Explicação bíblica

Mateus 21:21

Bíblia

O Texto

Os discípulos ainda estão de queixo caído diante da figueira ressecada, e a pergunta deles é técnica: "Como seccou immediatamente a figueira?" Jesus não explica o mecanismo. Ele desloca o assunto para outro patamar: "se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis isto á figueira, mas até, se a este monte disserdes: Ergue-te e precipita-te no mar, assim será feito". Ou seja: o sinal que vocês acabaram de ver não é um truque a ser admirado, é uma porta aberta. E a porta dá para algo maior do que uma árvore morta à beira da estrada, dá para montes que se movem. O versículo seguinte fecha o pensamento com oração, mas aqui, no versículo 21, tudo ainda está tenso, quase perigoso.

O Cerne

É bom notar onde Jesus está quando diz "a este monte". Ele vem de Betânia, subindo pelo monte das Oliveiras, com o monte do templo à vista, aquele templo que ele acabara de esvaziar aos gritos de "covil de ladrões". A figueira sem fruto e o templo sem oração são a mesma imagem duas vezes. O monte que será lançado ao mar não é um obstáculo genérico da nossa vida pessoal; é um sistema religioso que produzia folhas e nenhum fruto. E o instrumento dessa remoção não é exército nem revolta, é fé. Deus está anunciando que seu reino não avança por alavancas de poder, mas por confiança na palavra do Filho, e que aquilo que parece imóvel e eterno pode ser removido quando Deus decide dar a vinha a outros lavradores.

O Fio Condutor

Repare que Jesus não diz "se tiverdes fé, Deus removerá o monte", mas "se a este monte disserdes". A palavra dos discípulos herda a autoridade da palavra dele. Isso só faz sentido dentro do que Mateus vem construindo desde o versículo 1: o Rei manso entra montado num jumentinho, cumprindo o profeta, e sua palavra basta para tudo. Basta dizer "o Senhor os ha de mister" e a jumenta é solta. Basta dizer "nunca mais nasça fructo de ti" e a árvore murcha. Essa é a assinatura do Criador, aquele que fala e as coisas passam a existir ou deixam de existir. E a mesma boca que resseca a figueira será calada na cruz, três dias depois de o monte do templo ter sido, de fato, julgado. Cristo é o conteúdo da fé de que ele fala, não apenas o exemplo dela.

O Espelho

Existe um jeito de ler este versículo que transforma a fé em força de vontade religiosa: se eu conseguir não duvidar, o câncer some, o casamento se recompõe, o emprego aparece. Quando não acontece, sobra a suspeita de que faltou fé em mim, e Deus vira um caixa eletrônico com senha que eu nunca acerto. Mas Jesus não está ensinando técnica de concentração. Ele está dizendo que quem confia no Rei que entrou em Jerusalém participa da obra que esse Rei veio fazer: derrubar o que finge fruto, plantar o que dá fruto. A pergunta que este texto faz a você não é "quanto você crê?", e sim "no que você está apostando quando ora?". Talvez o monte que precisa cair na sua vida seja exatamente aquilo que você mais defende: sua reputação de pessoa correta, sua rotina espiritual bem feita e sem fruto. Hoje, escreva numa folha o nome de uma coisa sua que só tem folhas, e ore em voz alta: "Senhor, tira isto de mim".

O Intertexto

Duas páginas iluminam esta. Em Zacarias 4, diante da tarefa impossível de reconstruir o templo, Deus diz a Zorobabel que o grande monte se tornará planície, não por força nem por violência, mas pelo Espírito. Jesus reaproveita essa imagem e a coloca nas mãos dos discípulos. A outra está aqui mesmo, poucos versículos adiante: "A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do angulo". Um monte cai, uma pedra sobe. O templo de pedras será desmontado e o próprio Rejeitado se torna a fundação do novo. Ler o versículo 21 sem esse contexto é transformá-lo em promessa mágica; lê-lo com ele é ouvir o anúncio da maior troca da história da salvação.

A Personagem Principal

Jesus aqui está com fome, cansado, a poucos dias da própria morte, e ainda assim ensina. Há nele uma serenidade dura: ele não se explica, não suaviza o gesto contra a figueira, não conforta os discípulos assustados. Ele responde à admiração deles com uma promessa que aumenta o peso em vez de aliviá-lo. Esse é o retrato de alguém que sabe exatamente para onde está indo e o que custará. O mesmo homem que dias antes recebia "Hosanna ao Filho de David" das crianças no templo agora prepara os seus para viver sem sua presença física, dependendo apenas da palavra e da oração. É ternura em formato de exigência: ele os trata como gente capaz, herdeiros de sua missão, não como espectadores.

O Perfil

Os primeiros leitores de Mateus eram, em boa parte, judeus que haviam confessado Jesus como Messias e visto o templo cair em ruínas. Para eles, "este monte" não era metáfora nebulosa; era um lugar onde os pais tinham ofertado, chorado e cantado, e que agora estava em escombros. A pergunta que os corroía era se Deus havia abandonado o seu povo, ou se a fé sem templo ainda tinha endereço. Mateus lhes entrega esta cena: o monte caiu porque o Rei disse, e o acesso a Deus não morreu com as pedras, migrou para a oração de quem crê. Onde nós ouvimos uma promessa sobre dificuldades pessoais, eles ouviram a explicação teológica da maior perda de sua geração.

Reflexão

Quando você ora com fé, o que está de fato pedindo: que Deus remova o obstáculo do seu caminho, ou que ele conduza adiante o seu propósito, mesmo que isso derrube algo que você preza?

Que "figueira" na sua vida tem folhas suficientes para enganar os outros, e o que aconteceria se você a mostrasse a Deus exatamente como ela é?

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Perguntas frequentes sobre Matthew 21:21

Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.

O que significa Mateus 21:21?
Os discípulos ainda estão de queixo caído diante da figueira ressecada, e a pergunta deles é técnica: "Como seccou immediatamente a figueira?" Jesus não explica o mecanismo. Ele desloca o assunto para outro patamar: "se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis isto á figueira, mas até, se a este monte disserdes: Ergue-te e precipita-te no mar, assim será feito".
Sobre o que fala Mateus 21:21?
Repare que Jesus não diz "se tiverdes fé, Deus removerá o monte", mas "se a este monte disserdes". A palavra dos discípulos herda a autoridade da palavra dele. Isso só faz sentido dentro do que Mateus vem construindo desde o versículo 1: o Rei manso entra montado num jumentinho, cumprindo o profeta, e sua palavra basta para tudo.
Qual é o contexto histórico de Mateus 21:21?
Duas páginas iluminam esta. Em Zacarias 4, diante da tarefa impossível de reconstruir o templo, Deus diz a Zorobabel que o grande monte se tornará planície, não por força nem por violência, mas pelo Espírito. Jesus reaproveita essa imagem e a coloca nas mãos dos discípulos. A outra está aqui mesmo, poucos versículos adiante: "A pedra, que os edificadores rejeitaram, essa foi posta por cabeça do angulo".
O que Mateus 21:21 nos ensina sobre o caráter de Deus?
Os primeiros leitores de Mateus eram, em boa parte, judeus que haviam confessado Jesus como Messias e visto o templo cair em ruínas. Para eles, "este monte" não era metáfora nebulosa; era um lugar onde os pais tinham ofertado, chorado e cantado, e que agora estava em escombros.
Como Mateus 21:21 continua relevante hoje?
Que "figueira" na sua vida tem folhas suficientes para enganar os outros, e o que aconteceria se você a mostrasse a Deus exatamente como ela é?

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