem morto na sexta-feira à tarde. Se o limite absoluto já cedeu, então aquilo que hoje te parece definitivo, e há algo na sua vida que te parece absolutamente definitivo, é provisório e você é que está enganado sobre a sua natureza.

Isso liberta e isso incomoda. Incomoda porque tira de você o direito de tratar sua situação como sem saída, e esse direito é confortável; a resignação poupa energia. Liberta porque a fé deixa de depender do seu talento para acreditar e passa a depender de um fato datado, ocorrido fora de você, num sepulcro emprestado.

Hoje, escreva num papel, com a sua letra, o nome exato daquilo que você já decidiu que nunca vai mudar. Uma palavra ou um nome, nada mais. Depois diga em voz alta, olhando para o papel: "Deus ressuscitou Jesus dos mortos e o assentou à sua direita. Isto aqui não é a última palavra." Então guarde o papel na carteira.

O Personagem Principal

Note quem age neste versículo. Todos os verbos pertencem ao Pai: ele operou, ele ressuscitou, ele colocou. Cristo, aqui, é objeto, não sujeito. Ele é o ressuscitado, o assentado, aquele que recebe. Isso é surpreendente numa carta que exalta Cristo do começo ao fim, e diz algo sobre Deus que raramente dizemos em voz alta: a glória do Pai se realiza em levantar e honrar outro. Ele não guarda o trono para si; ele coloca um ser humano ao seu lado. E diz algo sobre o Filho também: houve um momento em que Jesus não pôde fazer nada por si mesmo, esteve entre os mortos e dependeu inteiramente de que o Pai o buscasse. O caminho para a direita de Deus passou pela passividade total. Quem já esteve numa cama de hospital entende essa geografia melhor do que quem nunca esteve.

A Pergunta

Se é a mesma força, por que somos tão frágeis? A pergunta é honesta e o texto não a apaga. Paulo escreve provavelmente de uma prisão, para pessoas sem nenhum poder social, e não promete que elas deixarão de ser esmagadas. Ele pede outra coisa: que os olhos do entendimento sejam iluminados. Ou seja, o poder está presente e ilegível; precisa de olhos treinados. Alguns responderão que a plenitude é futura, e o próprio Paulo fala do Espírito como "penhor da nossa herança", um sinal de garantia, não a herança inteira. Isso é verdade, mas não resolve tudo, e não vou fingir que resolve. Ficamos com uma tensão: um Cristo entronizado e uma igreja que sangra. A ressurreição não explica a demora; ela apenas garante o fim dela.

Contexto

Éfeso era a capital religiosa da província, cidade do templo de Ártemis e de um comércio florescente de amuletos, fórmulas mágicas e nomes de poder. Ali se pagava caro por uma palavra secreta capaz de sujeitar um espírito, e a lista do versículo seguinte, "todo o principado, e poder, e potestade, e dominio e todo o nome que se nomeia", soa como o catálogo desse mercado. Some-se a isso o culto ao imperador, com sua própria linguagem de senhorio. Os leitores de Paulo eram gente pequena nesse mundo: artesãos, escravos, libertos, reunidos em casas. A eles Paulo diz que existe uma cadeira acima de todas as outras, e que quem está sentada nela morreu, voltou e é a cabeça do corpo a que eles pertencem.

Reflexão

Qual situação da sua vida você já classificou, silenciosamente, como definitiva, e o que mudaria na sua próxima semana se ela fosse apenas provisória?

Paulo ora por olhos iluminados, não por mais poder. O que isso sugere sobre o que você deveria pedir a Deus amanhã de manhã?

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Perguntas frequentes sobre Ephesians 1:20

Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.

O que significa Efésios 1:20?
Paulo está no meio de uma oração, e de repente ela sobe. Ele pede que os olhos do entendimento dos leitores sejam iluminados para enxergar "a sobre-excellente grandeza do seu poder em nós, os que crêmos", e então, como se lhe faltasse vocabulário, aponta para o único lugar onde esse poder já foi medido: "A qual operou em Christo, resuscitando-o dos mortos, e o collocou á sua direita nos céus".
Sobre o que fala Efésios 1:20?
"Á sua direita" não é uma imagem devocional, é uma citação. O Salmo 110 abre com Deus dizendo ao rei ungido: assenta-te à minha direita. Era o salmo mais lido pelos primeiros cristãos, porque resolvia o problema que o túmulo vazio criava: e agora, onde está ele?
Qual é o contexto histórico de Efésios 1:20?
Isso liberta e isso incomoda. Incomoda porque tira de você o direito de tratar sua situação como sem saída, e esse direito é confortável; a resignação poupa energia. Liberta porque a fé deixa de depender do seu talento para acreditar e passa a depender de um fato datado, ocorrido fora de você, num sepulcro emprestado.
O que Efésios 1:20 nos ensina sobre o caráter de Deus?
Note quem age neste versículo. Todos os verbos pertencem ao Pai: ele operou, ele ressuscitou, ele colocou. Cristo, aqui, é objeto, não sujeito. Ele é o ressuscitado, o assentado, aquele que recebe. Isso é surpreendente numa carta que exalta Cristo do começo ao fim, e diz algo sobre Deus que raramente dizemos em voz alta: a glória do Pai se realiza em levantar e honrar outro.
Como Efésios 1:20 continua relevante hoje?
Éfeso era a capital religiosa da província, cidade do templo de Ártemis e de um comércio florescente de amuletos, fórmulas mágicas e nomes de poder. Ali se pagava caro por uma palavra secreta capaz de sujeitar um espírito, e a lista do versículo seguinte, "todo o principado, e poder, e potestade, e dominio e todo o nome que se nomeia", soa como o catálogo desse mercado.
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Reflexões, orações e ações de graças de leitores e da equipe editorial sobre esta passagem.

Reflexão Editorial em versículo 22

E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja." Repare no verbo: deu. Aquele que tem o universo sob os pés não foi apenas entronizado, foi entregue. A autoridade máxima virou presente para gente comum como você. Como você tem tratado esse presente?

Reflexão Editorial em versículo 2

Graça e paz vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo."

Paulo começa a carta assim, e a ordem importa: primeiro a graça, depois a paz. Sem receber o favor imerecido de Deus, a paz é só um esforço cansado da alma. Hoje, antes de tentar acalmar seu coração, deixe a graça chegar primeiro.

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