Explicação bíblica

Mateus 23:23

Leia
Este versículo é dedicado por Igreja sol da justiça caminho da salvação

O Texto

Jesus continua a série de lamentos e chega ao mais fino dos detalhes: os escribas e fariseus contam as folhinhas de hortelã, os grãozinhos de endro e de cominho para separar a décima parte devida a Deus, e nisso são exatos. Mas deixam de lado o que pesa mais na balança da lei: o juízo, a misericórdia e a fé. E então vem a frase que ninguém espera, a que impede que este texto se torne uma desculpa para a preguiça religiosa: "deveis, porém, fazer estas coisas, e não omittir aquellas." Ou seja, o problema não é o dízimo das ervas. O problema é o que ficou de fora enquanto se contavam as ervas.

O Cerne

Há uma palavra grega escondida aqui que vale a pena carregar pelo resto do dia: baryteros, "o mais pesado". Jesus não fala de coisas importantes e coisas dispensáveis, mas de peso. Existe uma gravidade dentro da lei, um centro que puxa tudo para si, e esse centro é o próprio caráter de Deus: justiça, misericórdia, fidelidade. Quem obedece sem sentir esse peso obedece a uma lei que não é a de Deus, mas a uma versão sua, reduzida ao mensurável. E aí está a inquietação que este versículo deixa aberta: o mensurável é justamente o que nos consola. Podemos contar folhas de hortelã. Não podemos contar misericórdia. Talvez seja por isso que preferimos a hortelã.

O Fio Condutor

Jesus não inventa esta lista. Juízo, misericórdia e fé já estavam nos profetas, que passaram séculos gritando contra um culto impecável e uma cidade injusta. Miqueias resumiu a religião inteira em três verbos: praticar a justiça, amar a misericórdia, andar humildemente com Deus. Quando Jesus nomeia o mais pesado da lei, ele não está corrigindo o Antigo Testamento; está lendo-o em voz alta para quem o decorou sem o ouvir. E há algo mais: dentro de dois dias, esse mesmo Jesus estará suspenso fora dos muros, e ali o juízo e a misericórdia deixarão de ser conceitos e se tornarão um corpo. O peso da lei acaba caindo sobre alguém. É isso que a cruz revela: o mais pesado da lei foi carregado, não dispensado.

O Espelho

Você provavelmente não pesa cominho. Mas conhece a satisfação silenciosa de uma caixa marcada: a leitura bíblica feita antes das sete, o dízimo transferido no dia certo, o culto de domingo com a família toda presente. Nada disso é hipocrisia. Tudo isso pode conviver com uma dívida não paga, um funcionário tratado com frieza, um irmão de quem você fala com precisão cirúrgica e nenhuma compaixão. O perigo não está nas coisas pequenas que fazemos; está no alívio que elas nos dão, na sensação de estarmos em dia com Deus enquanto alguém, em algum lugar, ainda espera de nós aquilo que não cabe em planilha. Pegue sua agenda desta semana e marque com um traço o único compromisso que existe por causa de alguém que não tem como retribuir. Se não houver nenhum, escreva agora um nome no espaço vazio de hoje.

O Personagem Principal

Repare no tom. Não é o sarcasmo de quem venceu uma discussão; é a palavra "ai", que na boca dos profetas era sempre meio maldição, meio lamento. Jesus está enfurecido e ferido ao mesmo tempo, e as duas coisas vêm da mesma raiz. Ele conhece essas pessoas por dentro, sabe da disciplina real, do esforço real, das madrugadas de estudo. E é exatamente por isso que dói: tanto zelo, tão perto do alvo, e ainda assim atravessado. Poucos versículos adiante ele fala de uma galinha querendo juntar os pintos debaixo das asas, e diz "e vós não quizestes". Este é o rosto de Deus que o capítulo mostra: não indiferente, não neutro, mas alguém que grita porque quer recolher.

Contexto

Estamos na terça-feira da última semana, nos pátios do templo, com multidão em volta e discípulos ouvindo. Jesus fala em público sobre líderes públicos, o que já é um ato de coragem calculada. A lei mandava separar o dízimo dos grãos, do vinho e do azeite; as ervas de horta eram um caso discutível, e os fariseus, por escrúpulo, decidiram dizimar também. Isso não era ganância, era devoção levada ao extremo. Eram os sérios, os que queriam santificar cada centímetro do cotidiano. Entender isso muda o peso do texto: Jesus não está atacando os frouxos da religião, mas os mais rigorosos. E se o rigor deles não bastou, é bom perguntar o que o nosso está encobrindo.

A Pergunta

Se justiça, misericórdia e fé são o mais pesado, por que Jesus não manda simplesmente largar o cominho? Ele poderia. Em vez disso diz que essas coisas também devem ser feitas. E aqui o texto se recusa a nos dar o instrumento que mais queríamos: uma medida. Onde termina o cuidado fiel com o pequeno e começa o coar mosquitos enquanto se engole o camelo? Jesus não responde. Talvez porque a resposta não seja uma regra, mas uma pessoa: só quem anda perto dele aprende a sentir o peso das coisas. Isso é desconfortável. Preferíamos um critério. Recebemos uma companhia, e a obrigação de continuar perguntando, sem nunca ter certeza absoluta de que a balança em nossas mãos está calibrada.

Reflexão

Qual das três, juízo, misericórdia ou fé, é a que eu mais facilmente deixo de fora, e que costume pequeno e correto uso para não notar essa falta?

Se alguém que convive comigo diariamente descrevesse minha religião, falaria mais das minhas folhas de hortelã ou do peso que carrego pelos outros?

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Perguntas frequentes sobre Matthew 23:23

Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.

O que significa Mateus 23:23?
Jesus continua a série de lamentos e chega ao mais fino dos detalhes: os escribas e fariseus contam as folhinhas de hortelã, os grãozinhos de endro e de cominho para separar a décima parte devida a Deus, e nisso são exatos. Mas deixam de lado o que pesa mais na balança da lei: o juízo, a misericórdia e a fé.
Sobre o que fala Mateus 23:23?
Jesus não inventa esta lista. Juízo, misericórdia e fé já estavam nos profetas, que passaram séculos gritando contra um culto impecável e uma cidade injusta. Miqueias resumiu a religião inteira em três verbos: praticar a justiça, amar a misericórdia, andar humildemente com Deus.
Qual é o contexto histórico de Mateus 23:23?
Repare no tom. Não é o sarcasmo de quem venceu uma discussão; é a palavra "ai", que na boca dos profetas era sempre meio maldição, meio lamento. Jesus está enfurecido e ferido ao mesmo tempo, e as duas coisas vêm da mesma raiz. Ele conhece essas pessoas por dentro, sabe da disciplina real, do esforço real, das madrugadas de estudo.
O que Mateus 23:23 nos ensina sobre o caráter de Deus?
Se justiça, misericórdia e fé são o mais pesado, por que Jesus não manda simplesmente largar o cominho? Ele poderia. Em vez disso diz que essas coisas também devem ser feitas. E aqui o texto se recusa a nos dar o instrumento que mais queríamos: uma medida. Onde termina o cuidado fiel com o pequeno e começa o coar mosquitos enquanto se engole o camelo?
Como Mateus 23:23 continua relevante hoje?
Se alguém que convive comigo diariamente descrevesse minha religião, falaria mais das minhas folhas de hortelã ou do peso que carrego pelos outros?

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