David, rei de Judah: o homem que Israel amava e Saul perseguia
Quem é David e quando viveu
David é o rei de Judah, da tribo de Judah, filho de Jesse (1 Samuel 16:19-23), e a figura de maior presença em todo o texto sagrado: 964 versículos, distribuídos por 259 passagens, da primeira menção em Ruth 4:17 até ao último eco em Revelation. O peso está sobretudo em 1 Samuel (232 versículos), 2 Samuel (225) e 1 Chronicles (157), com 86 em Psalms e 74 em 1 Kings. Segundo Ussher, Annals of the World (1650), foi nascido em 1085 a.C., falecido em 1015 a.C. (70 anos).
O favorito de Israel e o alvo de Saul
A primeira coisa que o relato diz sobre a sua ascensão não é uma proeza, mas um afecto partilhado: "Porém todo o Israel e Judah amava a David, porquanto sahia e entrava diante d'elles" (1 Samuel 18:16). É exactamente esse amor que arma a mão do rei. Saul oferece-lhe Merab, a filha mais velha, com uma condição de aparência piedosa, "sê-me somente filho valoroso, e guerreia as guerras do Senhor", enquanto o narrador nos deixa ouvir o cálculo interior: "porque Saul dizia comsigo: Não seja contra elle a minha mão, mas sim a dos philisteos" (1 Samuel 18:17). David responde do lugar mais baixo que encontra: "Quem sou eu, e qual é a minha vida e a familia de meu pae em Israel, para vir a ser genro do rei?" (1 Samuel 18:18). Merab acaba dada por mulher a Adriel, meholathita, e é Michal, a outra filha de Saul, que ama David, "o que, sendo annunciado a Saul, pareceu isto bom aos seus olhos" (1 Samuel 18:19-20).
Antes disso houve um pacto que o texto guarda com cuidado: "E Jonathan e David fizeram alliança: porque Jonathan o amava como á sua propria alma" (1 Samuel 18:3). Jonathan despoja-se da capa, dos vestidos, da espada, do arco e do cinto, e entrega tudo (1 Samuel 18:4). David, por sua vez, "conduzia-se com prudencia", é posto sobre a gente de guerra e torna-se aceite aos olhos de todo o povo e até dos servos de Saul (1 Samuel 18:5). E então o canto das mulheres, em danças e com adufes: "Saul feriu os seus milhares, porém David os seus dez milhares" (1 Samuel 18:7). Daí em diante a história passa a ser de fuga (1 Samuel 19:7-12; 1 Samuel 22:3-6).
Keila e o hábito de perguntar
Em 1 Samuel 23:1-10 vê-se o que distingue este homem em campanha. Avisado de que os philisteos pelejam contra Keila e saqueiam as eiras, David não avança: "E consultou David ao Senhor, dizendo: Irei eu, e ferirei a estes philisteos?" (1 Samuel 23:2). Quando os seus homens se assustam, porque temem já ali em Judah, ele torna a consultar e recebe resposta: "Levanta-te, desce a Keila, porque te dou os philisteos na tua mão" (1 Samuel 23:4). O desfecho é sóbrio: "e David livrou os moradores de Keila" (1 Samuel 23:5).
Ziph: perseguido e vigilante
Os zipheos denunciam-no a Saul, em Gibeah, perguntando se David não está escondido no outeiro d'Hachila, á entrada de Jesimon (1 Samuel 26:1). Saul desce ao deserto de Ziph com três mil homens escolhidos de Israel para o buscar (1 Samuel 26:2). David envia espias, confirma que Saul vinha decerto, e chega ao lugar onde Saul estava deitado dentro do lugar dos carros, com Abner, filho de Ner, chefe do seu exército (1 Samuel 26:4-5). O perseguido move-se com mais sangue-frio do que o perseguidor. Cenas próximas surgem em 1 Samuel 24:1-5 e 1 Samuel 23:12-16.
O rei em guerra
Depois de ser ungido rei (2 Samuel 2:1-5; 2 Samuel 5:6-13; 1 Chronicles 11:3-7), os relatos tornam-se listas de campanhas. David fere os philisteos e sujeita-os (2 Samuel 8:1), fere Hadadezer, filho de Rechob, rei de Zoba, quando este ia virar a sua mão para o rio Euphrates, e fere vinte e dois mil homens dos syros de Damasco (2 Samuel 8:3-5). O paralelo em 1 Chronicles 18:1-11 conta a mesma guerra com números próprios: mil cavalos de carros, sete mil cavaleiros e vinte mil homens de pé, contra "mil e seiscentos cavalleiros e vinte mil homens de pé" em 2 Samuel 8:4. Ali também se diz que tomou a Gath e os lugares da sua jurisdição (1 Chronicles 18:1). As duas contas ficam registadas sem serem harmonizadas.
As falhas que o texto não esconde
O mesmo relato que o elogia mostra-lhe a crueza. Aos moabitas mede com cordel, fazendo-os deitar por terra, "com dois cordeis para os matar, e com um cordel inteiro para os deixar em vida" (2 Samuel 8:2), e jarreta todos os cavalos dos carros (2 Samuel 8:4; 1 Chronicles 18:4). O dossiê registra mulheres não nomeadas em 2 Samuel 5:13, além da lista de esposas: Michal, Abigail, Ahinoam, Maacah, Haggith, Abital, Eglah e Bathsheba. O episódio com Bathsheba está em 2 Samuel 11:1-8 e 2 Samuel 11:10-14, e a contagem do povo com o seu desfecho em 2 Samuel 24:10-14, 1 Chronicles 21:8-11, 1 Chronicles 21:16-19 e 1 Chronicles 21:21-26. Entre os filhos listados estão Amnon, Absalom, Adonijah, Tamar e Solomon, nomes que dizem por si quanto a casa de David sofreu.
O que não sabemos
O dossiê lista dois progenitores, Jesse (Ruth 4:17) e Nahash (2 Samuel 17:25), e não resolve a relação entre eles. Entre os irmãos, uma Abigail aparece marcada com dúvida (2 Samuel 17:25). As mulheres de 2 Samuel 5:13 ficam sem nome. Nada disto se preenche com conjectura.
A linha até Cristo
O nome de David abre Matthew 1:1 e reaparece em Matthew 1:6, 1:17 e 1:20; percorre Luke 1:27, 1:32, 1:69, 2:4, 2:11 e 3:31; está nos gritos de Matthew 9:27, 15:22, 20:30-31, Mark 10:47-48 e Luke 18:38-39; nas aclamações de Matthew 21:9, 21:15 e Mark 11:10; e na pergunta sobre o Senhor em Matthew 22:42-43, 22:45, Mark 12:35-37, Luke 20:41-42 e 20:44. Volta também em Matthew 12:3, Mark 2:25, Luke 6:3 e John 7:42, e nos discursos e cartas: Acts 1:16, 2:25, 2:29, 2:34, 4:25, 7:45, 13:22, 13:34, 13:36, 15:16, Romans 1:3, 4:6, 11:9, 2 Timothy 2:8, Hebrews 4:7 e 11:32. E os últimos lugares onde é nomeado são Revelation 3:7, 5:5 e 22:16.
