Os 12 Apóstolos de Jesus: Lista Completa e Quem Foi Cada Um
Introdução
Imagine a cena: uma praia de pedras do lago da Galileia ao amanhecer, redes molhadas espalhadas sobre a areia, cheiro de peixe e fumaça. Um homem caminha pela margem e chama dois irmãos pelo nome. Eles largam tudo e vão atrás dele. Trinta anos depois, aquele pescador de mãos calejadas está escrevendo cartas lidas por igrejas inteiras, e séculos depois seu nome aparece gravado nos alicerces da cidade eterna que João vê descendo do céu.
Entre a rede molhada e a muralha de pedras preciosas existe uma história que vale a pena conhecer de verdade, não apenas de nome. Muita gente sabe dizer "Pedro, Tiago e João" e trava no quarto nome. Aqui você vai encontrar a lista completa dos doze apóstolos como a Bíblia a apresenta, quem foi cada um deles, por que eram exatamente doze, o que a Escritura realmente afirma e o que é apenas tradição piedosa, e de que modo esses nomes atravessam a Bíblia inteira até o último capítulo do Apocalipse.
A perspectiva deste guia
A maioria dos textos sobre os doze apóstolos é uma galeria de biografias: nome, profissão, lenda de martírio, fim. Este guia segue outro caminho. Vamos ler a lista dos Doze a partir de duas pontas da Escritura: o chamado em Marcos 3:14, onde Jesus os designa primeiro "para estarem com ele", e Apocalipse 21:14, onde os nomes deles aparecem nos doze fundamentos da Nova Jerusalém. Entre esses dois pontos há uma só mensagem: homens comuns foram escolhidos para conviver com Cristo antes de serem enviados, e é essa convivência, não o talento deles, que acaba gravada na eternidade. A lista de nomes é, antes de tudo, uma lista de convocados pela graça.
O que a Bíblia diz sobre os doze apóstolos de Jesus?
A Escritura traz quatro listas dos Doze, e compará-las já ensina muito. A primeira está em Mateus 10:2, que abre a seção do envio missionário: "Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão". Note o detalhe: Mateus diz "primeiro, Simão". Não é que Pedro fosse superior aos outros, mas ele encabeça todas as quatro listas, assim como Judas Iscariotes aparece sempre por último. A ordem dos nomes já conta uma história de liderança e de traição.
A segunda lista está em Marcos 3:16-19, precedida por uma frase que é a chave deste guia inteiro. Marcos 3:14 diz: "Então, designou doze para estarem com ele e os enviar a pregar". A sequência importa, e a maior parte das pessoas inverte. Antes de qualquer missão, antes de qualquer milagre feito por eles, antes de qualquer sermão, existe uma convivência. O verbo é simples e desarmante: estar com ele. Apóstolos não nasceram de um treinamento intensivo; nasceram de uma amizade com Jesus que durou três anos de estradas poeirentas, refeições partilhadas e perguntas mal formuladas.
Lucas apresenta a terceira lista e acrescenta uma informação preciosa sobre como essa escolha aconteceu. Depois de contar que Jesus passou a noite inteira em oração no monte, ele escreve em Lucas 6:13: "E, quando amanheceu, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu também o nome de apóstolos". Duas coisas saltam aos olhos. Primeiro, havia um grupo maior de discípulos, e dentre eles doze foram escolhidos para uma função específica. Segundo, a palavra "apóstolo" foi dada por Jesus, não inventada depois pela igreja. Apóstolo significa "enviado", alguém que vai com autoridade delegada de quem o enviou.
Primeiro estar com ele, depois ser enviado por ele.
A quarta lista aparece já depois da ressurreição, no primeiro capítulo de Atos. Atos 1:13 registra: "Quando ali entraram, subiram para o cenáculo, onde se reuniam Pedro, João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago". Onze nomes. Um está faltando, e o vazio deixado por Judas Iscariotes é tão doloroso quanto eloquente.
Há ainda um texto que define a natureza desse chamado melhor do que qualquer outro. Em João 15:16, Jesus diz aos seus na última noite: "Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda". Nenhum deles se candidatou. Nenhum deles preencheu um formulário. A iniciativa foi inteiramente de Jesus, e o propósito foi fruto que permanece. É por isso que os doze nomes acabam em pedra, não em pó.
Quem foi cada um dos doze
Simão Pedro. Pescador de Betsaida, irmão de André, casado (Jesus curou sua sogra, em Marcos 1:30-31). Jesus trocou seu nome: Simão virou Cefas, Pedro, "pedra". Foi o primeiro a confessar "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo" e, poucos versículos depois, foi repreendido com a frase mais dura dos evangelhos. Andou sobre as águas e afundou. Jurou morrer com Jesus e o negou três vezes diante de uma criada. Depois da ressurreição, foi restaurado à beira do mesmo lago onde tinha sido chamado, com três perguntas sobre amor. No Pentecostes, pregou o sermão que trouxe três mil pessoas ao Reino. Escreveu duas cartas. Pedro é a prova viva de que ser apóstolo não é ser perfeito, é ser perdoado e reenviado.
André. Irmão de Pedro, discípulo de João Batista antes de seguir Jesus. Foi ele quem levou Pedro a Jesus, com uma frase simples: "Achamos o Messias". Sempre que André aparece no Evangelho de João, ele está trazendo alguém: o irmão, o menino dos cinco pães, os gregos que queriam ver Jesus. É o apóstolo das apresentações, aquele que nunca ficou no centro do palco e nem parecia querer isso.
Tiago, filho de Zebedeu. Irmão de João, sócio de Pedro na pesca. Jesus apelidou os dois irmãos de Boanerges, "filhos do trovão", e quem lê o pedido deles para mandar fogo do céu sobre uma aldeia samaritana entende o porquê. Junto com Pedro e João, formava o círculo mais próximo que viu a transfiguração, a filha de Jairo ressuscitada e a agonia no Getsêmani. Foi o primeiro dos Doze a morrer, executado à espada por Herodes Agripa, conforme Atos 12:2.
João. O discípulo "a quem Jesus amava", como ele mesmo se descreve com pudor em seu evangelho. Esteve aos pés da cruz e recebeu de Jesus o encargo de cuidar de Maria. Foi o primeiro a chegar ao sepulcro vazio. Escreveu um evangelho, três cartas e o Apocalipse. O filho do trovão virou o apóstolo do amor, não porque o fogo tenha se apagado, mas porque foi redirecionado. É um dos retratos mais bonitos do que anos de convivência com Cristo fazem com um temperamento.
Filipe. De Betsaida, como Pedro e André. Foi chamado com um direto "Segue-me" e imediatamente foi buscar Natanael. É o apóstolo das perguntas práticas e meio sem jeito: diante da multidão faminta, calculou o preço do pão; na última ceia, pediu "Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta", e ouviu a resposta que se tornou um dos pilares da fé cristã: quem viu Jesus viu o Pai.
Bartolomeu. O nome significa "filho de Tolmai", um patronímico, e por isso a tradição antiga, com boas razões, o identifica com Natanael, que em João aparece ao lado de Filipe exatamente onde Bartolomeu aparece nas outras listas. Foi o cético simpático que perguntou se de Nazaré poderia vir algo bom e recebeu de Jesus o elogio mais puro dos evangelhos: "Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!". Dúvida honesta nunca foi obstáculo para Jesus.
Mateus. Também chamado Levi, filho de Alfeu, cobrador de impostos em Cafarnaum, ou seja, um colaborador de Roma, desprezado pelos seus. Jesus passou pela coletoria e disse "Segue-me". Ele se levantou, deixou a mesa do dinheiro e ofereceu um banquete em casa para que seus colegas conhecessem o mestre. Escreveu o evangelho que mais cita o Antigo Testamento, como se o homem acostumado a somar números tivesse passado a somar profecias cumpridas.
Tomé. Chamado Dídimo, o gêmeo. Injustamente reduzido à alcunha de incrédulo, foi ele quem disse, quando Jesus decidiu voltar à Judeia perigosa: "Vamos também nós, para morrermos com ele". Sua recusa em crer sem ver produziu, uma semana depois, a confissão mais alta de todo o Evangelho de João: "Senhor meu, e Deus meu!". A dúvida dele virou doutrina para a igreja inteira.
Tiago, filho de Alfeu. Provavelmente o mesmo chamado "Tiago, o menor" em Marcos 15:40, talvez por ser mais jovem ou mais baixo. A Bíblia não registra nenhuma palavra dele, nenhum episódio, nada além do nome nas quatro listas. E ainda assim o nome está lá, nas quatro, e estará nos fundamentos da cidade. Há uma pregação inteira nesse silêncio.
Judas, filho de Tiago. Chamado Tadeu em Mateus e Marcos, para evitar confusão com o traidor. Fez uma única pergunta registrada, na última ceia, e foi uma pergunta ótima: "Senhor, por que hás de manifestar-te a nós e não ao mundo?". Quem convive com Jesus acaba se perguntando por que tanta graça para tão poucos.
Simão, o Zelote. Chamado também "o Cananeu", termo que não indica origem geográfica, mas vem do aramaico para "zeloso". Era, ao que tudo indica, ligado ao movimento nacionalista que sonhava em expulsar Roma pela força. Sente o peso disto: no mesmo grupo de doze homens, caminhando lado a lado por três anos, havia um revolucionário anti-Roma e um ex-funcionário de Roma. Só Jesus consegue colocar Simão, o Zelote, e Mateus, o publicano, na mesma mesa sem derramamento de sangue.
Judas Iscariotes. O nome talvez indique "homem de Queriote", o que faria dele o único judeu da região sul no grupo. Cuidava da bolsa comum e, segundo João 12:6, roubava dela. Entregou Jesus por trinta moedas de prata, devolveu o dinheiro, desesperou-se e se enforcou. O mais perturbador na história de Judas é que ele viu tudo, ouviu tudo, pregou e expulsou demônios junto com os outros, e mesmo assim se perdeu. Proximidade com Jesus não é o mesmo que entrega a Jesus.
Matias. Após a ascensão, Pedro propôs a escolha de alguém para completar o número doze, e o critério foi revelador: precisava ser um homem que tivesse estado com eles todo o tempo, desde o batismo de João até a ascensão, para ser testemunha da ressurreição. Dois nomes foram apresentados e, segundo Atos 1:26, "lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Matias; e, por decisão comum, foi ele acrescentado aos onze apóstolos". Mais uma vez, o critério não foi dom nem carisma, mas convivência.
O fio condutor que atravessa a Bíblia
Por que doze? A resposta começa em Gênesis, com doze filhos de Jacó que se tornam doze tribos. Durante todo o Antigo Testamento, o número doze carrega a ideia do povo de Deus na sua totalidade: doze pedras no peitoral do sumo sacerdote, doze pedras tiradas do Jordão, doze pães da proposição, doze espias, doze príncipes. Quando Jesus escolhe deliberadamente doze homens, num tempo em que dez das doze tribos estavam dispersas e perdidas, ele não está montando uma equipe. Está anunciando que o Israel de Deus está sendo reconstituído em torno dele mesmo.
Jesus deixa isso explícito. Em Mateus 19:28 ele diz: "Em verdade vos digo que vós, os que me seguistes, quando, na regeneração, o Filho do Homem se assentar no trono da sua glória, também vos assentareis em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel". Doze tronos para doze tribos. Os pescadores da Galileia são os novos patriarcas de um povo que não nasce de sangue, mas de fé.
É aqui que o fio chega ao seu destino. Paulo escreve em Efésios 2:20 que os cristãos são "edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo, Cristo Jesus, a pedra angular". Os profetas do Antigo Testamento e os apóstolos do Novo formam juntos a base da igreja, e essa base só se sustenta porque Cristo é a pedra angular que alinha tudo. A autoridade dos Doze nunca foi autônoma; foi sempre derivada, apostólica no sentido estrito de "enviada".
E no último capítulo da Bíblia, a imagem se fecha. Apocalipse 21:14 descreve a Nova Jerusalém: "A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e sobre eles os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro". Nos portões, segundo o versículo anterior, estão os nomes das doze tribos de Israel. Nos alicerces, os nomes dos doze apóstolos. A cidade eterna é construída sobre a aliança antiga e a nova, costuradas por um só Cordeiro. Pedro, que negou; Tomé, que duvidou; Tiago, filho de Alfeu, de quem não temos uma única frase: os nomes deles estão lá, não porque mereceram, mas porque estiveram com ele.
Do barco de pesca ao fundamento da cidade de Deus. Esse é o arco. E ele começa com uma noite de oração num monte da Galileia.
Equívocos comuns
"Os doze apóstolos eram os doze discípulos de Jesus." Não exatamente. Jesus teve muitos discípulos; Lucas 6:13 deixa claro que ele "chamou a si os seus discípulos e escolheu doze dentre eles". Em Lucas 10 ele envia setenta. Em Atos 1 havia cerca de cento e vinte reunidos. Discípulo é aprendiz, seguidor; apóstolo é enviado com autoridade. Todo apóstolo era discípulo, mas nem todo discípulo era apóstolo. A confusão importa porque, ao achar que apóstolo é só outro nome para seguidor, perdemos a singularidade histórica daqueles doze homens que foram testemunhas oculares da ressurreição.
"As listas dos evangelhos se contradizem." À primeira vista, os nomes parecem não bater: Mateus e Marcos falam de Tadeu, Lucas e Atos falam de Judas, filho de Tiago; Lucas chama Simão de Zelote, Mateus e Marcos o chamam de Cananeu. Mas judeus do primeiro século usavam habitualmente dois ou três nomes, muitas vezes um hebraico e um grego, além de apelidos familiares. Simão é Pedro e Cefas. Mateus é Levi. Bartolomeu é quase certamente o Natanael de João. Não há contradição; há o jeito normal de identificar pessoas numa sociedade onde metade da aldeia se chamava Simão, Tiago ou Judas.
"Eles foram escolhidos porque eram os melhores." A Escritura não permite essa leitura. Eram pescadores, um cobrador de impostos malvisto, um ex-nacionalista radical. Discutiram no caminho sobre quem era o maior. Dormiram no Getsêmani. Fugiram na prisão. Em Atos 4:13, os líderes de Jerusalém reparam que Pedro e João eram "homens iletrados e incultos" e se admiravam, reconhecendo que haviam estado com Jesus. É exatamente esse o ponto deste guia: o que qualificava aqueles homens não era bagagem, era convivência. João 15:16 fecha a questão: "Não fostes vós que me escolhestes a mim".
"Judas foi uma peça descartável no plano de Deus." O Novo Testamento sustenta duas verdades ao mesmo tempo sem pedir desculpas: a entrega de Jesus cumpriu a Escritura, e Judas é plenamente responsável pelo que fez. Jesus o chamou de amigo no instante do beijo. Ele teve três anos de oportunidade, ouviu os mesmos ensinos, viu os mesmos milagres. Sua tragédia não é predestinação cega, é um coração que amava mais a bolsa do que o Mestre, endurecido um pequeno roubo de cada vez.
Vivendo isso hoje
Se os Doze foram escolhidos primeiro "para estarem com ele" e só depois enviados, então a ordem do seu discipulado também importa mais do que você imagina. Vivemos numa cultura cristã que mede vida espiritual por produção: quantos ministérios, quantas pessoas evangelizadas, quantos versículos postados. Marcos 3:14 inverte a planilha. A pergunta primeira não é "o que você está fazendo para Deus?", mas "você tem estado com ele?". Aquelas madrugadas em que você lê a Bíblia sem nada de especial acontecer, aquelas orações sem eloquência no trânsito, aquele culto em que você só cantou e chorou: é ali que apóstolos são formados.
Pense também na mesa de Simão, o Zelote, e Mateus, o publicano. Você provavelmente tem, na sua igreja, alguém cuja posição política, cujo jeito de criar filhos ou cuja forma de administrar dinheiro irrita você profundamente. Jesus colocou um militante antirromano e um funcionário de Roma no mesmo grupo de doze e os mandou pregar juntos. Não há registro de que ele tenha pedido a um dos dois que mudasse de opinião antes de segui-lo. Há registro de que ambos foram transformados ao caminhar com ele. A unidade cristã não nasce de concordância; nasce de uma pessoa em comum.
E há o consolo silencioso de Tiago, filho de Alfeu. Talvez você sirva há anos sem que ninguém perceba. Berçário, cozinha, cadeiras, visita a enfermos, oração pela família na madrugada. Nenhuma frase sua foi registrada. Nenhum sermão seu foi gravado. Pois esse homem, do qual não temos uma única palavra, tem o nome nos fundamentos da Nova Jerusalém. Deus não confunde invisibilidade com insignificância.
Por fim, a restauração de Pedro. Se você acha que falhou feio demais para continuar servindo, lembre que o homem que negou Jesus com juramentos é o mesmo que abre todas as quatro listas e prega no Pentecostes. A graça não reduz o chamado; ela o reconstrói.
O Espelho
Deixe-me ser direto com você por um momento. Você conhece Jesus ou você conhece coisas sobre Jesus? Judas Iscariotes sabia o som da voz do Mestre acordando o acampamento. Sabia como ele partia o pão. Pregou, viu demônios saírem, ouviu as parábolas em primeira mão e ainda assim saiu daquela sala pela porta e foi vender o amigo. Proximidade não é entrega. Você pode estar na quarta geração de uma família cristã, pode saber liderar um louvor e explicar a doutrina da justificação, e ainda assim estar mais apaixonado pela bolsa do que por Cristo.
Então faça as contas honestas desta semana. Quantas horas você passou rolando a tela? Quantas pensando em como pagar as contas ou em como parecer bem-sucedido diante dos outros? E quantos minutos simplesmente estando com ele, sem agenda, sem pedido, sem precisar produzir nada? Marcos 3:14 não diz que ele designou doze para resolver problemas. Diz que designou doze para estarem com ele. Se a sua vida espiritual virou uma lista de tarefas religiosas, você inverteu a ordem que Jesus estabeleceu, e o cansaço que você sente tem nome.
E se você está no outro extremo, convencido de que é pequeno demais para contar, olhe de novo para aquela muralha em Apocalipse 21:14. Doze nomes. Entre eles, um que negou, um que duvidou, um que fazia perguntas bobas, um que ninguém citou nunca. Nenhum deles chegou ali por mérito. Chegaram porque foram escolhidos e porque ficaram, mesmo tropeçando. Você não precisa ser extraordinário. Você precisa ficar.
Ele ainda chama pelo nome, na beira do seu lago, no meio das suas redes molhadas.
Explicado para crianças
Contar os doze apóstolos para crianças funciona melhor como história do que como lista. Dá para começar assim: Jesus precisava de amigos muito especiais para ajudá-lo a contar ao mundo inteiro que Deus ama as pessoas. Então ele subiu num monte, passou a noite toda conversando com o Pai e, de manhã, chamou doze pessoas pelo nome. Não eram os mais inteligentes nem os mais ricos da cidade. Eram pescadores que cheiravam a peixe, um homem que cobrava impostos e que quase ninguém gostava, gente comum como o pai e a mãe de qualquer criança. Jesus chamou cada um e disse: venha andar comigo.
A ideia central que uma criança precisa levar para casa é simples e enorme: Jesus escolheu os amigos dele para primeiro ficarem perto dele, e só depois para trabalharem. Primeiro o abraço, depois a tarefa. Isso tira da cabeça pequena a ideia de que Deus ama quem faz bastante coisa, e coloca no lugar a certeza de que Deus ama e chama primeiro.
Também vale contar que um dos doze, Pedro, errou muito feio e Jesus o perdoou e o chamou de volta. Crianças precisam ouvir que errar não termina a amizade com Jesus.
Temos explicações preparadas especificamente para cada faixa etária, com linguagem, imagens e perguntas adequadas para cada fase: pré-escolares de 3 a 6 anos, crianças de 7 a 12 anos e adolescentes a partir dos 12. Vale escolher a versão certa para a idade do seu filho, porque a mesma verdade precisa de roupas diferentes conforme a altura de quem a veste.
Perguntas frequentes
Quantos apóstolos Jesus teve ao todo?
Jesus escolheu doze apóstolos, conforme Lucas 6:13, mas o número total de pessoas chamadas de apóstolos no Novo Testamento é maior. Depois da traição e morte de Judas Iscariotes, Matias foi acrescentado aos onze em Atos 1:26, restabelecendo os doze. Paulo se apresenta como apóstolo em quase todas as suas cartas, e o Novo Testamento usa o termo também para Barnabé e, provavelmente, Tiago, o irmão do Senhor. Ainda assim, "os Doze" permanece uma designação única e fechada, ligada a quem conviveu com Jesus durante todo o seu ministério terreno e testemunhou a ressurreição.
Qual é a diferença entre discípulo e apóstolo?
Discípulo significa aprendiz, alguém que segue um mestre para aprender com ele e viver como ele. Apóstolo significa enviado, alguém despachado com autoridade delegada para representar quem o enviou. Jesus teve centenas de discípulos e escolheu doze dentre eles para serem apóstolos, como Lucas 6:13 registra com clareza. Na prática, todo cristão é chamado a ser discípulo de Jesus hoje, mas o ofício apostólico dos Doze foi singular e irrepetível, porque exigia ter visto o Senhor ressuscitado e ter recebido dele diretamente a comissão e a mensagem.
Por que Jesus escolheu exatamente doze apóstolos?
Porque doze era o número das tribos de Israel, e Jesus estava anunciando, em ato simbólico e público, que o povo de Deus estava sendo reconstituído em torno dele. Ele mesmo explica isso em Mateus 19:28, prometendo aos Doze que se assentariam em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel. O cumprimento dessa imagem aparece em Apocalipse 21:14, onde a muralha da cidade celeste tem doze fundamentos com os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro, enquanto os portões levam os nomes das doze tribos.
Paulo foi um dos doze apóstolos?
Não. Paulo nunca fez parte do grupo dos Doze e jamais reivindicou isso. Ele se chama apóstolo com autoridade plena, recebida diretamente de Cristo no caminho de Damasco, e em 1 Coríntios 15:8 se descreve como alguém a quem o Senhor apareceu por último, "como a um nascido fora de tempo". Seu apostolado é autêntico mas distinto: ele não conviveu com Jesus na Galileia, foi chamado depois da ascensão e foi enviado especialmente aos gentios, enquanto os Doze tinham um vínculo histórico direto com o ministério terreno do Senhor.
Bartolomeu e Natanael são a mesma pessoa?
Muito provavelmente sim, embora a Bíblia não afirme isso de forma explícita. Bartolomeu não é um nome próprio, mas um patronímico que significa "filho de Tolmai", de modo que o homem teria também um nome pessoal. Nas listas de Mateus, Marcos e Lucas, Bartolomeu aparece junto de Filipe; no Evangelho de João, é Filipe quem leva Natanael a Jesus, e Natanael aparece depois entre os discípulos no capítulo 21. A identificação é antiga, coerente e amplamente aceita, ainda que permaneça uma conclusão provável, não uma certeza textual.
O que aconteceu com Judas Iscariotes e quem o substituiu?
Judas entregou Jesus por trinta moedas de prata, arrependeu-se de forma desesperada, devolveu o dinheiro aos sacerdotes e tirou a própria vida, como Mateus 27 e Atos 1 relatam sob ângulos complementares. Depois da ascensão, Pedro propôs a escolha de um substituto que tivesse acompanhado o grupo desde o batismo de João até a ascensão, para ser testemunha da ressurreição. Dois candidatos foram apresentados, José chamado Barsabás e Matias, e segundo Atos 1:26 a sorte caiu sobre Matias, que foi acrescentado aos onze apóstolos.
Como cada um dos apóstolos morreu?
A Bíblia só registra duas mortes: a de Judas Iscariotes e a de Tiago, filho de Zebedeu, executado à espada por Herodes Agripa em Atos 12:2. Tudo o mais vem da tradição cristã antiga, de valor histórico variado: Pedro crucificado em Roma, André numa cruz em forma de X, Tomé morto na Índia, Bartolomeu esfolado, Filipe e Simão martirizados, João morrendo idoso depois do exílio em Patmos. Essas histórias merecem respeito, mas não a mesma autoridade do texto inspirado, e vale sempre distinguir uma coisa da outra.
Os apóstolos eram homens instruídos?
Em geral, não segundo os padrões religiosos da época. Atos 4:13 diz que os líderes de Jerusalém, vendo a ousadia de Pedro e João, se admiravam por serem "homens iletrados e incultos", e reconheciam que haviam estado com Jesus. Eles sabiam ler e escrever o suficiente para a vida cotidiana, mas não tinham formação rabínica formal. Essa é justamente a força do testemunho apostólico: o conteúdo da mensagem não veio de erudição acumulada, veio de três anos caminhando com o Mestre e da ação do Espírito Santo depois do Pentecostes.
Existem apóstolos hoje?
Depende do sentido da palavra. No sentido estrito dos Doze, não, porque o requisito era ter convivido com Jesus e testemunhado sua ressurreição, e Efésios 2:20 descreve os apóstolos como fundamento já lançado da igreja, não como construção contínua. Ninguém lança o alicerce duas vezes. No sentido amplo de enviado, missionário, plantador de igrejas em lugares onde o evangelho não chegou, o trabalho segue e é profundamente bíblico. Convém apenas evitar que o título vire veículo de autoridade pessoal acima da Escritura, algo que os próprios apóstolos nunca reivindicaram.
Por que os nomes nas listas dos evangelhos são diferentes?
Porque pessoas no Israel do primeiro século frequentemente tinham mais de um nome, além de apelidos para distinguir homônimos num mundo cheio de Simões, Tiagos e Judas. Simão é também Pedro e Cefas; Mateus é também Levi; Tadeu é Judas, filho de Tiago; Simão, o Cananeu, é Simão, o Zelote; Bartolomeu é quase certamente Natanael. As quatro listas, em Mateus 10, Marcos 3, Lucas 6 e Atos 1:13, mantêm a mesma estrutura, sempre com Pedro primeiro e Judas Iscariotes por último, o que confirma que estamos diante dos mesmos doze homens.
Mateus e Levi são a mesma pessoa?
Sim. Marcos e Lucas contam o chamado de um cobrador de impostos chamado Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria; Mateus narra exatamente a mesma cena, incluindo o banquete em casa com publicanos e pecadores, mas dá ao personagem o nome de Mateus. Nas quatro listas dos Doze aparece Mateus, nunca Levi, e o próprio evangelista acrescenta a si mesmo a etiqueta "o publicano", como quem não quer esconder de onde veio. Trata-se do mesmo homem com dois nomes, algo comum entre judeus daquele tempo.
Havia mulheres entre os doze apóstolos?
Não. Os Doze eram homens, escolhidos com a clara intenção simbólica de corresponder aos doze patriarcas de Israel. Isso não significa, porém, que as mulheres fossem figurantes no grupo de Jesus. Lucas 8:1-3 informa que várias mulheres acompanhavam Jesus e os Doze e os sustentavam com seus bens, e foram mulheres as primeiras testemunhas do túmulo vazio, enviadas por Cristo para anunciar a ressurreição aos próprios apóstolos. Num tempo em que o testemunho feminino tinha pouco peso legal, essa escolha de Deus é tudo menos acidental.
Para encerrar
Doze nomes, quatro listas, três anos de estrada. Se você guardar uma única coisa desta leitura, que seja a ordem estabelecida por Marcos 3:14: designou doze para estarem com ele e, então, para enviá-los a pregar. O chamado veio antes da competência, a convivência veio antes da missão, e a graça veio antes de tudo. Por isso Pedro, que negou, lidera todas as listas; por isso Tomé, que duvidou, produziu a maior confissão do Evangelho de João; por isso Tiago, filho de Alfeu, de quem não sobrou uma frase sequer, tem o nome gravado nos alicerces da cidade de Deus em Apocalipse 21:14.
Vale continuar a caminhada lendo devagar os quatro relatos do chamado, em Mateus 10, Marcos 3, Lucas 6 e Atos 1:13, anotando as diferenças e notando quem aparece em cada posição. Vale também ler Efésios 2:20 ao lado da visão final da Nova Jerusalém, para ver com os próprios olhos como a igreja é construída sobre o testemunho desses homens e sustentada por Cristo, a pedra angular. E vale, acima de tudo, perguntar hoje mesmo: onde na minha semana existe tempo simplesmente para estar com ele?

