João 12:9
O Texto
A notícia corre por Betânia e sobe os três quilômetros até Jerusalém, onde a cidade já fervilha de peregrinos chegando para a Páscoa: o Galileu está ali, na casa do homem que ele tirou do túmulo. E então eles vêm. Não um ou dois curiosos, mas "muita gente dos judeos". João é cirúrgico ao descrever o motivo dessa multidão: vieram "não só por causa de Jesus, mas tambem para vêr a Lazaro, a quem resuscitara dos mortos". Duas atrações, portanto, na mesma casa pequena, onde ainda paira o cheiro do nardo que Maria derramou. Um mestre que fala de sua sepultura e um homem que já voltou da sua. A cena é de festa e de cerco ao mesmo tempo.
O Cerne
Repare na construção da frase, porque ela é um diagnóstico do coração humano: Jesus aparece primeiro, mas acompanhado de um "mas também" que o divide com outra coisa. A fé raramente chega pura. Ela vem misturada com curiosidade, com fascínio pelo extraordinário, com a vontade de ver com os próprios olhos aquilo que os outros só contam. João não finge que a multidão é um bando de discípulos; nem a descarta. Dois versículos adiante ele registra que "muitos dos judeos, por causa d'elle, iam, e criam em Jesus". Deus trabalha com motivações impuras. A curiosidade que arrasta alguém para dentro da casa não é fé ainda, mas pode ser a porta por onde a fé entra. O que o texto não permite é confundir as duas coisas.
O Fio Condutor
Lázaro é o penúltimo sinal; a cruz será o último. E a multidão que sobe a Betânia para ver um morto que come e respira está, sem saber, ensaiando a cena que se repetirá dentro de uma semana, quando outras pessoas correrem a um túmulo aberto. Toda a história da redenção se move nessa direção: Deus não apenas promete vida, ele a devolve em corpos concretos, em um homem com nome e sobrinhas e cheiro de jantar. Lázaro ainda morreria outra vez; sua ressurreição foi um adiamento, não a vitória. Mas é um adiamento que aponta. O Deus que tira Lázaro do túmulo é o mesmo que, dias depois, não deixará seu Filho ali. A multidão veio ver um sinal e estava diante do Significado.
O Espelho
Você também já foi a Betânia. Foi ao culto porque o pregador era bom, ouviu o testemunho porque a história era impressionante, acompanhou a conta da pessoa que se recuperou do vício porque é emocionante ver alguém renascer. Nada disso é pecado. O problema começa quando o espetáculo basta, quando saímos satisfeitos de ter visto Lázaro sem ter encontrado Jesus. Pergunte-se com honestidade: se a sua igreja ficasse sem nada notável para mostrar, sem milagre, sem música boa, sem história comovente, você continuaria indo? Se a sua oração deixasse de produzir resultados visíveis, você continuaria orando? A curiosidade é uma boa carona, mas é péssimo destino. Hoje, faça isto: pense em alguém da sua vida que é, de fato, um Lázaro, alguém em quem a obra de Deus está visível, e mande-lhe uma mensagem dizendo exatamente o que você enxerga na história dele e quem você acredita que fez aquilo.
O Intertexto
Alguns versículos adiante, no mesmo capítulo, uns gregos procuram Filipe com um pedido quase idêntico em forma e totalmente diverso em profundidade: "Senhor, queriamos vêr a Jesus". A multidão de Betânia queria ver Lázaro também; os gregos querem ver só ele. E a resposta de Jesus desmonta a expectativa de ambos, porque ele fala de um grão de trigo que precisa morrer. Ver Jesus, no Evangelho de João, nunca é assistir. É seguir até onde ele vai. E o contraste fica mais duro no versículo 37: "ainda que tinha feito tantos signaes diante d'elles, não criam n'elle". Ninguém no Evangelho viu mais do que essa geração. Ver não basta. Nunca bastou.
O Detalhe
Lázaro não diz uma única palavra em todo o Evangelho. Nem quando sai do túmulo, nem à mesa, nem agora, quando dezenas de pessoas se amontoam na porta para olhá-lo. Imagine aquele homem, meses antes um cadáver enfaixado, agora transformado em atração. As pessoas o encaram, conferem, talvez toquem seu braço. E ele cala. Não existe depoimento de Lázaro, nenhum relato do outro lado, nenhuma entrevista. João o deixa mudo de propósito: Lázaro não testemunha com palavras, ele testemunha com o fato de estar vivo. Sua existência é o argumento. Há pessoas assim ainda hoje, que não sabem explicar teologia nenhuma, mas cuja vida em pé, depois do que viveram, é uma pregação que ninguém consegue refutar.
A Pergunta
O versículo seguinte é brutal: por causa dessa multidão, "os principaes dos sacerdotes consultaram matar tambem a Lazaro". Deus o ressuscita, e o presente vem com uma sentença de morte anexa. Essa é a pergunta que o texto não resolve: por que a graça recebida torna alguém um alvo? Lázaro não pediu para ser sinal público; recebeu vida e ganhou inimigos junto. Não há consolo barato aqui. O Evangelho não promete que o milagre nos protegerá das consequências do milagre. Quem é tocado por Cristo de maneira visível passa a carregar um incômodo para quem precisa que Cristo esteja morto. Lázaro, ressuscitado e ameaçado, cala-se à mesa com aquele que em breve morreria por ele. Talvez o silêncio seja, mesmo, a única resposta.
Reflexão
Se eliminássemos da sua fé tudo que é interessante de ver, o que sobraria, e você ainda iria?
Quem, na sua vida, é um Lázaro silencioso cuja simples existência testemunha algo que você evita olhar de frente?
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Perguntas frequentes sobre John 12:9
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Obrigado, Senhor, porque aquilo que o mundo chama de desperdício, "trezentos denários", o Senhor recebe como amor. Obrigado por aceitar o perfume derramado aos teus pés e por defender quem te adora de coração, mesmo quando outros murmuram.
Filipe foi dizê-lo a André, e André e Filipe o disseram a Jesus." Repare que Filipe não resolveu sozinho. Procurou um irmão, e os dois foram juntos. Alguns gregos queriam ver Jesus, e o caminho até Ele passou por duas pessoas dispostas a levar o pedido adiante. Quem está esperando que você o leve?
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