Mateus 7
O Texto
O fim do Sermão do Monte é uma sequência de advertências e promessas que se estreitam como um funil: não julgues o irmão enquanto carregas uma trave no próprio olho; peçam ao Pai, que não dá pedra a quem pede pão; entrem pela porta estreita; desconfiem dos profetas que vêm vestidos de ovelha; e, no fim, construam sobre a rocha, porque a chuva vem para todos. Jesus termina não com um conselho, mas com um tribunal e uma tempestade. E a multidão fica pasma, porque ele fala com uma autoridade que nenhum escriba tinha.
O Cerne
Repare em quem está no centro do julgamento final deste capítulo. Não é a Torá, não é o templo, não é sequer "a vontade de Deus" em abstrato. É Jesus: "Muitos me dirão n'aquelle dia: Senhor, Senhor…" e a resposta é dele, "Nunca vos conheci". Um rabino galileu de trinta anos afirma que o destino eterno de cada pessoa depende de ser conhecido por ele. O critério não é a experiência religiosa, nem o poder espiritual demonstrável; profetizar, expulsar demônios e fazer maravilhas não bastam. O que salva é uma relação reconhecida, e o que a comprova é a prática das "minhas palavras". O Sermão não termina com ética; termina com Cristo como juiz, porta e fundamento.
O Fio Condutor
A imagem da casa sobre a rocha não é original de Jesus. Israel cantava havia séculos que o Senhor era rocha, refúgio contra a enchente. Quando Jesus diz que a casa resiste porque foi edificada sobre a rocha, e define essa rocha como o ouvir-e-praticar "estas minhas palavras", ele desliza para dentro de um lugar que na Escritura pertence exclusivamente a Deus. O mesmo acontece com a porta estreita: nos profetas, Deus coloca diante do povo o caminho da vida e o caminho da morte; aqui é Jesus quem coloca, e mais tarde ele dirá em João que ele próprio é a porta. O plano de salvação não é uma escada moral erguida por nós até o céu; é uma Pessoa que se põe no lugar da Rocha, do Caminho e do Juiz, e convida a entrar.
O Espelho
O texto é desconfortável exatamente onde somos hábeis. Você percebe com nitidez cirúrgica o argueiro no olho do colega de trabalho, do cunhado, do irmão da igreja que fala demais. E percebe com sinceridade: o argueiro está mesmo lá. Jesus não nega o argueiro. Ele apenas pergunta como você consegue enxergar tão bem com uma trave atravessada. E depois vira a faca: os que dizem "Senhor, Senhor" são gente da casa, gente de ministério, não ateus. É possível construir uma vida inteira de atividade cristã sobre areia e só descobrir quando a chuva descer. A pergunta não é se você fala de Jesus, mas se ele o conhece. Hoje: escreva num papel o nome da pessoa que você mais julgou nos últimos dias, e ao lado escreva uma coisa verdadeira que você precisa consertar em si mesmo antes de falar com ela. Guarde o papel.
A Pergunta
"Nunca vos conheci" é a frase mais dura do Sermão, e ela não se deixa amaciar. Se milagres autênticos não garantem nada, como alguém pode ter certeza? A tentação é responder rápido, de um lado com "conte suas obras" e de outro com "basta crer". O texto recusa os dois atalhos: fala de frutos, mas frutos que brotam do tipo de árvore, não frutos que fabricam a árvore. Você não se torna boa árvore esforçando-se em produzir figos. Fica, porém, uma inquietação legítima, e talvez ela deva ficar. A segurança cristã não nasce de inspecionar o próprio coração até o fundo, o que ninguém consegue, mas de continuar pedindo, buscando, batendo, precisamente como o versículo 7 ordena. Quem ainda bate à porta não foi deixado de fora.
O Protagonista
Jesus aparece aqui em dois registros que raramente convivem. Primeiro como aquele que conhece o Pai por dentro: "quanto mais vosso Pae, que está nos céus, dará bens aos que lh'os pedirem?" Ele fala de Deus com a confiança de quem fala de casa, e diz sem cerimônia que nós somos "maus", e mesmo assim sabemos dar coisas boas aos filhos. Não há sentimentalismo nem desprezo; há realismo e ternura na mesma frase. Depois, como aquele que se coloca no assento do juiz. É o mesmo homem sentado na encosta, sem título, sem ordenação, sem cargo. Essa é a tensão que deixa a multidão "admirada": uma autoridade que não vem de citar mestres anteriores, mas de ser quem ele é.
Contexto
Estamos na Galileia, provavelmente numa encosta perto do lago, diante de uma multidão de camponeses, pescadores e doentes, gente sem instrução formal, sob ocupação romana e sob a pressão religiosa de escribas que ensinavam sempre apoiados na tradição recebida. As imagens são domésticas e rurais: a trave e o argueiro da serraria, os espinheiros que não dão uva, a casa de barro que a enxurrada de inverno derruba num uádi seco. Os falsos profetas não são figuras imaginárias; havia agitadores messiânicos e mestres itinerantes de sobra. E a construção sobre areia era um erro real e fatal, porque no verão o leito do rio parece chão firme. Todo mundo ali sabia de uma casa que tinha caído assim.
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Onde, na sua vida, você produz frutos religiosos visíveis sem saber dizer de que árvore eles vêm?
Se a chuva descesse esta semana, na forma de perda, doença ou humilhação pública, o que realmente sustentaria a sua casa?
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Perguntas frequentes sobre Matthew 7
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Não deis aos cães as coisas santas, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para que não as pisem e, voltando-se, vos dilacerem." Jesus não está dividindo gente em digna e indigna. Ele está protegendo o que é sagrado em você. Aquela oração que te sustentou de madrugada, aquele perdão que custou anos, nada disso precisa ser exposto em qualquer mesa. Discernir a quem você abre o coração também é obediência.
Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo." Repare que Jesus não fala de árvore que dá fruto ruim, mas da que simplesmente não dá. A esterilidade já basta. Dá para ter folhas bonitas, aparência de vida, e nada nos galhos. Onde está o fruto que alguém poderia colher de você hoje?
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