Explicação bíblica

Marcos 8

Bíblia
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O Texto

Quatro mil pessoas há três dias num lugar deserto, e a fome começa a pesar nos corpos. Jesus olha para elas e diz aos discípulos: "Tenho compaixão da multidão". Sete pães, alguns peixinhos, e todos se saciam; sobram sete alcofas. Depois vêm os fariseus pedindo um sinal do céu, e Jesus suspira profundamente e vai embora. No barco, os discípulos discutem porque esqueceram o pão, e ele os confronta: "Tendo olhos, não vêdes?". Em Betsaida, um cego é curado em duas etapas, primeiro vendo homens "como arvores que andam", depois distintamente. No caminho para Cesareia de Filipe, Pedro confessa: "Tu és o Christo", e logo em seguida repreende Jesus por falar da cruz, e ouve a resposta mais dura do evangelho.

O Núcleo

Este capítulo trata de uma coisa só: ver. E Marcos monta tudo para que o leitor perceba que ver Jesus acontece devagar, por camadas, como naquele cego de Betsaida que primeiro enxerga vultos e só depois rostos. Pedro acerta a palavra, "Christo", e erra completamente o conteúdo. Ele quer um Messias que ganhe, não um que seja rejeitado pelos anciãos e morto. Por isso a frase mais chocante não é dirigida aos fariseus, mas ao discípulo: "Retira-te de diante de mim, Satanaz". O núcleo teológico é esse: Deus se revela de um modo que fere nossa expectativa. Um Deus que alimenta no deserto e depois se deixa matar não cabe na nossa definição de poder. Reconhecer Jesus é aceitar que ele é diferente do que queríamos.

O Fio Condutor

Multidão com fome num deserto, pão que aparece onde não havia: a cena vem carregada de memória. Israel saiu do Egito e passou fome no deserto, e Deus deu maná de manhã, pão suficiente para o dia (Êxodo 16). Marcos quer que o leitor sinta esse eco, porque quem alimenta no deserto não é um profeta a mais; é quem faz o que o Senhor fez. Mas o fio não para aí. Quando Jesus se chama "Filho do homem", ele pega a figura de Daniel 7, aquele a quem é dado domínio eterno diante do Ancião de Dias, e faz uma coisa impensável: coloca esse personagem glorioso na mesa da rejeição e da morte. O trono é a cruz. Todo o Antigo Testamento se encaminhava para um rei, e o rei chega carregando o próprio patíbulo.

O Espelho

Você provavelmente já disse, de coração, que Jesus é o Cristo. A pergunta mais incômoda deste capítulo é outra: qual Cristo? Aquele que você espera que resolva o diagnóstico médico, que conserte o casamento do seu filho, que faça o dinheiro durar até o fim do mês, que silencie o colega que te humilha na reunião. Pedro não negou Jesus; ele o puxou de lado para corrigi-lo, com a melhor das intenções, porque amava demais a sua própria versão do Messias. Nós fazemos o mesmo quando oramos sem jamais admitir que o caminho de Deus pode passar pela perda, pela reputação arranhada, pelo pedido não atendido. "Qualquer que quizer salvar a sua vida perdel-a-ha." Hoje, pegue um papel e complete esta frase à mão: "Jesus, eu ainda te vejo como árvores que andam em…" e escreva a área concreta onde sua visão dele está embaçada. Depois guarde o papel onde você vai reencontrá-lo.

O Detalhe

"E, suspirando profundamente em seu espirito." O verbo grego, anastenazō, descreve um gemido que sobe de dentro, não um suspiro de impaciência educada. Os fariseus pediram um sinal do céu depois que sete pães alimentaram quatro mil pessoas no chão de um deserto. O sinal estava ali, no pão partido nas mãos deles, e eles pediram outro, melhor, mais espetacular, de preferência vindo de cima. Jesus não discute. Ele geme. Há algo profundamente humano e profundamente divino nesse som: o cansaço de quem se ofereceu inteiro e ouve "prove". E depois, simplesmente, "deixando-os, tornou a entrar no barco". Deus não se dobra à exigência de provas. Ele se oferece, e quem exige mais do que o oferecido fica com as mãos vazias.

O Personagem Principal

Jesus, neste capítulo, é um homem de emoções visíveis e nenhuma delas é controlada para efeito. Ele sente o estômago dos outros antes que eles reclamem: "ha já tres dias que estão comigo". Ele geme diante da incredulidade. Ele se irrita com os discípulos de um jeito quase agressivo, enfileirando perguntas sem esperar resposta: não consideram, não compreendem, têm o coração endurecido? Ele toca um cego com saliva, gesto sujo e íntimo, e o leva para fora da aldeia pela mão, como se quisesse ficar a sós com ele. E quando Pedro o puxa de lado, ele faz questão de virar-se e olhar para os discípulos antes de falar, porque a correção é pública e para todos. É o retrato de alguém que sabe exatamente para onde vai e que não vai sozinho.

Contexto

A geografia aqui é teológica. Os quatro mil são alimentados em território provavelmente gentio, do lado oriental do lago, e sobram sete alcofas, o número das nações; na multiplicação anterior, entre judeus, sobraram doze cestos, o número das tribos. O mesmo pão para os dois povos. Depois Jesus caminha até Cesareia de Filipe, cidade construída por Herodes Filipe aos pés de uma gruta dedicada ao deus Pã, com um templo erguido em honra de César. Foi exatamente ali, cercado por pedras que proclamavam o poder de Roma e dos deuses, que ele perguntou: "vós quem dizeis que eu sou?". Chamar alguém de Cristo naquele lugar era um ato político perigoso. E o "fermento de Herodes" não era metáfora abstrata: era o poder real que já tinha matado João Batista.

Reflexão

Em que área da minha vida eu ainda estou puxando Jesus de lado para corrigir o caminho que ele escolheu?

Se eu fosse honesto, que sinal eu continuo pedindo, mesmo depois de tudo o que Deus já colocou diante de mim?

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Perguntas frequentes sobre Mark 8

Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.

O que significa Marcos 8?
Quatro mil pessoas há três dias num lugar deserto, e a fome começa a pesar nos corpos. Jesus olha para elas e diz aos discípulos: "Tenho compaixão da multidão". Sete pães, alguns peixinhos, e todos se saciam; sobram sete alcofas. Depois vêm os fariseus pedindo um sinal do céu, e Jesus suspira profundamente e vai embora.
Sobre o que fala Marcos 8?
Multidão com fome num deserto, pão que aparece onde não havia: a cena vem carregada de memória. Israel saiu do Egito e passou fome no deserto, e Deus deu maná de manhã, pão suficiente para o dia (Êxodo 16). Marcos quer que o leitor sinta esse eco, porque quem alimenta no deserto não é um profeta a mais; é quem faz o que o Senhor fez.
Qual é o contexto histórico de Marcos 8?
"E, suspirando profundamente em seu espirito." O verbo grego, anastenazō, descreve um gemido que sobe de dentro, não um suspiro de impaciência educada. Os fariseus pediram um sinal do céu depois que sete pães alimentaram quatro mil pessoas no chão de um deserto. O sinal estava ali, no pão partido nas mãos deles, e eles pediram outro, melhor, mais espetacular, de preferência vindo de cima.
O que Marcos 8 nos ensina sobre o caráter de Deus?
A geografia aqui é teológica. Os quatro mil são alimentados em território provavelmente gentio, do lado oriental do lago, e sobram sete alcofas, o número das nações; na multiplicação anterior, entre judeus, sobraram doze cestos, o número das tribos. O mesmo pão para os dois povos.
Como Marcos 8 continua relevante hoje?
Se eu fosse honesto, que sinal eu continuo pedindo, mesmo depois de tudo o que Deus já colocou diante de mim?
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Reflexões, orações e ações de graças de leitores e da equipe editorial sobre esta passagem.

Reflexão Editorial em versículo 5

Quantos pães tendes?" Jesus não pergunta o que falta, pergunta o que já está na tua mão. Sete pães diante de quatro mil pessoas parece piada, e mesmo assim Ele quis saber o número. O pouco contado em voz alta deixa de ser vergonha e vira começo. O que você ainda esconde por achar insuficiente?

Agradecimento Editorial em versículo 3

Obrigado, Senhor Jesus, porque olhas para a multidão e percebes que ela desfalecerá no caminho. Tu te importas com a fome do meu corpo e com a distância que ainda tenho para andar. Não me despedes vazio: me sustentas antes de me enviar de volta para casa.

Reflexão Editorial em versículo 9

Eram cerca de quatro mil homens. E Jesus os despediu." Ele não os deixaria partir com fome, disse isso antes. Agora, alimentados, podem ir. Ninguém anotou nomes, ninguém agradeceu por escrito. Quatro mil pessoas voltaram para casa saciadas por um cuidado que talvez nem entenderam. Você já foi sustentado assim, sem saber?

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