Explicação bíblica

Apocalipse 21

Bíblia
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O Texto

João vê um céu novo e uma terra nova, e a cidade santa descendo de Deus como uma noiva vestida para o marido. Uma voz anuncia o impensável: Deus vem morar com os homens, enxuga pessoalmente as lágrimas dos seus olhos, e declara que morte, pranto, clamor e dor pertencem às "primeiras coisas" que passaram. Depois o anjo leva João a um monte alto e mostra a cidade em detalhe: muralhas de jaspe, doze portas de pérola com os nomes das tribos, doze fundamentos com os nomes dos apóstolos, medidas perfeitamente cúbicas, e nenhum templo dentro, porque o templo é Deus mesmo com o Cordeiro.

O Núcleo

Repare no que Deus não faz: ele não tira o seu povo da terra para levá-lo ao céu. A cidade desce. O movimento é de cima para baixo, de Deus para nós, e isso diz algo decisivo sobre quem ele é. "Eis aqui o tabernaculo de Deus com os homens, e com elles habitará." O fim da história bíblica não é fuga, é habitação. E Deus não conserta o mundo velho com remendos: "Eis que faço novas todas as coisas." Novas, não outras. O mesmo mundo, purificado do que o corroía. Aqui a salvação não é apenas perdão de culpa; é a reversão física, social e cósmica de tudo o que nos desgastou.

O Fio Condutor

Do Éden em diante, a Bíblia conta a história de uma proximidade rompida. Deus caminha com o homem, o homem se esconde, e depois vêm as soluções provisórias: uma tenda no deserto, um templo com cortinas e graus de acesso, sacerdotes que entram no lugar do povo. Tudo isso era arquitetura da distância administrada. Em Cristo, Deus armou tenda entre nós em carne; aqui, essa tenda se torna definitiva e pública. E não por acaso o Cordeiro aparece cinco vezes neste capítulo. A cidade tem fundamentos com os nomes dos apóstolos porque foi construída sobre um testemunho histórico: alguém morreu e ressuscitou. Sem esse Cordeiro, a cidade seria apenas utopia bem descrita.

O Espelho

A lista do verso 8 começa de um modo que nos incomoda: "quanto aos timidos, e aos incredulos". Os tímidos primeiro. Não os assassinos, não os feiticeiros. Os covardes. Os que sabiam o que era verdade e calaram, porque falar custava o emprego, a reputação na família, a paz na mesa de domingo. Se você já engoliu uma palavra que devia ter dito, esse versículo o encara. E logo antes vem a promessa: "A quem quer que tiver sêde, de graça lhe darei da fonte da agua da vida." De graça. A cidade não se conquista com coragem própria; recebe-se com sede admitida. Essa é a única bravura pedida aqui: parar de fingir que você não precisa de nada.

Depois há o gesto do verso 4. Deus limpando lágrimas dos seus olhos exige uma proximidade que quase nos assusta: alguém suficientemente perto para tocar o seu rosto. Muitos de nós preferimos um Deus a uma distância respeitosa, que resolva problemas sem se aproximar tanto. Mas quem chora aqui não é a humanidade em abstrato; é você, com aquela perda que ninguém mais menciona, aquele diagnóstico, aquele nome que ainda dói pronunciar.

Hoje, faça isto: escreva num papel a lágrima específica que você espera que Deus enxugue, com nome e data, e guarde o papel na carteira ou dentro da Bíblia.

O Perfil

Os primeiros leitores viviam em cidades da Ásia Menor onde Roma era a única cidade que importava. Roma tinha muralhas, deuses, templos magníficos, comércio marítimo e reis que lhe trariam glória e honra. Éfeso e Pérgamo conheciam bem os cortejos imperiais. Para cristãos que perdiam negócios por não participar dos cultos cívicos, este capítulo era polêmica, não apenas consolo: existe outra cidade, e ela é maior, e as nações trarão a sua glória para lá, não para o Palatino. E "já não havia mar" não era desprezo pelo oceano; era o fim do abismo, da tempestade, da rota por onde chegavam as legiões e para onde iam os exilados como João.

O Detalhe

"A cidade estava situada em quadrado… o seu comprimento, largura e altura eram eguaes." Um cubo. No templo de Jerusalém havia um único espaço cúbico: o Santo dos Santos, onde o sumo sacerdote entrava uma vez por ano, tremendo. Agora a cidade inteira tem essa forma. O lugar mais inacessível do mundo antigo tornou-se o endereço de todos. E as portas, doze, para os quatro pontos cardeais, nunca se fecham. Uma cidade antiga fechava as portas ao anoitecer, por medo. Estas ficam abertas porque "ali não haverá noite". Não é uma cidade sem defesa; é uma cidade sem ameaça.

As Ressonâncias

Em Gênesis, o homem é expulso do jardim e a entrada fica guardada; aqui os anjos estão nas portas, mas as portas estão abertas. A guarda mudou de função. E Isaías já havia dito que o Senhor engoliria a morte para sempre e enxugaria as lágrimas de todos os rostos; João não inventa, ele vê cumprido o que um profeta prometeu a um povo sitiado séculos antes. As duas pontas da Escritura se tocam: o que se perdeu no princípio volta ampliado no fim, não como jardim privado, mas como cidade habitada.

Reflexão

Onde, concretamente, o medo já decidiu o meu silêncio nesta semana, e o que a promessa da água dada de graça muda nisso?

Se a cidade desce em vez de me arrebatar, o que isso significa para o modo como cuido deste mundo, deste corpo e destes vizinhos hoje?

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Perguntas frequentes sobre Revelation 21

Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.

O que significa Apocalipse 21?
João vê um céu novo e uma terra nova, e a cidade santa descendo de Deus como uma noiva vestida para o marido. Uma voz anuncia o impensável: Deus vem morar com os homens, enxuga pessoalmente as lágrimas dos seus olhos, e declara que morte, pranto, clamor e dor pertencem às "primeiras coisas" que passaram.
Sobre o que fala Apocalipse 21?
Do Éden em diante, a Bíblia conta a história de uma proximidade rompida. Deus caminha com o homem, o homem se esconde, e depois vêm as soluções provisórias: uma tenda no deserto, um templo com cortinas e graus de acesso, sacerdotes que entram no lugar do povo. Tudo isso era arquitetura da distância administrada.
Qual é o contexto histórico de Apocalipse 21?
Depois há o gesto do verso 4. Deus limpando lágrimas dos seus olhos exige uma proximidade que quase nos assusta: alguém suficientemente perto para tocar o seu rosto. Muitos de nós preferimos um Deus a uma distância respeitosa, que resolva problemas sem se aproximar tanto.
O que Apocalipse 21 nos ensina sobre o caráter de Deus?
Os primeiros leitores viviam em cidades da Ásia Menor onde Roma era a única cidade que importava. Roma tinha muralhas, deuses, templos magníficos, comércio marítimo e reis que lhe trariam glória e honra. Éfeso e Pérgamo conheciam bem os cortejos imperiais.
Como Apocalipse 21 continua relevante hoje?
Em Gênesis, o homem é expulso do jardim e a entrada fica guardada; aqui os anjos estão nas portas, mas as portas estão abertas. A guarda mudou de função. E Isaías já havia dito que o Senhor engoliria a morte para sempre e enxugaria as lágrimas de todos os rostos; João não inventa, ele vê cumprido o que um profeta prometeu a um povo sitiado séculos antes.

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