Romanos 15:5
O Texto
Depois de dizer que tudo quanto foi escrito antes serve para nos ensinar e sustentar na esperança, Paulo interrompe o argumento e ora. Não conclui com uma exortação, mas com um pedido: que o próprio Deus, aquele que ele agora chama "o Deus de paciencia e consolação", conceda à comunidade romana pensarem e sentirem a mesma coisa entre si. E acrescenta uma medida que muda tudo: "segundo Jesus Christo". Não uma unanimidade qualquer, não um acordo negociado entre o grupo dos fortes e o grupo dos fracos que vinham se julgando mutuamente desde o capítulo 14, mas uma harmonia moldada pelo padrão de Cristo. O versículo é, ao mesmo tempo, súplica e diagnóstico: aquilo que Paulo mais deseja para aquela igreja, ele sabe que ela não pode produzir sozinha.
O Cerne
Repare no que Paulo faz com os títulos de Deus. No versículo 4 ele diz que as Escrituras nos dão "paciencia e consolação"; no versículo 5 essas mesmas duas palavras se tornam o nome de Deus. A Escritura não é uma fonte independente de força; ela é o canal pelo qual o caráter de Deus alcança pessoas impacientes e desconsoladas. Daí a lógica da oração: se a unidade viesse do esforço, Paulo mandaria; como ela vem de Deus, ele pede. E a palavra grega traduzida por "sentir uma mesma coisa" (phroneîn) não descreve emoções calorosas nem concordância de opiniões, mas uma disposição da mente, um modo comum de julgar o que importa. Unidade cristã não é sentir simpatia pelo irmão de quem você discorda; é ter aprendido a pesar as coisas como Cristo as pesa. E o padrão já foi dado no versículo 3: ele não agradou a si mesmo. Essa é a régua.
O Fio Condutor
A expressão "segundo Jesus Christo" não é um enfeite piedoso no fim da frase; é o eixo de toda a passagem. Paulo já havia colocado nos lábios de Cristo um lamento do Salmo 69, "Sobre mim cairam as injurias dos que te injuriavam", isto é, o Messias absorveu em si a hostilidade que era dirigida a Deus. A unidade pedida no versículo 5 tem, portanto, a forma de uma cruz: alguém carrega o que não lhe pertence. E o argumento avança até o versículo 12, onde Isaías promete "Uma raiz de Jessé", aquele em quem os gentios esperarão. Judeus e gregos comendo juntos em Roma não são um caso de boa convivência social; são a promessa antiga chegando ao seu destino. O plano de salvação termina numa mesa, não numa doutrina.
O Espelho
Você conhece a tentação: dentro da igreja, discordar de alguém e concluir silenciosamente que a fé dele é menos madura que a sua. O irmão escrupuloso demais com regras, o irmão largo demais com elas, o que vota diferente, o que canta o que você acha raso. Paulo não pede que você mude de opinião sobre o assunto; pede algo mais custoso, que você deixe de tratar a sua preferência como se fosse o padrão de julgamento. Isso dói no orçamento familiar, na escolha da igreja, no grupo de mensagens que você silenciou. E note: ele ora por isso, porque sabe que ninguém arranca de si mesmo essa disposição. Hoje, escreva num papel o nome da pessoa da sua comunidade com quem lhe é mais difícil concordar e ore em voz alta, usando as palavras do texto: "Deus de paciência e consolação, dá-me sentir com ele segundo Jesus Cristo."
A Pergunta
Se a unidade é dom de Deus, e Paulo a pede, por que a igreja continua rachada dois mil anos depois? Ou a oração não foi ouvida, ou entendemos mal o que foi pedido. A saída fácil seria dizer que a unidade é só invisível, espiritual, sem consequência prática; mas o versículo 6 fala de bocas concordes, de um som audível, o que não se resolve no plano das ideias. A saída honesta é mais dura: Deus concede essa unidade do modo como Cristo a conquistou, através da renúncia a agradar a si mesmo. É um dom que só se recebe com as mãos abertas, e a igreja raramente as abre. A oração não falhou. Nós é que continuamos preferindo ter razão a ter irmãos.
O Perfil
Os cristãos de Roma não eram uma congregação, mas várias reuniões espalhadas por uma cidade imensa, em casas e apartamentos de aluguel, sem um líder comum e sem Paulo, que ainda não os conhecia. Anos antes, judeus haviam sido expulsos da cidade; ao voltarem, encontraram comunidades já formadas por gentios, com outros hábitos, outro calendário, outra comida. Imagine reencontrar sua própria igreja e não reconhecer nada. Além disso, viviam sob um império que anunciava em moedas e monumentos a sua própria concórdia, imposta pela força das legiões. Quando ouviam "a uma bocca", ouviam algo escandalosamente político: uma concórdia que não vinha do César nem da conveniência, mas de um crucificado que confirmou as promessas feitas aos pais.
O Detalhe
Fique com o verbo: "vos conceda". Paulo poderia ter escrito "esforçai-vos por sentir o mesmo", e ninguém estranharia, pois ele acabara de dar ordens claras nos versículos 1 e 2. Mas no momento em que chega ao coração do que deseja, ele muda de modo: pede. Esse verbo pertence ao mesmo campo da graça, aquilo que se recebe sem ter produzido. É um reconhecimento sóbrio de limite. A concórdia entre pessoas que se julgam mutuamente não se fabrica com boa vontade, técnica de mediação ou cansaço; ela é concedida, ou não existe. E é por isso que a frase termina onde termina: o dom tem nome, e o nome é Jesus Cristo.
Reflexão
Em que discussão da sua comunidade você está defendendo menos a verdade do que o seu próprio direito de estar certo?
O que mudaria na sua oração desta semana se você pedisse a unidade em vez de lamentar a sua ausência?
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Perguntas frequentes sobre Romans 15:5
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O que a comunidade compartilha sobre Romans 15
Reflexões, orações e ações de graças de leitores e da equipe editorial sobre esta passagem.
Pai, obrigado pelas pessoas que encontro no caminho e que me ajudam a seguir adiante. Que eu também seja companhia e força para quem passa por mim, mesmo que por pouco tempo. Guia meus planos e meus passos, e ensina meu coração a confiar quando a estrada muda de rumo.
Obrigado, Senhor, porque pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazer uma coleta para os pobres dentre os santos de Jerusalém. Te agradeço por corações que se alegram em repartir, por igrejas que sustentam irmãos que nunca viram de perto, e por me ensinares essa mesma alegria.
Paulo escreve: "mas agora, não tendo mais o que me detenha nestas regiões e nutrindo, há muitos anos, grande desejo de ir ter convosco". Anos de desejo guardado, sem forçar nada. Ele seguiu plantando igrejas enquanto o sonho esperava a hora. Talvez o que você carrega há tanto tempo não esteja morto. Só ainda não chegou o agora.
Obrigado por nos reunir como irmãos, para que "unânimes, a uma voz" possamos glorificar ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Grato pelas vozes diferentes que cantam juntas no domingo, pelas mãos dadas na oração e pela paciência que me ensinas a ter com quem pensa diferente de mim.
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