Mateus 11:7
O Texto
Os dois discípulos de João acabam de partir, levando de volta ao cárcere a resposta de Jesus: os cegos veem, os coxos andam, o evangelho é anunciado aos pobres. Mal eles somem de vista, Jesus se vira para a multidão que assistia a tudo e faz uma pergunta que soa quase provocadora: "Que fostes vêr no deserto? uma canna agitada pelo vento?" Não é uma pergunta sobre João, ainda que seja "a respeito de João". É uma pergunta sobre eles, sobre o que os levou a caminhar horas pela estrada empoeirada até o Jordão. Jesus quer saber o que aquela gente foi procurar, e se ainda sabe o que encontrou.
O Cerne
Repare no momento escolhido. João acabara de mandar perguntar se Jesus era mesmo "aquelle que havia de vir", uma pergunta que qualquer um de nós leria como recuo, como fé rachando na cela. E é exatamente aí, com a dúvida do profeta ainda no ar, que Jesus começa a elogiá-lo diante do povo. Não corrige João publicamente, não o expõe, não usa a hesitação dele como advertência aos outros. A cana agitada pelo vento é justamente a imagem que os ouvintes poderiam agora aplicar a João, e Jesus a coloca sobre a mesa apenas para descartá-la. Aqui está o coração do evangelho em miniatura: o juízo de Cristo sobre os seus não é medido pelo pior momento deles. A firmeza que João perdeu na prisão, Cristo devolve a ele em público.
O Fio Condutor
A cana agitada pelo vento não é uma imagem qualquer. Quem morava na Galileia conhecia as canas do vale do Jordão, altas, ocas, curvando-se para onde o vento mandasse. E conhecia também outra coisa: Herodes Antipas, o mesmo que prendera João, cunhava moedas com uma cana estampada. Jesus pergunta ao povo se foi ao deserto ver um homem oscilante como o rei que agora mantém João acorrentado. A resposta é não. E aí está o fio: a história da salvação nunca avançou por meio dos que se dobram ao vento do poder. Avançou por meio de profetas teimosos, e enfim por meio de um Filho que não se curvou nem diante da cruz. João aponta para Cristo não só com palavras, mas com a espinha dorsal.
O Espelho
Existe uma pergunta que Jesus faz aqui e que atravessa vinte séculos sem perder o fio: o que você foi ver? Você começou a seguir a Cristo procurando o quê? Alívio para uma ansiedade, respeitabilidade diante da família, uma comunidade onde caber, alguém que confirmasse o que você já pensava? Nada disso é desprezível, mas nada disso sustenta ninguém quando a vida vira cárcere: o diagnóstico, o casamento que emperrou, o filho que não fala mais com você. João foi ao deserto pregar e terminou preso; a multidão foi ao deserto ver e talvez tenha voltado só com uma boa história. Hoje, tire dez minutos, pegue papel e escreva em uma frase o que você foi procurar quando se aproximou de Jesus pela primeira vez. Depois leia em voz alta e pergunte se ainda é isso.
O Detalhe
"No deserto." Jesus poderia ter dito "no Jordão" ou "junto ao rio". Diz deserto, e a palavra carrega a memória inteira de Israel: o lugar onde o povo foi conduzido, alimentado, provado e formado. Ninguém vai ao deserto por conforto. Não há comércio, não há corte, não há espetáculo. Quem caminha até lá caminha porque algo dentro dele parou de acreditar no que a cidade oferece. Ao lembrar o deserto, Jesus está lembrando à multidão que ela própria fez um movimento de arrependimento, um deslocamento físico e interior. E está insinuando que Deus continua fazendo suas coisas mais importantes fora do centro, longe das casas dos reis, num lugar onde ninguém posa para ninguém.
O Personagem Principal
O personagem em foco é João, mas quem se revela é Jesus. Veja o que ele faz: recebe uma pergunta carregada de dúvida, responde com fatos e uma bem-aventurança discreta, e assim que os mensageiros partem, defende publicamente a reputação do homem que duvidou. Não há mágoa, não há necessidade de se justificar, não há aquele reflexo tão humano de dizer "pois é, até o João já não crê em mim". Jesus é pastor antes de ser juiz. Ele conhece a diferença entre uma fé que oscila sob pressão e um caráter que se vende. João estava vacilante; João não era uma cana. Cristo faz essa distinção com uma precisão que raramente concedemos uns aos outros, e quase nunca a nós mesmos.
Contexto
Estamos na Galileia, por volta do ano 28 ou 29. João está preso na fortaleza de Maqueronte, provavelmente há meses, por ter denunciado o casamento de Herodes Antipas. A multidão diante de Jesus é composta em boa parte de gente que anos antes desceu ao Jordão, ouviu João gritar sobre o machado posto à raiz das árvores, e foi batizada. Agora esse profeta está desaparecido, silenciado, e o movimento parece ter morrido. Num mundo onde a honra pública era moeda social e um preso era um homem descartado, Jesus faz algo politicamente arriscado: elogia em praça aberta o inimigo do rei. E prepara o terreno para dizer, dois versículos adiante, que aquele homem esquecido na cela é mais que profeta.
Reflexão
Quando alguém próximo a você cambaleia na fé, você o trata como cana quebrada ou como João: alguém cuja dúvida não define quem ele é?
O que, hoje, faz você se curvar como cana ao vento: a opinião dos colegas, o medo de perder posição, o desejo de ser considerado razoável?
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Perguntas frequentes sobre Matthew 11:7
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Reflexões, orações e ações de graças de leitores e da equipe editorial sobre esta passagem.
In Matthew 11 Jesus says: come to me, all you who are weary and burdened. Not come once you have recovered, not come when you try harder, but come right now. Grace is not a reward for those who make it, it is a hand for those who don't.
Pai, obrigado por não esconder teu coração dos simples. Quando eu quiser entender tudo antes de confiar, lembra me de que tu te revelas aos pequenos. Ensina me a chegar diante de ti sem respostas prontas, só com o coração aberto.
Obrigado, Senhor, porque enviaste o teu mensageiro diante da face de Cristo para preparar o caminho. Tu não nos deixaste descobrir Jesus sozinhos: mandaste vozes que apontaram para ele, e ainda hoje colocas pessoas em nosso caminho que nos conduzem até ele.
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