Explicação bíblica

Mateus 28:10

Bíblia

O Texto

As mulheres estão de volta do túmulo, ainda com o coração dividido entre o medo e a alegria, quando o próprio Jesus lhes sai ao encontro. Elas se agarram aos seus pés. E ele diz apenas isto: "Não temaes; ide, e annunciae a meus irmãos que vão a Galilea, e lá me verão." Uma ordem breve, quase administrativa: acalmem-se, avisem, marquem o encontro. Mas dentro dessa brevidade há uma palavra que muda tudo.

O Coração

Jesus chama de "meus irmãos" os homens que o abandonaram. Na noite da prisão, todos fugiram; Pedro jurou três vezes que nem sequer o conhecia. Se houvesse justiça retributiva pura, a primeira palavra do Ressuscitado seria uma convocação a juízo. Em vez disso, ele reivindica parentesco. Isto é o evangelho antes de qualquer sermão sobre o evangelho: a ressurreição não é apenas a vitória de Jesus sobre a morte, é a incorporação dos culpados na sua vitória. O Filho volta da morte e, ao voltar, alarga a sua própria filiação para dentro de um grupo de fracassados. A graça aqui não é um sentimento; é um estatuto jurídico e familiar concedido a quem não o merece.

O Fio Condutor

A Bíblia começa com uma fraternidade destruída: Caim mata Abel, e desde então "irmão" é uma palavra ferida. Depois vem José, vendido pelos irmãos, que se revela a eles no Egito não para os destruir mas para os salvar da fome; e o padrão fica desenhado, o traído torna-se o salvador dos traidores. Aqui esse padrão chega ao fim da linha. O Filho eterno, entregue pelos seus, regressa e diz "meus irmãos". A promessa a Abraão, de um povo pertencente a Deus, e a promessa a Davi, de um filho cujo trono não cai, convergem neste ponto: o Rei ressuscitado constitui a sua família não pelo sangue de Israel apenas, mas pelo seu próprio sangue derramado. É o novo pacto tomando forma de parentesco.

O Espelho

Você conhece o cálculo silencioso: depois de ter falhado feio, presume que a relação foi rebaixada. Continuará a ir à igreja, mas na fila de trás. Continuará a orar, mas com a linguagem de um empregado em período de experiência. Foi assim que os discípulos passaram aquele sábado, imagino, cada um remoendo a sua covardia. E a primeira palavra que lhes chega não é "voltem a merecer", é "irmãos". Isso desarma tanto o medo quanto o orgulho. Desarma o medo, porque não há sentença pendente. Desarma o orgulho, porque ninguém entra nessa família por desempenho, e portanto ninguém tem posição superior dentro dela. O colega que você acha morno, o irmão da igreja que o decepcionou: Cristo usou a mesma palavra para eles.

A Pergunta

Por que os guardas, que viram o anjo e ficaram "como mortos", não recebem nenhuma aparição do Ressuscitado? Eles vão à cidade, recebem dinheiro e propagam a mentira. Jesus não os procura. Isso incomoda, e deve incomodar. A ressurreição não funciona como prova pública que obriga toda a gente a crer; funciona como encontro dentro de uma relação. Os que buscavam Jesus, mesmo buscando um cadáver, o encontraram vivo. Os que foram pagos para negar, negaram. Não tenho uma explicação limpa para essa assimetria, e desconfio de quem tem. O texto apenas mostra que a mesma pedra removida produz adoração num grupo e uma versão oficial no outro.

O Detalhe

"Que vão a Galilea." Por que ali? Jerusalém era o centro: o templo, o sacerdócio, o poder. A Galileia era província, mistura de povos, o lugar de onde vinha o sotaque que denunciou Pedro no pátio. É também onde tudo tinha começado, junto às redes e aos barcos. Jesus manda os seus de volta ao ponto de partida, ao lugar comum do trabalho e da origem humilde. O reino ressuscitado não se instala primeiro na capital religiosa; recomeça na periferia. E não é acidente que seja precisamente dessa montanha da Galileia que sai a ordem de fazer discípulos de todas as nações. A margem torna-se o ponto de lançamento.

O Intertexto

A carta aos Hebreus capta exatamente o que está em jogo aqui quando diz que aquele que santifica e os que são santificados vêm todos de um só, e que por isso Cristo não se envergonha de chamá-los irmãos. Não se envergonha: a expressão pressupõe que haveria motivo de sobra. E em João, na mesma manhã, Jesus manda Maria dizer aos irmãos que ele sobe para o Pai dele e Pai deles, Deus dele e Deus deles. As duas passagens confirmam que "meus irmãos" não é ternura vaga, mas partilha real: o Pai dele passa a ser nosso Pai porque ele passou pela morte no nosso lugar.

Reflexão

Em que área da sua vida você ainda se relaciona com Deus como empregado em prova, e não como irmão de Cristo?

Existe alguém que você excluiu da palavra "irmão" e a quem Jesus não hesitaria em aplicá-la?

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Perguntas frequentes sobre Matthew 28:10

Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.

O que significa Mateus 28:10?
As mulheres estão de volta do túmulo, ainda com o coração dividido entre o medo e a alegria, quando o próprio Jesus lhes sai ao encontro. Elas se agarram aos seus pés. E ele diz apenas isto: "Não temaes; ide, e annunciae a meus irmãos que vão a Galilea, e lá me verão." Uma ordem breve, quase administrativa: acalmem-se, avisem, marquem o encontro.
Sobre o que fala Mateus 28:10?
Jesus chama de "meus irmãos" os homens que o abandonaram. Na noite da prisão, todos fugiram; Pedro jurou três vezes que nem sequer o conhecia. Se houvesse justiça retributiva pura, a primeira palavra do Ressuscitado seria uma convocação a juízo. Em vez disso, ele reivindica parentesco.
Qual é o contexto histórico de Mateus 28:10?
A Bíblia começa com uma fraternidade destruída: Caim mata Abel, e desde então "irmão" é uma palavra ferida. Depois vem José, vendido pelos irmãos, que se revela a eles no Egito não para os destruir mas para os salvar da fome; e o padrão fica desenhado, o traído torna-se o salvador dos traidores.
O que Mateus 28:10 nos ensina sobre o caráter de Deus?
Você conhece o cálculo silencioso: depois de ter falhado feio, presume que a relação foi rebaixada. Continuará a ir à igreja, mas na fila de trás. Continuará a orar, mas com a linguagem de um empregado em período de experiência. Foi assim que os discípulos passaram aquele sábado, imagino, cada um remoendo a sua covardia.
Como Mateus 28:10 continua relevante hoje?
Por que os guardas, que viram o anjo e ficaram "como mortos", não recebem nenhuma aparição do Ressuscitado? Eles vão à cidade, recebem dinheiro e propagam a mentira. Jesus não os procura. Isso incomoda, e deve incomodar. A ressurreição não funciona como prova pública que obriga toda a gente a crer; funciona como encontro dentro de uma relação.
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Reflexões, orações e ações de graças de leitores e da equipe editorial sobre esta passagem.

Reflexão Editorial em versículo 15

Então, eles, recebendo o dinheiro, fizeram como estavam instruídos." Aqueles soldados sentiram a terra tremer e viram o anjo, e mesmo assim venderam o que presenciaram. Nem todo encontro com a verdade termina em entrega. Alguns apenas calculam o preço. E você, o que tem recebido para calar o que já sabe?

Oração Editorial em versículo 6

Senhor, o túmulo ficou vazio porque a tua palavra se cumpriu. Ajuda-me a crer nisso quando meu coração ainda procura vida onde só há pedra e silêncio. Ressuscita em mim a esperança que eu já tinha desistido de esperar.

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