Explicação bíblica

Mateus 24

Bíblia
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O Texto

Os discípulos apontam para as pedras do templo, orgulhosos daquela arquitetura, e Jesus responde com uma frase que corta o ar: "não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada". Sentados depois no monte das Oliveiras, de frente para aquele edifício condenado, eles perguntam três coisas ao mesmo tempo: quando, qual o sinal da tua vinda, e o fim do mundo. O restante do capítulo é a resposta de Jesus, e ela não é um calendário. Ele fala de enganadores, guerras, fome, traição entre irmãos, amor que esfria, do evangelho pregado a todas as gentes, da abominação no lugar santo, de uma fuga apressada, do sol escurecido, do Filho do homem vindo sobre as nuvens. E termina insistindo no que ninguém sabe: o dia e a hora. Só o Pai.

O Núcleo

Há uma pergunta escondida sob a pergunta dos discípulos: quem controla a história? Eles queriam datas porque datas dão a sensação de domínio. Jesus recusa entregar isso e oferece outra coisa, mais dura e mais reconfortante ao mesmo tempo: "é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim". O caos não é um sinal de que Deus perdeu o fio da meada; é o terreno onde a fidelidade é provada. Note o que Jesus considera o perigo real. Não o terremoto, não a peste, mas o engano ("ninguem vos engane") e o esfriamento do amor. A ameaça maior ao discípulo não vem de fora, das ruínas, e sim de dentro, do coração que se cansa. Por isso a promessa não é de isenção, mas de perseverança: "aquelle que perseverar até ao fim será salvo". Deus reina, e quem confia nisso aguenta o barulho sem correr atrás de cada voz que grita "eis que o Christo está aqui".

O Fio Condutor

O templo cai, e isso não é um acidente na história da salvação; é a consequência de que algo maior já chegou. Jesus sai do templo (v. 1) e senta-se no monte das Oliveiras, o mesmo monte de onde Ezequiel viu a glória de Deus afastar-se de Jerusalém. A presença migrou: agora está naquele corpo sentado na encosta, que será derribado e reerguido em três dias. Toda a linguagem de cataclismo, sol escurecido, estrelas caindo, é linguagem profética antiga para o desmoronar de uma ordem do mundo. E o centro dela é uma figura de Daniel, "o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande gloria". O fim da história não é vazio nem catástrofe anônima: é alguém chegando. Um rosto.

O Espelho

Você provavelmente não está ameaçado de morte por causa do nome de Jesus. Mas repare na expressão que Jesus usa para a erosão lenta: "o amor de muitos esfriará". É isso que acontece com você quando a notícia da guerra entra pela tela antes do café, quando a conta do mês não fecha, quando aquela pessoa da igreja te decepcionou pela terceira vez. Ninguém decide parar de amar. Simplesmente esfria, como uma casa em que a lareira não é mais alimentada. E então vem a tentação gêmea: buscar emoção em vozes que prometem certeza, datas, mapas do fim, qualquer coisa que substitua a fidelidade sem brilho do servo que apenas "dar-lhes o sustento a seu tempo". Hoje, faça uma coisa pequena: escreva num papel o nome de alguém por quem seu amor esfriou, ore por essa pessoa em voz alta, e guarde o papel onde você o verá amanhã.

O Intertexto

Jesus escolhe Noé, não Sodoma, para ilustrar sua vinda: "comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento". Não há nada de perverso nessa lista. O problema não foi o pecado espetacular, foi a distração total, a vida normal vivida como se nada mais existisse. "E não o conheceram." Esse verbo é o julgamento. E logo depois, em Gênesis, Deus promete não destruir a terra novamente com água; aqui, Jesus diz que "por causa dos escolhidos serão abreviados aquelles dias", a mesma misericórdia que encurta o juízo por amor a poucos. A outra ressonância está em Daniel 7, citada diretamente no versículo 30: ali um humano recebe o domínio que nenhum império conseguiu manter. Jesus lê aquele texto e diz: sou eu.

O Personagem Principal

Jesus, neste capítulo, é estranhamente calmo. Ele anuncia a destruição do maior orgulho do seu povo sem retórica, senta-se, e fala longamente sobre sofrimento sem se apressar em consolar. Há autoridade absoluta ("O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar") ao lado de uma limitação declarada: "d'aquelle dia e hora ninguem sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pae". Ele não sabe, e não finge saber. Isso deveria nos ensinar algo sobre a humildade de quem realmente conhece Deus. E há ternura no meio do horror: "ai das gravidas e das que amamentarem n'aquelles dias". Ele vê as mulheres com bebês no colo correndo para os montes. O Senhor da história repara em quem corre mais devagar.

O Detalhe

"Orae para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem em sabbado." Pare aqui. Jesus acaba de dizer que a tribulação será como nunca houve, e então sugere que se ore por detalhes de clima e calendário. Não pela suspensão do juízo, mas por chuva menos fria, por um dia em que as estradas estejam abertas. É uma oração humilde, quase pequena, e Jesus a considera apropriada. Isso nos diz algo desconcertante sobre a oração: ela não precisa ser grandiosa para ser correta. Dentro daquilo que Deus decretou, ainda há espaço para pedir que seja mais suportável. O soberano convida você a pedir por um inverno mais brando.

Reflexão

Onde, concretamente, meu amor esfriou sem que eu tenha decidido nada, apenas deixado de alimentar?

Se Jesus não sabia o dia nem a hora e viveu em paz com isso, o que é que eu exijo saber antes de conseguir confiar?

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Perguntas frequentes sobre Matthew 24

Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.

O que significa Mateus 24?
Os discípulos apontam para as pedras do templo, orgulhosos daquela arquitetura, e Jesus responde com uma frase que corta o ar: "não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada". Sentados depois no monte das Oliveiras, de frente para aquele edifício condenado, eles perguntam três coisas ao mesmo tempo: quando, qual o sinal da tua vinda, e o fim do mundo.
Sobre o que fala Mateus 24?
Há uma pergunta escondida sob a pergunta dos discípulos: quem controla a história? Eles queriam datas porque datas dão a sensação de domínio. Jesus recusa entregar isso e oferece outra coisa, mais dura e mais reconfortante ao mesmo tempo: "é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim".
Qual é o contexto histórico de Mateus 24?
O templo cai, e isso não é um acidente na história da salvação; é a consequência de que algo maior já chegou. Jesus sai do templo (v. 1) e senta-se no monte das Oliveiras, o mesmo monte de onde Ezequiel viu a glória de Deus afastar-se de Jerusalém. A presença migrou: agora está naquele corpo sentado na encosta, que será derribado e reerguido em três dias.
O que Mateus 24 nos ensina sobre o caráter de Deus?
Você provavelmente não está ameaçado de morte por causa do nome de Jesus. Mas repare na expressão que Jesus usa para a erosão lenta: "o amor de muitos esfriará". É isso que acontece com você quando a notícia da guerra entra pela tela antes do café, quando a conta do mês não fecha, quando aquela pessoa da igreja te decepcionou pela terceira vez.
Como Mateus 24 continua relevante hoje?
Jesus escolhe Noé, não Sodoma, para ilustrar sua vinda: "comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento". Não há nada de perverso nessa lista. O problema não foi o pecado espetacular, foi a distração total, a vida normal vivida como se nada mais existisse. "E não o conheceram.
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