Gênesis 1:16
O Texto
No quarto dia Deus faz os dois grandes luminares e lhes atribui uma função: o maior governa o dia, o menor governa a noite. E então, quase como quem acrescenta um detalhe, o texto diz: "e as estrellas". Repare no que não está escrito. Os nomes "sol" e "lua" não aparecem. Em todo o mundo ao redor de Israel, esses dois corpos tinham nome próprio, templo, sacerdócio e calendário litúrgico; aqui são descritos por tamanho e tarefa, como duas lâmpadas penduradas num teto. E as estrelas, diante das quais impérios inteiros consultavam o futuro, cabem em três palavras no fim da frase. O texto não discute com as religiões vizinhas; simplesmente as despede.
O Cerne
Há aqui uma ordem que é fácil passar batido: a luz existe desde o primeiro dia, os luminares só no quarto. Ou seja, as lâmpadas não são a fonte. Elas carregam uma luz que já existia antes delas e sem elas. Isso desmonta de uma vez toda tentativa de confundir o criado com o Criador: o que ilumina a sua vida não é a origem da luz, é apenas um portador dela. E então vem o verbo decisivo, "governar". É a primeira vez que a Escritura fala de domínio, e não se trata de domínio próprio nem autônomo: o luminar governa porque foi feito, posto e designado. Todo governo legítimo no mundo de Deus é governo recebido, nunca tomado. A autoridade existe, mas sempre como mordomia, nunca como soberania.
O Fio Condutor
Guarde essa ordem: primeiro a luz, depois os portadores da luz. É exatamente assim que a Escritura vai contar a história inteira. Antes de haver profeta, sacerdote, rei ou lei, há a Palavra de Deus que diz "Haja luz". João começa seu evangelho deliberadamente com as mesmas palavras de Gênesis, "no princípio", porque quer que você entenda que aquela luz do primeiro dia tinha um nome que ainda não havia sido pronunciado. Cristo não é mais uma lâmpada pendurada no firmamento. Ele é a luz que existia antes que houvesse qualquer coisa capaz de refleti-la. E tudo o que depois ilumina, Moisés, Davi, João Batista, a igreja, você, ilumina do mesmo jeito que a lua: sem fonte própria, devolvendo o que recebeu, e inútil quando se coloca de costas para o sol.
O Espelho
O risco não é adorar o sol; é adorar luminares menores com nomes mais modernos. O chefe cuja aprovação define se o seu mês foi bom. O filho em quem você depositou o sentido da sua vida inteira. O saldo na conta, que promete governar o seu dia e a sua noite com muito mais firmeza do que Deus parece governar. Todos eles são reais, foram postos por Deus no seu céu, e nenhum deles é fonte de luz. Quando apagam, e eles apagam, você descobre se estava vivendo da luz do primeiro dia ou do brilho emprestado do quarto. Hoje, antes de dormir, saia por dois minutos, olhe para o céu e diga em voz alta o nome daquilo que você tem tratado como sol: "isto é lâmpada, não é fonte".
O Intertexto
A Bíblia fecha o círculo em Apocalipse 21, quando João vê a cidade que não precisa de sol nem de lua, porque a glória de Deus a ilumina e o Cordeiro é a sua lâmpada. Não é um detalhe decorativo: é o quarto dia chegando ao fim. Os luminares foram sempre provisórios, funcionários de um regime temporário, encarregados de marcar "signaes", "tempos determinados", "dias e annos" enquanto o tempo ainda corre. Quando o tempo desembocar em Deus, os relógios do céu serão aposentados. A luz do primeiro dia permanece, agora sem intermediários, sem o cansaço de olhar sempre para algo que apenas reflete. Gênesis 1 e Apocalipse 21 são a mesma luz, uma no amanhecer, outra ao meio-dia.
O Detalhe
"O luminar menor para governar a noite." Essa frase é estranha e preciosa. A noite não é território neutro, nem terra de ninguém, nem o espaço onde Deus se retirou. A noite também tem governo, e esse governo foi instituído por Deus. Os antigos sabiam que a escuridão é quando o caos avança, quando os animais saem e os inimigos atacam. E Deus, em vez de abolir a noite, nomeia um governante para ela. Guarde isso para a próxima madrugada em que você acordar às três da manhã com o peito apertado: aquele período também está sob administração. Nada do que acontece com você no escuro acontece fora da jurisdição de Deus.
A Pergunta
Por que, numa criação chamada "muito bom", existe noite? Deus separa a luz das trevas, mas não as elimina; dá-lhes nome, horário e governo. É desconfortável. A resposta fácil seria dizer que a escuridão é só ausência, mas o texto a trata como algo nomeado, que precisa ser governado. Confesso que não sei resolver isso. Sei apenas onde a Bíblia leva a pergunta: para uma cruz ao meio-dia, com o sol apagado por três horas, onde o Filho entrou na noite que ele mesmo havia submetido a governo. Não é explicação. É companhia. E, para quem está no escuro, talvez companhia valha mais do que explicação.
Reflexão
Qual luminar da sua vida você tem tratado como fonte, e o que aconteceria se ele se apagasse amanhã?
Se até a noite recebeu um governante, o que muda na forma como você encara a sua próxima madrugada em claro?
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Perguntas frequentes sobre Genesis 1:16
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Reflexões, orações e ações de graças de leitores e da equipe editorial sobre esta passagem.
Disse Deus: Haja luz; e houve luz." Repare que a luz veio antes do sol. Deus não precisou de fonte nenhuma além da própria voz. Onde a sua vida ainda parece sem forma e vazia, sem nenhum recurso à vista, lembre: Ele não depende do que falta em você para começar algo novo. Basta Ele falar.
Os grandes monstros marinhos aterrorizavam os povos vizinhos de Israel, eram vistos como deuses do caos. E o texto diz simplesmente: "Criou, pois, Deus os grandes animais marinhos". Criaturas, não rivais. Aquilo que te parece grande demais para ser domado já foi feito pelas mãos dele. E ele viu que era bom.
Obrigado, Senhor, porque pensaste até na erva verde como mantimento para os animais do campo e as aves do céu. Se cuidas assim de cada criatura que respira, descanso sabendo que também não me esqueces. Tua provisão é fiel e alcança todos.
E sejam eles para luzeiros no firmamento do céu, para alumiar a terra. E assim se fez." Repare: o sol e as estrelas não brilham para si mesmos. Estão lá no alto, imensos, e a função deles é iluminar o chão onde você pisa. Talvez o que Deus colocou em você também não seja para exibir, mas para clarear o caminho de alguém.
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