Explicação bíblica

Efésios 3:8

Bíblia

O Texto

Paulo interrompe a própria frase para dizer quem ele é: não apóstolo, não fundador de igrejas, mas "o mínimo de todos os santos". E logo em seguida diz o que recebeu: uma graça, um encargo, uma tarefa que é pura dádiva, a de anunciar entre os gentios as riquezas de Cristo que ninguém consegue medir. Duas coisas ficam lado a lado na mesma linha, sem se cancelarem: a pequenez de quem fala e a imensidão daquilo que ele tem para dizer. O versículo é curto, quase um parêntese dentro de um argumento maior sobre o mistério revelado, mas nele Paulo comprime toda a sua biografia espiritual: perseguidor tornado pregador, o último da fila carregando o tesouro da casa.

O Cerne

A palavra que Paulo usa para "incompreensíveis" descreve algo que não deixa rastro, que não se pode seguir pelas pegadas. As riquezas de Cristo não são apenas grandes demais para serem contadas; são de uma ordem que a mente não consegue rastrear até o fim. E é justamente essa realidade sem fundo que é confiada a alguém que se descreve com um superlativo invertido, "o mínimo". Aqui está o coração da graça: ela não escolhe o vaso proporcional ao conteúdo. Se Deus quisesse anunciadores à altura da mensagem, não haveria anunciadores. O evangelho circula no mundo sustentado por pessoas conscientes de que não o merecem, e essa desproporção não é um defeito do arranjo, é o próprio arranjo. Quem se acha adequado ainda não entendeu nem a mensagem nem a si mesmo.

O Fio Condutor

A tarefa que Paulo descreve não nasceu em Damasco; nasceu em Ur, quando Deus prometeu a Abraão que nele todas as famílias da terra seriam abençoadas. Durante séculos essa promessa ficou como um fio solto, visível mas sem costura: Rute a moabita, Naamã o sírio, os marinheiros de Jonas, sinais espalhados de que Deus tinha planos maiores que Israel. Isaías foi mais longe e falou de um servo que seria luz para as nações, porque restaurar apenas as tribos de Jacó era pouco demais para Deus. Paulo se entende dentro desse fio. O que ele anuncia entre os gentios não é uma novidade improvisada, é o desdobramento de um propósito que o versículo 11 chama de "eterno propósito que fez em Christo Jesus nosso Senhor". Cristo é o lugar onde o fio finalmente aparece inteiro.

O Espelho

Existe uma modéstia falsa que é orgulho disfarçado, e você a reconhece: dizer que não presta para nada e esperar que alguém discorde. Paulo não está fazendo isso. Ele diz que é o mínimo e, na mesma respiração, continua trabalhando. É essa combinação que nos escapa. Ou nos achamos qualificados demais para falar de Cristo com naturalidade, e então falamos como quem dá aula; ou nos achamos desqualificados, e então calamos, escondendo a covardia atrás da humildade. O divórcio entre o que você é e o que lhe foi confiado não precisa ser resolvido antes de você abrir a boca. Ele nunca será resolvido. Hoje, escreva num papel o nome de uma pessoa próxima que não conhece Cristo e diga em voz alta a Deus qual riqueza de Cristo você mais gostaria que ela recebesse.

O Perfil

Os que ouviram esta carta eram gentios de cidades da Ásia Menor, gente que uma geração antes queimava incenso a divindades locais e que, segundo os padrões do templo de Jerusalém, jamais passaria de um muro de pedra com aviso de morte. Agora ouviam de um judeu, um fariseu treinado, que eles eram "coherdeiros, e de um mesmo corpo". Herdeiros, não hóspedes tolerados. E ouviam isso de alguém acorrentado, o que num mundo obcecado por honra significava vergonha pública. Paulo transforma a vergonha em argumento: o versículo 13 chama suas tribulações de "vossa gloria". Para aqueles ouvintes, a pequenez confessada do mensageiro não enfraquecia a mensagem; provava que a riqueza anunciada não vinha do status de quem a trazia.

O Intertexto

Vale acompanhar a trajetória das autodescrições de Paulo. Em 1 Coríntios ele se chama o menor dos apóstolos, indigno desse nome porque perseguiu a igreja. Aqui, mais tarde, já não se compara com apóstolos mas com todos os santos, e é o mínimo entre eles. Em 1 Timóteo, mais tarde ainda, é o principal dos pecadores, no presente do indicativo. Quanto mais perto da graça, menor a estimativa própria; não por doença da alma, mas porque a luz aumenta. E há uma tensão que não devemos esconder: esse mesmo homem, em 2 Coríntios, defende ferozmente sua autoridade e afirma não ser inferior a nenhum superapóstolo. As duas coisas convivem porque tratam de assuntos diferentes: diante de Deus, o mínimo; diante de quem ataca o evangelho, inflexível. Some-se a isso a imagem do tesouro em vasos de barro, e o quadro fecha.

Contexto

Paulo escreve preso, provavelmente em Roma, no início dos anos sessenta, para leitores que ele em parte nem conhecia pessoalmente, já que a carta parece ter circulado entre várias comunidades da região de Éfeso. Éfeso era rica: porto, banco, o templo de Ártemis atraindo peregrinos e dinheiro. Falar de "riquezas" ali era usar a linguagem da cidade e virá-la do avesso. No capítulo anterior Paulo já derrubara o muro que separava judeus de gentios; agora explica por que ele mesmo está na cadeia por causa disso. Sua prisão é consequência direta da tese de que os gentios entram sem passar pela porta de serviço. O versículo 8 não é modéstia protocolar, portanto, mas a assinatura de um homem cuja vida inteira foi reorganizada por uma graça que ele não pediu.

Reflexão

Se a sua estimativa de si mesmo diminuísse com os anos em vez de crescer, isso seria sinal de derrota espiritual ou de proximidade com Deus? Como você distinguiria uma coisa da outra na sua própria vida?

O que você tem deixado de dizer sobre Cristo porque acha que não é a pessoa adequada para dizê-lo, e quem está esperando ouvir?

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Perguntas frequentes sobre Ephesians 3:8

Respostas rápidas às perguntas mais comuns sobre esta passagem bíblica.

O que significa Efésios 3:8?
Paulo interrompe a própria frase para dizer quem ele é: não apóstolo, não fundador de igrejas, mas "o mínimo de todos os santos". E logo em seguida diz o que recebeu: uma graça, um encargo, uma tarefa que é pura dádiva, a de anunciar entre os gentios as riquezas de Cristo que ninguém consegue medir.
Sobre o que fala Efésios 3:8?
A tarefa que Paulo descreve não nasceu em Damasco; nasceu em Ur, quando Deus prometeu a Abraão que nele todas as famílias da terra seriam abençoadas. Durante séculos essa promessa ficou como um fio solto, visível mas sem costura: Rute a moabita, Naamã o sírio, os marinheiros de Jonas, sinais espalhados de que Deus tinha planos maiores que Israel.
Qual é o contexto histórico de Efésios 3:8?
Os que ouviram esta carta eram gentios de cidades da Ásia Menor, gente que uma geração antes queimava incenso a divindades locais e que, segundo os padrões do templo de Jerusalém, jamais passaria de um muro de pedra com aviso de morte. Agora ouviam de um judeu, um fariseu treinado, que eles eram "coherdeiros, e de um mesmo corpo".
O que Efésios 3:8 nos ensina sobre o caráter de Deus?
Paulo escreve preso, provavelmente em Roma, no início dos anos sessenta, para leitores que ele em parte nem conhecia pessoalmente, já que a carta parece ter circulado entre várias comunidades da região de Éfeso. Éfeso era rica: porto, banco, o templo de Ártemis atraindo peregrinos e dinheiro.
Como Efésios 3:8 continua relevante hoje?
O que você tem deixado de dizer sobre Cristo porque acha que não é a pessoa adequada para dizê-lo, e quem está esperando ouvir?
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O que a comunidade compartilha sobre Ephesians 3

Reflexões, orações e ações de graças de leitores e da equipe editorial sobre esta passagem.

Reflexão Editorial em versículo 12

Repare no tempo do verbo: "temos". Não é teremos, quando melhorarmos. Agora mesmo, "no qual temos ousadia e acesso com confiança, pela nossa fé nele". O lugar diante de Deus que você tenta merecer já está aberto. A porta não está trancada, e ainda assim você fica parado do lado de fora, esperando permissão.

Oração Editorial em versículo 7

Pai, eu não cheguei aqui por mérito meu. Foi a tua graça que me alcançou e me colocou a serviço, e é a tua força que me sustenta quando a minha acaba. Que eu nunca esqueça de onde veio tudo isso, e que eu sirva com gratidão, não com orgulho.

Reflexão Editorial em versículo 1

Paulo estava acorrentado em Roma, mas não se chamou prisioneiro de César. "Por esta causa, eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vós, gentios." Ele enxergou uma mão maior segurando a sua vida. E você, o que tem chamado de prisão? Talvez Cristo esteja ali, guardando você para algo que ainda não vê.

Oração Editorial em versículo 10

Pai, é impressionante pensar que escolheste mostrar tua sabedoria através de gente comum como nós, reunida e imperfeita. Ajuda-nos a viver de um jeito que revele quem tu és, mesmo quando nos sentimos pequenos e sem nada de especial para oferecer.

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