Mateus 22
O Texto
Jesus conta a parábola de um rei que prepara o banquete de casamento do filho; os convidados recusam, uns por indiferença, outros com violência, e o rei acaba por encher a sala com quem estava nas ruas, "tanto maus como bons". Segue-se um dia inteiro de interrogatórios: os fariseus e herodianos com a pergunta do tributo, os saduceus com a mulher dos sete maridos, um doutor da lei com o maior mandamento. Jesus responde a todos e no fim faz ele a pergunta, sobre o Filho de Davi, e ninguém consegue responder.
O Cerne
Repare em quem recusa o convite. Não são bandidos: "um para o seu campo, outro para o seu trafico". Um vai tratar da terra, o outro do negócio. Coisas legítimas, coisas boas até. A recusa do reino, neste texto, não tem a cara de rebeldia militante; tem a cara de uma agenda cheia. O verbo que Mateus usa é "não fazendo caso", literalmente não dar importância. É isso que condena. Deus não é rejeitado sobretudo por ateus furiosos, mas por pessoas ocupadas que adiam. E depois vem o homem sem traje de núpcias, que entrou mas não se deixou vestir: aceitar o convite sem aceitar a transformação também não conta. Graça gratuita, sim; graça barata, não.
O Fio Condutor
O banquete de casamento atravessa a Escritura inteira: Deus como noivo de um povo que o trai, e a promessa de uma mesa farta no fim dos tempos. Aqui o noivo é o Filho, e o rei é o Pai. Os servos enviados e maltratados são os profetas, e depois os apóstolos. Mas o detalhe decisivo é que o banquete acontece de qualquer maneira. A festa não depende da resposta dos convidados originais; o rei enche a sala com quem estava nas encruzilhadas. É assim que a história da salvação avança: não pela dignidade de quem é chamado, mas pela teimosia de um Deus que quer a mesa cheia. E no fim do capítulo Jesus mostra por que este Filho é maior do que Davi.
O Espelho
"Dae pois a Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é de Deus." Costumamos ler isto como uma divisão de territórios: impostos ali, oração aqui. Mas a moeda tinha a efígie de César, por isso voltava a César. E você, em quem tem a imagem? Se tudo o que traz a marca de Deus pertence a Deus, então não sobra nenhuma zona neutra: o seu corpo cansado, o seu salário, as suas noites, a sua relação com o colega que você evita no corredor. César fica com o que é dele, que é pouco. Deus fica com você inteiro.
E o amor ao próximo não é acrescentado como apêndice simpático ao amor a Deus; Jesus diz que é "similhante a este". A mesma medida, o mesmo peso. Não se pode dar o coração todo a Deus e a sobra ao próximo.
Hoje: escolha uma pessoa a quem você respondeu esta semana com um "agora não tenho tempo", escrito ou pensado. Mande-lhe uma mensagem agora marcando um momento concreto, com dia e hora. Não peça desculpa de forma vaga; marque.
A Figura Central
O rei da parábola é desconcertante. É generoso ao ponto de recolher "tanto maus como bons" das ruas, e é implacável quando se encoleriza e queima a cidade. Somos tentados a escolher uma das faces e esquecer a outra. Mas repare na palavra que ele dirige ao homem sem traje: "Amigo". Não "traidor", não "intruso". Amigo. Há dor nesta cena, não apenas juízo. E depois "elle emmudeceu": nenhuma desculpa, porque não havia nenhuma. O Deus que Jesus retrata não é um anfitrião indiferente que aceita tudo, nem um juiz que espera errarmos. É alguém que insiste, envia, reenvia, e que leva a sério tanto o convite como a recusa. Um Deus a quem é possível magoar.
O Intertexto
Quando os saduceus tentam ridicularizar a ressurreição, Jesus não cita um profeta tardio, cita Êxodo: "Eu sou o Deus d'Abrahão, o Deus d'Isaac, e o Deus de Jacob". O argumento é de uma delicadeza enorme. Deus fala no presente sobre homens há muito enterrados. A aliança não caduca com a morte, porque "Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos". Isto tem consequência ética imediata: se as pessoas que você ama e perdeu continuam vivas para Deus, a sua esperança não é sentimento, é fidelidade divina. E o Salmo 110, que Jesus cita no fim, coloca o Messias à direita de Deus, não apenas como herdeiro de Davi, mas como seu Senhor.
O Perfil
Mateus escreve para cristãos de origem judaica, muitos deles a viver o trauma de uma ruptura com a sinagoga e, provavelmente, a memória fresca da destruição de Jerusalém em 70. Para eles a cidade incendiada na parábola não era metáfora distante; era notícia. E a sala cheia de gente recolhida nas ruas, "tanto maus como bons", era a sua própria comunidade misturada, judeus e gentios, gente com passados duvidosos. O aviso sobre o traje de núpcias soava-lhes muito pessoal: estar dentro da igreja não é o mesmo que estar vestido. Eles ouviam consolo e advertência na mesma frase, e nós devíamos ouvir as duas também.
Reflexão
Que "campo" ou que "trafico" seu tem tido, na prática, prioridade sobre o convite de Deus, não em teoria, mas no horário desta semana?
Se tudo o que traz a imagem de Deus lhe pertence, que parte da sua vida você tem tratado como se trouxesse a efígie de César?
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Perguntas frequentes sobre Matthew 22
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Obrigado, Senhor, por me ensinares que amar o próximo como a mim mesmo é semelhante a amar-te. Agradeço pelo vizinho que me socorreu, pelo colega que me ouviu, pelas mãos que me serviram quando eu não pedi nada.
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