Explicação bíblica

Mateus 4:23

Bíblia

O Texto

Um homem atravessa a Galileia inteira, aldeia por aldeia, sem casa fixa e sem agenda protegida. Entra nas sinagogas e ensina; nas praças e nos caminhos, anuncia que o reino de Deus chegou; e onde encontra corpos quebrados, ele os cura. Mateus resume tudo numa frase de fôlego largo: "E percorria Jesus toda a Galilea, ensinando nas suas synagogas e prégando o Evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e molestias entre o povo." Três verbos, um movimento só. Depois do deserto, depois do chamado dos quatro pescadores junto ao mar, começa o trabalho de rua: palavra e cura andando juntas pelas estradas de poeira do norte, longe do templo, longe do poder, no meio de gente comum.

O Cerne

Repare que Mateus não separa o que nós separamos. Ensinar, pregar e curar não são três departamentos do ministério de Jesus; são o mesmo gesto visto de três ângulos. O reino que ele anuncia não é uma ideia religiosa acrescentada à vida, mas a chegada do governo de Deus a um mundo ocupado por outra coisa: doença, demônio, morte, medo. Por isso a cura não é propaganda para atrair ouvintes ao sermão. A cura é o sermão acontecendo na carne de alguém. E note o alcance da frase: "todas as enfermidades e molestias entre o povo". Mateus não escreve "muitas". Onde o rei passa, nada fica intocado por princípio. O evangelho do reino não promete fuga do corpo; promete que Deus veio buscar de volta o que é dele, inclusive a carne que dói.

O Fio Condutor

Sete versículos antes, Mateus já tinha citado Isaías: "O povo, assentado em trevas, viu uma grande luz". A luz não é uma metáfora vaga; ela tem pernas e percorre a Galileia. Aquela região do norte, terra de Zebulom e Naftali, foi a primeira a cair diante dos exércitos assírios séculos antes, a primeira a ser humilhada, e é a primeira a ser visitada. Deus tem o hábito estranho de começar pela margem. O que se cumpre aqui não é apenas uma profecia isolada, mas a longa promessa de que o Senhor mesmo viria pastorear seu povo em vez de deixá-lo aos cuidados de reis que só sabem tosquiar. Jesus caminhando de aldeia em aldeia é essa promessa em movimento: Deus não manda um recado, ele vem.

O Espelho

Existe uma forma sofisticada de descrença que consiste em aceitar Jesus como mestre e desconfiar dele como médico. Ficamos à vontade com o ensino nas sinagogas e constrangidos diante do corpo: o exame que não saiu bom, o filho que não dorme, o remédio que já não faz efeito, o joelho que dói toda manhã e nos lembra que somos poeira. Aprendemos a rezar por paciência e desaprendemos a rezar por cura, talvez porque paciência não exige que Deus faça nada visível. Mas o Jesus deste versículo não fez essa divisão. Ele ensinou e tocou, falou e curou, tratou o corpo como território do reino e não como bagagem descartável da alma. Hoje, escreva num papel a dor física concreta que você já desistiu de mencionar diante de Deus, sua ou de alguém que você ama, e diga em voz alta o nome dela numa oração de trinta segundos.

A Pergunta

E quando ele não cura? Mateus escreve "todas as enfermidades", e nós conhecemos os velórios. Essa distância entre o versículo e a vida não se resolve com truques. Duas coisas, porém, precisam ser ditas com honestidade. Primeiro: aquelas curas na Galileia foram sinais, não soluções permanentes. Cada pessoa curada por Jesus naquele ano acabou morrendo depois. As curas eram amostras do que virá, não o produto acabado. Segundo: o próprio Jesus, que curou todos, terminou num corpo quebrado numa cruz, sem que ninguém o curasse. Isso não explica seu sofrimento, mas muda a companhia dele. O reino chegou e ainda não chegou por inteiro, e viver nessa fresta é a coisa mais difícil que a fé pede de nós.

O Personagem Principal

Imagine o cansaço. Estradas de terra, um povoado atrás do outro, sinagogas cheias de gente que quer discutir e gente que quer tocar. Mateus escreve "percorria toda a Galileia" como se fosse simples, mas ali há meses de pés doloridos e noites curtas. O que impressiona é a ausência de estratégia. Jesus não vai a Jerusalém primeiro, não busca patrocínio, não escolhe as sinagogas influentes. Ele vai onde o povo está, e o povo está no interior. Há nele uma espécie de urgência sem pressa: tempo para o paralítico, tempo para o ensino longo, tempo para todos. E há autoridade sem violência. Ele não obriga ninguém, não pune ninguém; ele ensina, anuncia e cura, e essa é toda a sua política.

O Perfil

Mateus escreve para judeus que conheciam as Escrituras de cor e que carregavam uma pergunta antiga: por que Deus está tão calado? Quatrocentos anos sem profeta, um rei estrangeiro no trono, e agora, quando Mateus escreve, provavelmente o templo em ruínas ou às vésperas disso. Para esses leitores, "o Evangelho do reino" não era linguagem devocional; era anúncio político. Reino significa governo, e governo significa que César e Herodes têm um problema. Eles ouviam nesta frase aquilo que nós facilmente perdemos: que Deus voltou a falar, e que voltou a falar na Galileia rural, entre pescadores e doentes, não no centro religioso. Para quem se sentia esquecido por Deus e desprezado por Jerusalém, essa notícia era quase boa demais.

Reflexão

Em que parte da sua vida você separou o Jesus que ensina do Jesus que cura, e por que essa separação lhe parece mais segura?

Se o reino chega primeiro às margens, quem são as pessoas da margem no seu bairro, e o que significaria que Jesus fosse até elas antes de ir até você?

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Perguntas frequentes sobre Matthew 4:23

Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.

O que significa Mateus 4:23?
Um homem atravessa a Galileia inteira, aldeia por aldeia, sem casa fixa e sem agenda protegida. Entra nas sinagogas e ensina; nas praças e nos caminhos, anuncia que o reino de Deus chegou; e onde encontra corpos quebrados, ele os cura.
Sobre o que fala Mateus 4:23?
Sete versículos antes, Mateus já tinha citado Isaías: "O povo, assentado em trevas, viu uma grande luz". A luz não é uma metáfora vaga; ela tem pernas e percorre a Galileia. Aquela região do norte, terra de Zebulom e Naftali, foi a primeira a cair diante dos exércitos assírios séculos antes, a primeira a ser humilhada, e é a primeira a ser visitada.
Qual é o contexto histórico de Mateus 4:23?
E quando ele não cura? Mateus escreve "todas as enfermidades", e nós conhecemos os velórios. Essa distância entre o versículo e a vida não se resolve com truques. Duas coisas, porém, precisam ser ditas com honestidade. Primeiro: aquelas curas na Galileia foram sinais, não soluções permanentes.
O que Mateus 4:23 nos ensina sobre o caráter de Deus?
Mateus escreve para judeus que conheciam as Escrituras de cor e que carregavam uma pergunta antiga: por que Deus está tão calado? Quatrocentos anos sem profeta, um rei estrangeiro no trono, e agora, quando Mateus escreve, provavelmente o templo em ruínas ou às vésperas disso. Para esses leitores, "o Evangelho do reino" não era linguagem devocional; era anúncio político.
Como Mateus 4:23 continua relevante hoje?
Se o reino chega primeiro às margens, quem são as pessoas da margem no seu bairro, e o que significaria que Jesus fosse até elas antes de ir até você?
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O que a comunidade compartilha sobre Matthew 4

Reflexões, orações e ações de graças de leitores e da equipe editorial sobre esta passagem.

Reflexão Editorial em versículo 23

Percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo."

Ele não escolheu as cidades mais promissoras. Andou por aldeias sem nome, onde ninguém importante moraria. E não separou o que valia a pena curar: toda sorte. Nada do que você carrega hoje está fora dessa lista.

Reflexão Editorial em versículo 24

A fama de Jesus correu pela Síria, e trouxeram até Ele "todos os que padeciam, acometidos de várias enfermidades e tormentos". Repare: não filtraram os casos. Vieram os endemoninhados, os lunáticos, os paralíticos. E Ele curou a todos.

Ninguém foi devolvido por ser complicado demais. Que tipo de dor você acha que Ele não aguentaria ouvir hoje?

Agradecimento Editorial em versículo 7

Obrigado, Senhor, porque em Tua Palavra encontramos firmeza para não Te pôr à prova. Sou grato por Jesus, que resistiu ao tentador dizendo "não tentarás o Senhor teu Deus", e nos ensinou a confiar em Ti sem exigir sinais.

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