Romanos 15:29
O Texto
Paulo já falou de Jerusalém, da coleta, da Espanha, dos planos que se encaixam como peças de viagem. E então, no meio desses itinerários, ele diz uma coisa estranhamente serena: "E bem sei que, chegando a vós, chegarei com a plenitude da benção do evangelho de Christo." Não é uma promessa de que a viagem dará certo. Não é a garantia de que os ventos serão favoráveis, nem que os "rebeldes que estão na Judéa" (v. 31) o deixarão passar. É outra coisa: uma certeza sobre aquilo que ele carrega, e não sobre aquilo que lhe acontecerá. Chegando, chegará cheio. O que ele desconhece é o caminho; o que ele sabe é a carga.
O Núcleo
Repare no lugar da confiança. Paulo não diz "sei que chegarei", e o resto da carta mostra por que não poderia: ele pede oração para ser livrado, para que sua coleta seja aceita, para que chegue "pela vontade de Deus" (v. 32). Tudo isso está em aberto. O que não está em aberto é a plenitude. A palavra grega aqui, plērōma, significa aquilo que enche até a borda, sem espaço sobrando. Paulo não imagina levar um pouco de bênção, uma amostra, uma parcela conforme as circunstâncias permitirem. Ou o evangelho chega cheio, ou não é o evangelho de Cristo. E isso desloca a pergunta que costumamos fazer diante do futuro. Não "o que vai acontecer comigo", mas "o que Deus já colocou em minhas mãos, que nenhuma circunstância consegue diminuir".
O Fio Condutor
Há uma ironia que Paulo talvez tenha sentido depois. Ele chegou a Roma, sim, mas acorrentado, náufrago, sob escolta imperial. A viagem não foi como ele desenhou; a plenitude chegou de todo modo. E é aqui que este versículo toca o coração da história maior: a bênção prometida a Abraão para todas as nações não viaja em navios seguros, viaja em corpos frágeis. Cristo mesmo entrou em Jerusalém sabendo o que carregava e ignorando nada do que sofreria. "Porque tambem Christo não agradou a si mesmo" (v. 3): o padrão está posto no começo do capítulo. Quem leva a bênção não é poupado do caminho. A plenitude não protege o portador; ela o atravessa.
O Espelho
Você provavelmente já mediu a sua presença pelo estado do seu ânimo. Chego cansado, chego atrasado, chego sem nada para oferecer nesta reunião, nesta sala de aula, nesta casa onde alguém está morrendo. Paulo não pensa assim, e isso incomoda. Ele não avalia o que tem a dar pelo que sente ao partir. Sabe que carrega algo que não é seu, e portanto não se esvazia quando ele se esvazia. Isso não é positividade; é uma indiferença santa em relação à própria adequação. A pergunta muda: não "estou em condições", mas "o que Deus colocou em mim que continua cheio mesmo quando eu não estou". Hoje, antes de entrar na próxima conversa difícil que você já sabe que terá, pare na porta e diga em voz alta: "Chego com a plenitude da bênção do evangelho de Cristo."
A Pergunta
Mas Paulo estava certo? Ele pediu para ser livre dos rebeldes da Judeia e não foi. Pediu para chegar com alegria e chegou preso. Se a certeza do versículo 29 se cumpriu, cumpriu-se de um modo que ele não previa, e isso nos deixa desconfortáveis, porque queremos saber de antemão qual parte das nossas certezas é fé e qual é presunção. O texto não resolve isso. Ele coloca lado a lado uma confiança absoluta e um pedido urgente de oração, sem explicar como as duas coisas convivem. Talvez a fé madura não seja a que distingue claramente as duas, mas a que consegue habitar as duas ao mesmo tempo, sem exigir de Deus a planta da casa.
O Perfil
Os cristãos em Roma nunca tinham visto Paulo. Ouviram falar: o apóstolo dos gentios, aquele que pregou "desde Jerusalem, e pelos arredores, até ao Illyrico" (v. 19). Uma comunidade tensa, judeus e gentios sob o mesmo teto, discutindo comida e dias sagrados, sem saber se aquele homem chegaria como juiz ou como irmão. E ele escreve: chegarei cheio de bênção. Para eles isso soava quase como uma promessa de reconciliação. O que vem não é uma inspeção, é uma dádiva. Aquele que passou o capítulo inteiro pedindo que "recebei uns aos outros" (v. 7) anuncia sua própria vinda no mesmo tom: não venho tomar, venho transbordar.
Contexto
Inverno em Corinto, por volta do ano 57. Paulo tem uma bolsa de dinheiro reunida entre as igrejas gregas para os pobres de Jerusalém, e essa coleta é mais que caridade: é a prova visível de que gentios e judeus pertencem à mesma família. Ele sabe que a viagem é perigosa, que há hostilidade esperando na Judeia, que a coleta pode ser recusada por orgulho. Roma é apenas escala; o alvo é a Espanha, o fim do mundo conhecido. É de dentro dessa incerteza toda, com o dinheiro na mão e o futuro fechado, que sai a frase mais tranquila do capítulo.
Reflexão
O que você tem carregado como "seu" para dar, e que na verdade lhe foi confiado cheio, independentemente do seu estado de hoje?
Onde na sua vida você está exigindo de Deus a planta da casa antes de aceitar entrar nela?
Livros cristãos que valem a pena
Livros escolhidos a dedo, disponíveis no seu idioma.
À espera do Natal: 25 leituras de Advento, de 1 a 25 de dezembro, guiadas pelo livro de Lucas. Davi, Zacarias, Maria e José, uma pessoa de hoje por...
Uma defesa clara e acessível das verdades centrais da fé cristã que fortalece a mente e o coração.
Uma alegoria atemporal da jornada cristã que inspira perseverança diante das provações da vida.
Um testemunho profundamente pessoal da graça de Deus que ensina a buscar descanso somente em Cristo.
Um chamado corajoso a seguir Jesus com fidelidade, custe o que custar.
Um convite ardente a cultivar intimidade com Deus e sede pela Sua presença.
Faith.network earns a small commission on Kobo purchases made through these links, at no extra cost to you. It helps keep the studies free.
Perguntas frequentes sobre Romans 15:29
Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.
O que significa Romanos 15:29?
Sobre o que fala Romanos 15:29?
Qual é o contexto histórico de Romanos 15:29?
O que Romanos 15:29 nos ensina sobre o caráter de Deus?
Como Romanos 15:29 continua relevante hoje?
O que a comunidade compartilha sobre Romans 15
Reflexões, orações e ações de graças de leitores e da equipe editorial sobre esta passagem.
Pai, obrigado pelas pessoas que encontro no caminho e que me ajudam a seguir adiante. Que eu também seja companhia e força para quem passa por mim, mesmo que por pouco tempo. Guia meus planos e meus passos, e ensina meu coração a confiar quando a estrada muda de rumo.
Obrigado, Senhor, porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazer uma coleta para os pobres dentre os santos de Jerusalém. Te agradeço por corações que se alegram em repartir, por igrejas que sustentam irmãos que nunca viram de perto, e por me ensinares essa mesma alegria.
Paulo escreve: "mas agora, não tendo mais o que me detenha nestas regiões e nutrindo, há muitos anos, grande desejo de ir ter convosco". Anos de desejo guardado, sem forçar nada. Ele seguiu plantando igrejas enquanto o sonho esperava a hora. Talvez o que você carrega há tanto tempo não esteja morto. Só ainda não chegou o agora.
Obrigado por nos reunir como irmãos, para que "unânimes, a uma voz" possamos glorificar ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Grato pelas vozes diferentes que cantam juntas no domingo, pelas mãos dadas na oração e pela paciência que me ensinas a ter com quem pensa diferente de mim.
Explore esta passagem em outro nível
Iniciante, teólogo ou uma leitura de outro tamanho? Ajuste as configurações e gere sua própria versão.
Abrir na ferramenta de estudo
