Isaías 41:10
O Texto
No meio de um tribunal cósmico, onde as ilhas tremem e as nações correm para pregar seus ídolos no chão para que não caiam, Deus se volta para um povo pequeno e derrotado e diz: não tenhas medo. A razão não está em nada que Israel possa fazer, mas em três afirmações sobre quem Deus é e o que ele faz: estou contigo, sou teu Deus, e te fortaleço, te ajudo, te sustento com a destra da minha justiça. É promessa, não conselho.
O Cerne
Repare que o versículo não manda Israel ser corajoso. Manda-o não temer, o que é diferente, porque a coragem se produz e a ausência de medo aqui é consequência de outra coisa. Toda a força da frase repousa nos dois "porque": não temas, porque eu estou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus. A ordem depende inteiramente da presença. E depois vêm três verbos em cadeia, como se Deus não confiasse que um só bastasse: fortalecer, ajudar, sustentar. O primeiro dá capacidade, o segundo dá companhia na ação, o terceiro dá algo mais humilde e mais precioso: segura quem já não consegue ficar de pé. A graça aqui não é uma ideia. É um verbo que se repete porque o medo também se repete.
O Fio Condutor
O contexto imediato é o exílio, e a promessa é histórica: Deus vai trazer o povo de volta. Mas repare em quem Deus se dirige nos versículos anteriores: "tu, ó Israel, servo meu". Esse servo, ao longo de Isaías, vai deixando de ser apenas o povo e vai tomando o rosto de alguém, um que carrega o que o povo não conseguiu carregar. Quando Jesus diz aos discípulos que estará com eles todos os dias até à consumação dos séculos, não está inventando uma frase nova; está assinando embaixo desta. A diferença é que agora o "eu estou contigo" tem corpo, voz e cicatrizes. O sustento com a destra da justiça de Deus culmina numa mão pregada, o que muda tudo sobre como entendemos essa mão.
O Espelho
Há um medo que grita e há um medo que apenas mora com você, silencioso, no fundo do peito, na segunda-feira de manhã, quando você abre o e-mail do trabalho ou olha o resultado do exame ou pensa naquele filho que já não conversa. Note que o texto não promete que a ameaça desaparecerá. Promete presença dentro dela. Isso é menos do que gostaríamos e mais do que imaginamos precisar. E há uma pergunta desconfortável escondida aqui: quantas vezes você preferiu uma solução a uma companhia? Preferiu que Deus resolvesse, em vez de estar. O texto responde ao seu medo com uma pessoa, e você terá de decidir se isso lhe basta.
A Pergunta
Mas e quando não fomos sustentados? A história do próprio Israel é cheia de gente que ouviu isto e mesmo assim morreu no exílio, sem ver o retorno. A promessa não impede a perda; impede o abandono, o que não é a mesma coisa. Talvez o mais honesto seja admitir que "te sustento" e "te livro das circunstâncias" não são sinônimos, e que a Bíblia nunca os confundiu, embora nós os confundamos o tempo todo. Fica um espaço aberto aqui que nenhuma explicação fecha. Deus não diz o que fará com a tempestade. Diz o que fará com você dentro dela. Se isso o incomoda, o incômodo é legítimo, e o texto não corre para consolá-lo depressa demais.
O Detalhe
"A destra da minha justiça." Estranho, à primeira vista. Esperaríamos a destra do poder, ou da misericórdia. Mas a palavra hebraica tsedeq, justiça, não significa aqui um tribunal frio; significa a fidelidade de Deus em colocar as coisas de volta no lugar certo, em cumprir o que prometeu. É justiça como lealdade, não como sentença. Ou seja: Deus não sustenta você por sentimentalismo, por um impulso de compaixão que pode passar. Sustenta porque prometeu, e porque quebrar essa promessa seria uma injustiça da parte dele. Isso é infinitamente mais sólido do que ser amado por simpatia. Você está seguro na mão de alguém que não pode se contradizer.
O Perfil
Imagine ouvir isto em Babilônia. Você viu o templo queimar. Os deuses da potência vencedora desfilam pelas ruas em procissões douradas, e o versículo 7 zomba deles com uma imagem devastadora: o artífice anima o ourives, e pregam o ídolo com pregos "para que não venha a mover-se". O deus que precisa ser segurado para não cair. E então vem a voz que diz o contrário exato: eu te sustento. Para quem ouvia, o contraste era humilhante e libertador ao mesmo tempo. Vocês são o "povosinho", o verme Jacó do versículo 14, e ainda assim vocês são os únicos ali que não precisam segurar seu próprio Deus.
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Onde, nesta semana, você tem tentado produzir coragem em vez de receber presença?
O que muda se Deus o sustenta por fidelidade à sua promessa, e não por simpatia pelo seu estado de espírito?
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Perguntas frequentes sobre Isaiah 41:10
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