Explicação bíblica

Apocalipse 9

Bíblia
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O Texto

Uma estrela cai do céu e recebe a chave do poço do abismo. Quando se abre, sai fumaça que escurece o sol, e da fumaça emergem gafanhotos com poder de escorpiões, proibidos de tocar na vegetação e de matar, autorizados apenas a atormentar por cinco meses os que não têm o selo de Deus na testa. Depois soa a sexta trombeta: quatro anjos presos junto ao Eufrates são soltos, e uma cavalaria incontável mata a terça parte dos homens. E o que sobra da humanidade, ferida mas viva, continua adorando ídolos de ouro, prata, bronze, pedra e madeira, sem se arrepender dos seus homicídios, das suas feitiçarias, da sua imoralidade, dos seus roubos.

O Núcleo

Repare em quem segura a chave. O gafanhoto não a tem; Abaddon não a tem. "Foi-lhe dada a chave do poço do abysmo." Essa voz passiva atravessa o capítulo inteiro: foi-lhes dado poder, foi-lhes dito que não fizessem dano, foi-lhes dado que não matassem. O abismo não se abre sozinho. Até o horror opera dentro de limites que não estabeleceu: cinco meses, não mais; tormento, não morte; os selados, intocáveis. João não está dizendo que o mal é bonzinho. Está dizendo algo mais perturbador e mais consolador: o caos tem coleira. E o propósito dessa coleira aparece no versículo 20, pela sua negação. O juízo não vinha para destruir, vinha para despertar. Deus fere para que o homem volte. Quando o homem não volta, a ferida fica sendo apenas ferida.

O Fio Condutor

A cena seguinte do livro, não deste capítulo, mas da história toda, é um Cordeiro de pé como se tivesse sido morto. No primeiro capítulo do Apocalipse, o Ressuscitado se apresenta dizendo que tem as chaves da morte e do inferno. Guarde essas duas imagens juntas e o capítulo 9 muda de cor: a chave do abismo está na mão de alguém que desceu até lá e voltou. O rei dos gafanhotos se chama Abaddon em hebraico, Apollyon em grego, e os dois nomes significam a mesma coisa: Destruidor. Ele tem um nome em cada idioma porque nenhuma cultura está imune a ele. Mas o Destruidor foi destruído por um crucificado, e por isso o seu poder nunca passa de autorizado, temporário, limitado por uma voz que vem do altar.

O Espelho

Os ídolos da lista são de "ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira" e o texto os desmoraliza numa frase: "nem podem ver, nem ouvir, nem andar". São obras das nossas mãos. Nós sabemos fazer isso. O saldo da conta que você confere antes de dormir, a casa que levou quinze anos para ficar pronta, o currículo que se tornou a prova de que você vale alguma coisa, o filho transformado em projeto de redenção dos seus fracassos. Nada disso vê você. Nada disso ouve quando você chora. E quando a trombeta soa, nada disso anda ao seu lado. O mais assustador do versículo 20 não é a praga, é a teimosia: gente machucada agarrada ao que não tem ouvidos. Hoje, escreva num papel o nome daquilo em que você secretamente confia mais do que em Deus, diga em voz alta "isto não pode me ver nem me ouvir", e rasgue o papel.

O Intertexto

Em Êxodo 10, os gafanhotos cobrem o Egito e escurecem a terra, e logo depois vem a treva palpável; aqui, a fumaça escurece "o sol e o ar" antes de os gafanhotos saírem. João está dizendo aos seus leitores: vocês já viram esse filme, e ele termina com um povo libertado. Em Joel 2, o exército de gafanhotos marcha com ruído de carros de guerra, e o profeta interrompe a descrição com um chamado: rasguem o coração, voltem para o Senhor. É exatamente a resposta que falta no versículo 20. O Apocalipse cita Joel e depois mostra uma humanidade que não faz o que Joel pediu. A praga é a mesma; a diferença está no arrependimento que não veio.

Contexto

As igrejas da Ásia Menor leem isto no fim do primeiro século, sob um império que exigia incenso diante da imagem do imperador. O Eufrates não era um detalhe geográfico: era a fronteira leste, e do outro lado estavam os partos, cujos arqueiros a cavalo eram o pesadelo militar de Roma. Dizer "soltem os quatro anjos presos junto ao grande rio Eufrates" era mexer no medo mais concreto de qualquer ouvinte. E os gafanhotos tampouco eram metáfora literária: quem já tinha visto uma nuvem de gafanhotos consumir a colheita de uma aldeia inteira sabia o som das asas. João pega os dois terrores reais daquele mundo, a praga e a invasão, e os coloca debaixo de uma trombeta tocada no céu.

A Pergunta

Por que o sofrimento não converteu ninguém? Cinco meses de tormento, um terço da humanidade morta, e o resultado é zero arrependimento. Isso desmonta a ideia tranquilizadora de que a dor nos aproxima de Deus. Às vezes aproxima. Às vezes endurece, e o texto não explica por quê. Fica só a constatação seca, repetida duas vezes: "não se arrependeram". Talvez porque arrependimento nunca tenha sido produto de pressão, e sim de graça; o medo pode fazer alguém gritar, mas só o amor faz alguém voltar. O Apocalipse não resolve isso aqui. Deixa a porta aberta e a casa vazia, e nos deixa olhando para ela.

Reflexão

Onde, na minha vida, já recebi um aviso que doeu e que eu interpretei como azar em vez de chamado?

Se a chave do abismo está na mão de Cristo, o que muda na maneira como eu nomeio as coisas que me aterrorizam?

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Perguntas frequentes sobre Revelation 9

Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.

O que significa Apocalipse 9?
Uma estrela cai do céu e recebe a chave do poço do abismo. Quando se abre, sai fumaça que escurece o sol, e da fumaça emergem gafanhotos com poder de escorpiões, proibidos de tocar na vegetação e de matar, autorizados apenas a atormentar por cinco meses os que não têm o selo de Deus na testa.
Sobre o que fala Apocalipse 9?
A cena seguinte do livro, não deste capítulo, mas da história toda, é um Cordeiro de pé como se tivesse sido morto. No primeiro capítulo do Apocalipse, o Ressuscitado se apresenta dizendo que tem as chaves da morte e do inferno. Guarde essas duas imagens juntas e o capítulo 9 muda de cor: a chave do abismo está na mão de alguém que desceu até lá e voltou.
Qual é o contexto histórico de Apocalipse 9?
Em Êxodo 10, os gafanhotos cobrem o Egito e escurecem a terra, e logo depois vem a treva palpável; aqui, a fumaça escurece "o sol e o ar" antes de os gafanhotos saírem. João está dizendo aos seus leitores: vocês já viram esse filme, e ele termina com um povo libertado.
O que Apocalipse 9 nos ensina sobre o caráter de Deus?
Por que o sofrimento não converteu ninguém? Cinco meses de tormento, um terço da humanidade morta, e o resultado é zero arrependimento. Isso desmonta a ideia tranquilizadora de que a dor nos aproxima de Deus. Às vezes aproxima. Às vezes endurece, e o texto não explica por quê. Fica só a constatação seca, repetida duas vezes: "não se arrependeram".
Como Apocalipse 9 continua relevante hoje?
Se a chave do abismo está na mão de Cristo, o que muda na maneira como eu nomeio as coisas que me aterrorizam?
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Reflexões, orações e ações de graças de leitores e da equipe editorial sobre esta passagem.

Reflexão Editorial em versículo 21

nem se arrependeram dos seus homicídios, nem das suas feitiçarias, nem da sua prostituição, nem dos seus furtos." Quatro vezes "nem". A dor passou por aquela gente e não abriu nada. Sofrimento sozinho não converte ninguém, apenas revela o que já decidimos segurar. Pensa naquilo que você carrega há anos e já começou a chamar de normal.

Oração Editorial em versículo 1

Senhor, há portas que se abrem e deixam escapar coisas que me assustam, dentro e fora de mim. Lembra-me que nenhuma chave escapa das tuas mãos, que nada é solto sem que tu saibas. Guarda meu coração quando o escuro parecer maior do que eu.

Oração Editorial em versículo 20

Pai, é assustador perceber como o coração se apega ao que não vê, não ouve, não salva. Quebra em mim o que construí com as próprias mãos e passei a servir. Dá-me um coração que ainda se dobra, que ainda muda, que ainda volta para ti hoje.

Reflexão Editorial em versículo 7

Repara no detalhe: "sobre a cabeça tinham como que coroas parecendo de ouro". Parecendo. Não eram. O mal raramente chega anunciando ruína. Vem coroado, com rosto de gente, com um brilho que imita o que é precioso. Pergunta a ti mesmo hoje: o que na tua vida só parece ouro?

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