Explicação bíblica

Mateus 24:14

Bíblia

O Texto

No meio de um discurso carregado de guerras, fomes, traições e amor que esfria, Jesus insere uma frase que soa quase fora de lugar: "E este evangelho do reino será prégado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim". No mesmo fôlego em que anuncia o colapso do templo e a perseguição dos seus, ele afirma que a notícia do seu reinado atravessará o mundo habitado inteiro, como depoimento diante de todos os povos. Só depois disso, o fim.

O Núcleo

Ouça onde eles estavam sentados. No monte das Oliveiras, com o templo à vista, ainda cheirando a sangue de sacrifício e madeira queimada, pedras brancas gigantescas refletindo o sol da tarde. Um grupo de galileus sem posição social, sem dinheiro, sem escolaridade formal, acaba de ouvir que aquele edifício, o orgulho da nação, virá ao chão. E agora ouvem que a sua mensagem alcançará "todo o mundo". A palavra grega ali é oikoumenē, o mundo habitado, o termo que Roma usava nas suas moedas e inscrições para dizer que o imperador governava a terra inteira. Jesus toma emprestada a linguagem do império e a coloca na boca de pescadores. Não um exército, não um templo: um anúncio.

O Fio Condutor

Israel sempre soube que as nações estavam no plano. Abraão foi chamado para que por ele todas as famílias da terra fossem abençoadas; os profetas viram povos subindo a Sião. Mas o caminho imaginado era centrípeto: as nações viriam a Jerusalém. Aqui o movimento se inverte. O templo cai e o testemunho sai. Em Daniel 7, o Filho do homem recebe um reino que abrange todos os povos e línguas; Jesus usa exatamente esse título ao longo deste capítulo e agora explica como esse reino se estende, não por conquista, mas por proclamação. O evangelho do reino é a notícia de que o Rei já foi entronizado, mesmo que a coroação tenha acontecido numa cruz.

O Espelho

Note o que a frase não promete. Não diz que todos crerão, nem que o mundo melhorará. Diz "em testemunho", uma palavra de tribunal: um depoimento entregue, ouvido ou rejeitado. Isso desmonta duas coisas em nós ao mesmo tempo. Desmonta o triunfalismo de quem mede a igreja por números e influência cultural, como se o Reino avançasse por popularidade. E desmonta o derrotismo de quem olha o próprio bairro, a família que não quer ouvir, o colega que zomba, e conclui que nada acontece. Você não é responsável pelo resultado do processo; é responsável por dar o depoimento. Fielmente, no seu tempo, no seu lugar, mesmo quando o versículo 12 descreve bem o esfriamento ao seu redor.

A Pergunta

Então quando estará "todo o mundo" alcançado? A pergunta incomoda porque já foi usada para calcular datas, e sempre errou. Parte da dificuldade está no próprio texto: Jesus diz mais adiante que "não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam", e a oikoumenē dos ouvintes era o mundo mediterrâneo, não o planeta. Uma geração depois, comunidades cristãs existiam de Roma à Mesopotâmia. Mas Jesus também diz, no versículo 36, que ninguém sabe o dia nem a hora, nem os anjos. Ou seja: ele nos dá um sinal que não funciona como cronômetro. Talvez seja exatamente essa a intenção. Uma tarefa suficientemente clara para nos manter em movimento, e suficientemente aberta para nos impedir de fazer planilhas.

A Intertextualidade

Duas conexões iluminam o versículo. A primeira é o encerramento do próprio Evangelho de Mateus, quando o Ressuscitado envia os discípulos a fazer discípulos de todas as nações. O que aqui é anunciado como fato futuro, ali se torna ordem. Profecia e mandamento se encaixam: Deus cumpre a sua palavra através da obediência de gente comum. A segunda é o início de Atos, onde Jesus fala aos mesmos discípulos de um testemunho que vai de Jerusalém até os confins da terra. Lucas então escreve o livro inteiro como demonstração de que isso começou a acontecer, incluindo naufrágios, prisões e chicotadas. O cumprimento nunca vem limpo. Vem através das dores descritas nos versículos anteriores.

O Protagonista

Quem fala aqui é um homem a poucos dias de ser preso. Ele sabe. Está sentado numa encosta com um punhado de seguidores que em breve o abandonarão, e fala do futuro do mundo com uma calma desconcertante. Não há ansiedade na frase, nem urgência histérica. Há autoridade. É o mesmo Jesus que dirá "o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar". Esse é o retrato de Deus que o texto nos entrega: alguém que não perde o controle da narrativa quando os edifícios caem e os discípulos fogem. Ele não protege os seus da tribulação; ele os coloca dentro dela como testemunhas. E garante que o depoimento chegará ao fim, porque ele mesmo é o fim.

Reflexão

Se o seu papel é dar testemunho e não garantir resultados, o que isso muda na maneira como você fala de Cristo com as pessoas que sistematicamente não querem ouvir?

Onde, na sua vida, o esfriamento do amor descrito no versículo 12 já se instalou silenciosamente, e o que seria perseverar ali?

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Perguntas frequentes sobre Matthew 24:14

Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.

O que significa Mateus 24:14?
No meio de um discurso carregado de guerras, fomes, traições e amor que esfria, Jesus insere uma frase que soa quase fora de lugar: "E este evangelho do reino será prégado em todo o mundo, em testemunho a todas as gentes, e então virá o fim".
Sobre o que fala Mateus 24:14?
Israel sempre soube que as nações estavam no plano. Abraão foi chamado para que por ele todas as famílias da terra fossem abençoadas; os profetas viram povos subindo a Sião. Mas o caminho imaginado era centrípeto: as nações viriam a Jerusalém. Aqui o movimento se inverte. O templo cai e o testemunho sai.
Qual é o contexto histórico de Mateus 24:14?
Então quando estará "todo o mundo" alcançado? A pergunta incomoda porque já foi usada para calcular datas, e sempre errou. Parte da dificuldade está no próprio texto: Jesus diz mais adiante que "não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam", e a oikoumenē dos ouvintes era o mundo mediterrâneo, não o planeta.
O que Mateus 24:14 nos ensina sobre o caráter de Deus?
Quem fala aqui é um homem a poucos dias de ser preso. Ele sabe. Está sentado numa encosta com um punhado de seguidores que em breve o abandonarão, e fala do futuro do mundo com uma calma desconcertante. Não há ansiedade na frase, nem urgência histérica. Há autoridade. É o mesmo Jesus que dirá "o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar".
Como Mateus 24:14 continua relevante hoje?
Onde, na sua vida, o esfriamento do amor descrito no versículo 12 já se instalou silenciosamente, e o que seria perseverar ali?
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O que a comunidade compartilha sobre Matthew 24

Reflexões, orações e ações de graças de leitores e da equipe editorial sobre esta passagem.

Agradecimento Editorial em versículo 45

Obrigado, Senhor, por me chamares de servo fiel e prudente e confiares a mim algo da tua casa. Agradeço pelos que me deram o sustento a seu tempo, com uma palavra, um pão, um cuidado. Que eu também reparta no tempo certo o que recebi das tuas mãos.

Agradecimento Editorial em versículo 24

Obrigado, Senhor, porque me avisaste antes: surgirão falsos cristos e falsos profetas com grandes sinais e prodígios. Tua advertência é cuidado, e teu "se possível" me sossega, porque guardas os teus eleitos. Dá-me ouvidos atentos à tua voz e coração firme na tua Palavra.

Oração em versículo 6

A explcação pra mim foi nota 1000

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